Previsões para o El Niño em 2026 causam espanto e fenômeno pode atingir nível nunca visto na história, segundo meteorologista da MetSul

Meteorologista da MetSul alerta que o El Niño 2026 pode atingir intensidade sem precedentes nas medições modernas.

As novas projeções para o El Niño 2026 deixaram meteorologistas em estado de alerta. Segundo o meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul Meteorologia, os modelos climáticos mais recentes apontam para um cenário que pode superar todos os registros conhecidos desde o início das medições da temperatura do Oceano Pacífico, ainda no século XIX.

De acordo com o especialista, as atualizações divulgadas nesta semana mostram um fortalecimento ainda maior do fenômeno, aumentando a possibilidade de um episódio considerado histórico pela comunidade científica.

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Meteorologista da MetSul vê cenário preocupante

Na avaliação de Luiz Nachtigall, da MetSul, as projeções mais recentes surpreenderam meteorologistas de diversos países porque indicam uma intensidade nunca observada nem mesmo durante grandes eventos registrados em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.

Segundo ele, os dados atualizados mostram um aquecimento ainda mais intenso do Oceano Pacífico Equatorial, elevando a possibilidade de um fenômeno sem precedentes nas observações modernas.

Modelo europeu chama atenção

O meteorologista destaca que o modelo sazonal do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) voltou a indicar um cenário extremamente intenso para o fim de 2026.

As simulações apontam para uma anomalia próxima de 3,9°C na região conhecida como Niño 3.4 durante dezembro, período em que o El Niño poderá atingir seu pico.

Segundo Nachtigall, essa projeção supera em aproximadamente 1,1°C o recorde registrado durante o forte El Niño de 2015-2016. Na avaliação do especialista, uma diferença dessa magnitude representa uma quantidade extraordinária de calor armazenada no Pacífico tropical, com potencial para provocar alterações importantes na circulação atmosférica global.

Aquecimento já impressiona em julho

Mesmo antes do pico previsto para o fim do ano, o El Niño já apresenta características consideradas incomuns.

Segundo o meteorologista da MetSul, a região Niño 3.4 registra atualmente temperatura cerca de 1,95°C acima da média, valor muito próximo do limite tradicionalmente associado aos chamados eventos de Super El Niño.

Para o especialista, trata-se de uma intensidade excepcional para esta época do ano, principalmente porque o aquecimento ainda deverá continuar aumentando nos próximos meses.

Além disso, as rodadas mais recentes do ECMWF elevaram em cerca de 0,3°C as projeções divulgadas em junho, reforçando a tendência de fortalecimento do fenômeno.

Outros modelos também indicam evento extremo

O cenário não aparece apenas nas projeções europeias.

Segundo Luiz Nachtigall, modelos como o NOAA FV3 SFSv1.1 Beta, o CFSv2 e o Météo-France S9 também convergem para um episódio de intensidade excepcional durante o último trimestre de 2026.

Embora existam diferenças sobre o mês exato em que ocorrerá o pico — dezembro para o ECMWF e novembro para o CFSv2 —, todos apontam para um El Niño extremamente intenso.

Aquecimento global reforça projeções

Na avaliação do meteorologista da MetSul, o aquecimento global dos oceanos contribui para favorecer eventos mais intensos.

Segundo ele, mesmo quando são utilizados índices que reduzem a influência do aquecimento global, como o Relative Oceanic Niño Index (RONI), o fenômeno continua aparecendo como potencialmente histórico.

Caso as projeções sejam confirmadas, Nachtigall afirma que o El Niño de 2026 poderá alterar significativamente os padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.

O que pode acontecer

Historicamente, episódios muito fortes de El Niño costumam provocar mudanças importantes na distribuição das chuvas ao redor do mundo.

No Sul do Brasil, por exemplo, esses eventos normalmente aumentam o risco de temporais, enchentes e cheias dos rios, enquanto outras regiões podem enfrentar períodos prolongados de seca e ondas de calor.

Segundo o meteorologista da MetSul, as próximas atualizações dos modelos serão decisivas para confirmar se o Oceano Pacífico realmente caminha para registrar o El Niño mais intenso desde o início das medições modernas. Ainda assim, ele ressalta que já existe uma forte indicação de que o fenômeno será histórico e de intensidade muito elevada.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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