O homeschooling voltou a ser tema de debate no Congresso Nacional após uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. A discussão reacendeu dúvidas sobre a possibilidade de pais ensinarem os filhos em casa e sobre o futuro da regulamentação da modalidade no Brasil.
Embora o assunto tenha ganhado força nos últimos anos, muitas famílias ainda não sabem exatamente o que é permitido atualmente. Afinal, o homeschooling já é legalizado? Existe alguma regra nacional? E quem pode optar pela educação domiciliar?
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A seguir, entenda como funciona a situação da educação domiciliar no Brasil em 2026.
O que é homeschooling?
O homeschooling, também conhecido como educação domiciliar, é um modelo em que os pais ou responsáveis assumem diretamente a educação formal dos filhos, sem a frequência diária em escolas tradicionais.
Nesse sistema, o ensino ocorre dentro de casa, geralmente seguindo um planejamento educacional elaborado pela família ou por profissionais contratados.
A modalidade é adotada em diversos países, mas ainda gera debates sobre aprendizagem, socialização e fiscalização educacional.
Homeschooling é permitido no Brasil?
Atualmente, a situação ainda não está totalmente regulamentada.
Segundo informações discutidas na Câmara dos Deputados, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que a educação domiciliar não é incompatível com a Constituição Federal. Porém, os ministros também entenderam que a prática depende de uma lei federal específica para ser regulamentada.
Na prática, isso significa que ainda não existe uma regulamentação nacional definitiva estabelecendo como o homeschooling deve funcionar no país.
O que diz a legislação atual?
Hoje, a legislação brasileira prevê que crianças e adolescentes devem estar matriculados em instituições de ensino reconhecidas.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) estabelecem a obrigatoriedade da matrícula escolar, o que gera insegurança jurídica para famílias que optam pela educação domiciliar.
Segundo parlamentares favoráveis à proposta, essa ausência de regulamentação faz com que algumas famílias enfrentem processos relacionados ao chamado abandono intelectual, mesmo alegando manter uma rotina educacional estruturada para os filhos.
O que pode mudar?
O tema está sendo discutido por meio do Projeto de Lei 1338/22.
De acordo com a Câmara dos Deputados, o texto já foi aprovado pelos deputados federais e atualmente está em análise no Senado. A proposta busca criar regras nacionais para permitir a educação domiciliar no Brasil.
A audiência realizada nesta semana teve justamente o objetivo de discutir os impactos da regulamentação e os critérios que poderiam ser adotados para garantir segurança jurídica às famílias e proteção aos estudantes.
Quem defende o homeschooling?
Entre os defensores da proposta está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), presidente da Comissão de Educação da Câmara.
Segundo ele, a discussão envolve temas como liberdade educacional, responsabilidade dos pais e interesse da criança. O parlamentar argumenta que o ensino individualizado pode se adaptar melhor ao ritmo e às necessidades de determinados estudantes.
Por outro lado, especialistas e entidades ligadas à educação defendem que o ambiente escolar também desempenha papel importante na convivência social e no desenvolvimento das crianças, motivo pelo qual o tema continua gerando divergências no país.
O homeschooling será regulamentado?
Ainda não há uma definição.
O projeto continua em tramitação no Senado e não existe previsão oficial para uma votação final. Enquanto isso, o debate segue avançando no Congresso, com audiências públicas e discussões sobre os impactos da educação domiciliar no sistema educacional brasileiro.

