Por que está chovendo tanto no Rio Grande do Sul? Essa é a pergunta feita por milhares de gaúchos desde a última sexta-feira (17), quando uma sequência de temporais passou a atingir diversas regiões do Estado. Desde então, o Rio Grande do Sul permanece sob sucessivos alertas meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), incluindo um alerta vermelho de grande perigo para acumulado de chuva nesta terça-feira (21).
Segundo meteorologistas, a explicação não está em apenas um fenômeno, mas na combinação de diversos sistemas atmosféricos que atuam ao mesmo tempo sobre o Sul do Brasil. Frentes frias, grande disponibilidade de umidade, um intenso Jato de Baixos Níveis (JBN) e a influência do forte El Niño de 2026/2027 criaram um ambiente extremamente favorável para chuva persistente e temporais.
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Frente fria ficou praticamente parada sobre o Estado
Um dos principais fatores responsáveis pela instabilidade é uma frente fria que avançou sobre o Rio Grande do Sul, mas perdeu velocidade e permaneceu atuando por vários dias.
Quando isso acontece, as áreas de chuva continuam se formando praticamente sobre as mesmas regiões, aumentando os volumes acumulados e elevando o risco de alagamentos, cheias de rios e transtornos urbanos.
O que é o Jato de Baixos Níveis?
Outro protagonista deste episódio é o chamado Jato de Baixos Níveis (JBN).
Trata-se de um corredor de ventos intensos que transporta grandes quantidades de calor e umidade da Amazônia para o Centro-Sul do Brasil. Esse fluxo funciona como uma verdadeira “esteira” de vapor d’água, alimentando continuamente as áreas de instabilidade que atuam sobre o Rio Grande do Sul.
Quanto mais umidade chega ao Estado, maior é o potencial para chuva intensa, granizo, rajadas de vento e temporais.
El Niño também favorece períodos mais chuvosos
Embora o El Niño não seja o responsável direto por cada temporal, ele ajuda a criar um cenário favorável para episódios prolongados de chuva no Sul do Brasil.
O Instituto Nacional de Meteorologia já havia informado na semana passada que o fenômeno começou a influenciar de forma mais significativa o comportamento das chuvas na Região Sul, aumentando a frequência e a intensidade das áreas de instabilidade.
A MetSul Meteorologia também destaca que o atual El Niño apresenta intensidade muito elevada para esta época do ano e tende a favorecer eventos extremos de chuva ao longo do segundo semestre de 2026.
Por que os alertas aumentaram nesta semana?
Além da permanência da frente fria, os modelos meteorológicos passaram a indicar acumulados muito elevados entre segunda-feira (20) e terça-feira (21).
Por isso, o Inmet mantém avisos de tempestade para grande parte do Rio Grande do Sul e emitiu um alerta vermelho de grande perigo para acumulado de chuva, indicando possibilidade de precipitações superiores a 100 milímetros em apenas 24 horas, além de risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de terra em áreas vulneráveis.
Quando a chuva deve diminuir?
De acordo com as previsões mais recentes, o período mais crítico deve ocorrer entre esta segunda-feira (20) e terça-feira (21).
A tendência é que, a partir de quarta-feira (22), a frente fria comece a perder força e avance para outras regiões do país. Ainda poderão ocorrer pancadas isoladas de chuva em algumas áreas do Estado, mas a expectativa é de uma melhora gradual das condições do tempo.
Se as projeções atuais forem confirmadas, o tempo deverá ficar mais estável entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24), quando a maior parte do Rio Grande do Sul volta a registrar períodos de tempo firme e redução

