Polícia Civil faz operação contra agiotas que praticam extorsão em Canoas

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira (9) a Operação Sangria, em Canoas, contra um esquema envolvendo a prática de extorsão por agiotas.

De acordo com a polícia, policiais cumprem 13 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em Cachoeirinha, Gravataí e Porto Alegre.

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Até o momento, os dois alvos foram presos. Além disso, os policiais apreenderam documentos que comprovam os crimes, celulares e outros elementos que serão utilizados como provas nas próximas fases da investigação.

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De acordo com a polícia, a investigação começou após a vítima registrar ocorrência na 3ª Delegacia de Canoas. Ela relatou que havia perdido em uma plataforma de apostas o dinheiro arrecado com amigos para a confecção de camisetas comemorativas.

Desesperada para ressarcir os amigos, a vítima buscou um agiota. Sem conseguir honrar os juros abusivos, procurou outros. Os investigadores apuraram que ela chegou a contrair dívidas simultâneas com, pelo menos, 14 agiotas diferentes.

“A vítima entrou em um efeito cascata incontrolável. A cada novo empréstimo para cobrir o anterior, o valor total e o nível de ameaças aumentavam”, afirma a delegada Luciane Bertoletti, titular da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas.

Com a dívida impagável, a vítima deixou o Rio Grande do Sul. Porém, os agiotas começaram a ameaçar a mãe, a irmã e o cunhado da vítima. Eles chegaram a realizar pagamentos e procuraram a polícia.

“Esse caso expõe uma chaga social que cresce silenciosamente nas cidades brasileiras: a combinação explosiva entre o vício em jogos de azar online e o crédito predatório da agiotagem, que transforma cidadãos comuns em reféns de um ciclo de endividamento, extorsão e desestruturação familiar. A operação trata justamente de enfrentar essa nova face do crime organizado e mostra que a agiotagem não é um crime menor — é a engrenagem de um sistema de extorsão que destrói vidas, esfacela famílias e exige uma resposta firme do Estado”, afirma o delegado Cristiano Reschke, diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM).

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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