A volta aos rios de um pequeno mamífero está chamando atenção de moradores e especialistas após décadas de ausência. O retorno aconteceu graças a um projeto ambiental que devolveu quase 200 animais à natureza, reacendendo a esperança de recuperação de um ecossistema que havia perdido uma de suas espécies mais importantes.
O reaparecimento emocionou biólogos porque o animal era considerado regionalmente extinto desde os anos 1990. Agora, os primeiros sinais indicam que ele voltou a ocupar margens de rios, lagoas e áreas úmidas, onde desempenha um papel importante no equilíbrio ambiental.
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Somente após anos de preparação do habitat foi possível iniciar a reintrodução. Ao todo, 198 indivíduos foram soltos em duas etapas entre 2022 e 2023, em uma área localizada na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra.
O animal responsável por essa volta aos rios é o rato-d’água-europeu (Arvicola amphibius), um pequeno mamífero semiaquático que desapareceu da região após sofrer com a destruição do habitat e a presença de espécies invasoras.
Por que o rato-d’água desapareceu?
Durante décadas, áreas úmidas foram drenadas, a vegetação das margens diminuiu e a expansão da agricultura reduziu os locais onde a espécie vivia.
Outro fator decisivo foi a chegada do vison-americano, um predador introduzido no Reino Unido capaz de invadir facilmente as tocas do rato-d’água.
Entre os principais motivos para o desaparecimento estão:
- perda da vegetação nas margens dos rios;
- drenagem de áreas úmidas;
- agricultura intensiva;
- degradação causada pelo gado;
- presença do vison-americano.
Como foi preparada a volta aos rios?

Antes da soltura, especialistas passaram anos recuperando o ambiente.
Foram restauradas lagoas, reorganizada a vegetação das margens e criado um sistema permanente de monitoramento para evitar que predadores voltassem a comprometer a população.
Também houve redução no uso de pesticidas e herbicidas, favorecendo o retorno da fauna e da flora locais.
Qual a importância dessa volta aos rios?
O rato-d’água é considerado um verdadeiro “engenheiro” do ecossistema.
Ao construir tocas, consumir plantas e movimentar o solo, ele ajuda a manter o equilíbrio ambiental e beneficia diversas outras espécies.
Além disso, serve de alimento para:
- corujas;
- garças;
- raposas;
- lontras;
- peixes de maior porte.
Por isso, seu retorno representa muito mais do que a recuperação de uma única espécie.
O trabalho ainda não terminou
Embora os primeiros resultados sejam considerados positivos, os especialistas alertam que ainda será necessário monitorar a reprodução dos animais durante vários anos.
O controle do vison-americano e a preservação das áreas úmidas continuam sendo fundamentais para garantir que essa volta aos rios resulte em uma população estável e permanente.

