Uma conversa que parecia privada acabou se transformando em uma investigação internacional e terminou com a prisão de um brasileiro antes que um crime pudesse acontecer. O caso chamou a atenção pela participação do FBI e pelo uso de uma ferramenta de inteligência artificial durante a apuração.
Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, o homem teria revelado em mensagens detalhes de um plano para matar o próprio filho, além de mencionar outros possíveis ataques. As informações chegaram às autoridades antes da data em que o crime supostamente seria executado.
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O agricultor de 36 anos foi preso na zona rural de São Gabriel da Palha (ES) após o FBI encaminhar às autoridades brasileiras informações obtidas a partir de conversas mantidas no ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela OpenAI. Conforme a investigação, ele pretendia matar o próprio filho para deixar de pagar pensão alimentícia à ex-companheira.
Como a investigação começou
De acordo com a Polícia Civil, o FBI encaminhou as informações ao Ministério da Justiça, que posteriormente repassou o caso à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) do Espírito Santo.
A prisão ocorreu no dia 19 de junho, um dia antes da data em que, segundo os investigadores, o crime seria colocado em prática.
Durante entrevista coletiva, o delegado Ícaro Olímpio afirmou que o suspeito utilizava o ChatGPT para relatar seus planos e descrever detalhes da ação criminosa.
Suspeito relatou armas, veneno e outros ataques em conversa com o ChatGPT
Ainda conforme a investigação, o homem afirmou possuir uma arma de fogo, uma corda e cianeto, substância altamente tóxica.
Além do suposto plano contra o próprio filho, ele também teria manifestado intenção de promover ataques contra escolas, igrejas e até autoridades públicas, com o objetivo de provocar o maior número possível de vítimas.
Segundo o delegado responsável pelo caso, os elementos compartilhados permitiram que a polícia atuasse de forma preventiva.
Polícia apreendeu equipamentos eletrônicos
Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão, os policiais recolheram aparelhos eletrônicos que agora passarão por perícia.
Inicialmente, o suspeito negou as acusações, mas, segundo a Polícia Civil, o conteúdo das conversas forneceu elementos suficientes para dar continuidade às investigações.
O homem foi autuado por crimes relacionados às ameaças, tentativa de homicídio e incitação ao crime. O inquérito ainda está em andamento, e o indiciamento definitivo dependerá da conclusão das perícias.
Como o caso chegou às autoridades
Segundo a Polícia Civil, as informações utilizadas na investigação foram encaminhadas pelo FBI às autoridades brasileiras após comunicação envolvendo a empresa responsável pela ferramenta de inteligência artificial.
As circunstâncias específicas desse compartilhamento não foram detalhadas pelas autoridades. A OpenAI possui políticas para lidar com situações envolvendo riscos graves à segurança e pode responder a solicitações legais quando aplicável.

