Região mais seca do mundo é surpreendida com chuva de quatro anos em apenas quatro dias e causa mais de 10 mortes

A chuva no Chile impressionou meteorologistas após uma das regiões mais secas do planeta registrar uma chuva extrema em poucos dias.

A chuva no Chile chamou a atenção de meteorologistas do mundo inteiro após um fenômeno considerado extremamente raro atingir o Deserto do Atacama. Em apenas quatro dias, áreas da região receberam um volume de água equivalente ao que normalmente chove em cerca de quatro anos, provocando enchentes, destruição de estradas, centenas de famílias afetadas e deixando autoridades em estado de alerta.

O episódio ocorreu principalmente nas regiões chilenas de Atacama e Coquimbo, onde os acumulados chegaram a aproximadamente 250 milímetros em menos de uma semana. Para uma área conhecida como a mais seca do planeta fora das regiões polares, a quantidade de chuva foi suficiente para transformar rios secos em grandes correntezas e causar prejuízos milionários.

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Meteorologistas ficaram impressionados com a chuva no Chile

Especialistas classificaram o evento de chuva extrema no Chile como completamente fora do padrão climático da região.

O meteorologista chileno Jaime Leyton resumiu a dimensão do fenômeno ao afirmar que “choveu em quatro dias mais do que em quatro anos”, destacando que o volume registrado foge completamente da climatologia histórica do norte chileno.

Segundo especialistas, trata-se de um dos episódios de precipitação mais intensos já observados na região desde o início dos registros meteorológicos modernos.

Por que quase nunca chove no Deserto do Atacama?

O Deserto do Atacama é considerado o lugar não polar mais seco do planeta.

Em algumas áreas, a média anual de precipitação é inferior a 1 milímetro. Existem locais onde podem passar décadas — e até séculos — sem uma chuva significativa.

Essa característica acontece por causa da combinação de três fatores naturais:

  • a Corrente de Humboldt, que leva águas frias pelo Oceano Pacífico;
  • a Cordilheira dos Andes, que impede a chegada da umidade vinda da Amazônia;
  • a atuação constante da alta pressão subtropical do Pacífico Sul, dificultando a formação de nuvens carregadas.

Quando esse equilíbrio é rompido, os efeitos costumam ser extremos.

Como quatro dias de chuva provocaram enchentes históricas

O solo extremamente seco do Atacama praticamente não consegue absorver grandes volumes de água em pouco tempo.

Por isso, a chuva intensa rapidamente provocou:

  • enchentes;
  • enxurradas;
  • transbordamento de rios temporários;
  • destruição de pontes;
  • rompimento de estradas;
  • interrupção no abastecimento de água;
  • danos à infraestrutura urbana.

Diversas cidades ficaram isoladas após as fortes correntezas destruírem acessos rodoviários.

Governo decretou estado de catástrofe

Diante da gravidade da situação, o governo chileno decretou Estado de Exceção Constitucional de Catástrofe em parte das regiões atingidas.

A medida permitiu mobilizar as Forças Armadas, ampliar as equipes de resgate e liberar recursos emergenciais para atendimento da população.

Segundo o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred), o desastre deixou:

  • 13 mortos;
  • 4 desaparecidos;
  • mais de 3.400 pessoas diretamente afetadas;
  • cerca de 63 mil moradores isolados;
  • aproximadamente 20 mil imóveis com algum tipo de dano.

Os prejuízos econômicos já ultrapassam US$ 400 milhões.

Especialistas alertam que o fenômeno foi extremamente raro

Embora o norte chileno já tenha registrado episódios isolados de chuva forte, especialistas afirmam que a magnitude deste evento está entre as maiores já observadas na região.

Mesmo com a diminuição das precipitações nos últimos dias, rios continuam acima do nível normal, encostas seguem instáveis e diversas rodovias permanecem interditadas.

Meteorologistas destacam que a combinação entre um volume tão elevado de chuva e uma das regiões mais áridas do planeta transformou o episódio em um evento climático histórico, cuja recuperação deverá levar meses.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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