El Niño explica os temporais no RS? Climatempo revela o que realmente vai provocar a chuva excessiva

Entenda se o El Niño é o responsável pelos temporais no Rio Grande do Sul e veja o que diz o Climatempo sobre a sequência de chuva,

Os temporais que começam a atingir o Rio Grande do Sul nesta quinta-feira (16) levantaram uma dúvida entre muitos moradores: o El Niño já é o responsável pela sequência de chuva intensa, ventos fortes e possibilidade de granizo?

Com a previsão indicando vários dias consecutivos de instabilidade, muita gente passou a relacionar automaticamente o fenômeno climático às tempestades. Mas será que essa associação está correta?

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Segundo o Climatempo, embora o El Niño já esteja influenciando o padrão de chuvas no Sul do Brasil, ele não é o principal responsável pelos temporais previstos para os próximos dias. A condição de tempo severo será provocada pela combinação de diversos sistemas atmosféricos atuando ao mesmo tempo sobre o Rio Grande do Sul.

O El Niño já está influenciando o tempo?

Sim, mas de forma indireta.

O fenômeno, que corresponde ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, costuma favorecer um aumento das chuvas na Região Sul durante sua atuação.

Entretanto, os meteorologistas explicam que o episódio desta semana depende principalmente da atuação simultânea de outros sistemas meteorológicos muito mais imediatos.

Entre eles estão:

  • uma frente fria de deslocamento lento;
  • uma área de baixa pressão atmosférica;
  • o transporte intenso de calor e umidade;
  • um bloqueio atmosférico sobre o Brasil Central;
  • o Jato de Baixos Níveis, responsável por transportar umidade da Amazônia.

É justamente essa combinação que cria um ambiente altamente favorável para tempestades severas.

O que realmente vai provocar os temporais?

De acordo com o Climatempo, uma frente fria ficará praticamente estacionada sobre o Sul do Brasil.

Ao mesmo tempo, uma área de baixa pressão aumentará a instabilidade da atmosfera, enquanto o chamado Jato de Baixos Níveis continuará levando ar quente e úmido da Amazônia para o Rio Grande do Sul.

Antes da chegada da frente fria, as temperaturas permanecem elevadas em boa parte do Estado.

Esse encontro entre o ar quente e úmido com o ar frio cria condições ideais para:

  • temporais;
  • granizo;
  • grande quantidade de raios;
  • rajadas de vento entre 70 km/h e 90 km/h, podendo superar esse valor em pontos isolados.

Por que a chuva pode durar vários dias?

Outro fator importante é o chamado bloqueio atmosférico.

Esse bloqueio impede que a frente fria avance rapidamente pelo Brasil, fazendo com que ela permaneça praticamente sobre o Rio Grande do Sul durante vários dias.

Na prática, isso significa que novas áreas de chuva poderão se formar diariamente até o começo da próxima semana.

Quais regiões devem ser mais afetadas?

Nesta quinta-feira (16), os primeiros temporais devem atingir principalmente:

  • Oeste do Rio Grande do Sul;
  • Campanha;
  • Região Central.

Municípios como Uruguaiana, Alegrete, Santana do Livramento e Santa Maria aparecem entre os locais com maior risco para chuva intensa.

Já na metade Norte do Estado, incluindo Serra e regiões próximas de Santa Catarina, o tempo permanece mais quente durante boa parte do dia, mas com possibilidade de rajadas de vento antes da chegada da chuva.

Sexta-feira terá risco ainda maior

Segundo o Climatempo, a situação deve se intensificar na sexta-feira (17).

As tempestades poderão atingir praticamente todo o Estado, principalmente:

  • Campanha;
  • Região Central;
  • Zona Sul;
  • Missões;
  • Vales;
  • Região Metropolitana de Porto Alegre.

Há previsão de:

  • chuva intensa;
  • granizo;
  • ventos entre 70 km/h e 90 km/h;
  • queda de árvores;
  • interrupções no fornecimento de energia.

Os meteorologistas também não descartam fenômenos severos localizados, como microexplosões atmosféricas e até tornados, embora esses eventos sejam extremamente pontuais e difíceis de prever com antecedência.

Chuva pode ultrapassar 100 milímetros

Entre sábado (18) e domingo (19), a frente fria continuará avançando lentamente.

Em algumas regiões do Oeste e do Centro do Estado, os acumulados poderão superar 100 milímetros em poucos dias.

Além das tempestades, cresce o risco para:

  • alagamentos;
  • elevação do nível dos rios;
  • transbordamento de córregos;
  • deslizamentos em áreas vulneráveis.

Afinal, o El Niño é o culpado?

A resposta é parcialmente.

O El Niño já favorece um padrão mais chuvoso na Região Sul, mas os temporais desta semana são resultado principalmente da atuação conjunta de uma frente fria, baixa pressão, transporte intenso de umidade e bloqueio atmosférico.

Segundo o Climatempo, o fenômeno climático contribui para criar um ambiente favorável às chuvas, mas não explica sozinho o episódio de tempo severo que deve atingir o Rio Grande do Sul ao longo dos próximos dias.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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