Imóveis e terrenos abandonados poderão ser tomados de donos com esta nova regra

Medida prevê que propriedades sem uso e sem manutenção possam receber novas funções, incluindo projetos de moradia popular.

Proprietários de imóveis abandonados poderão perder a posse de casas, prédios e terrenos que permanecem sem manutenção e sem utilização. Uma nova regra permite que a prefeitura assuma essas propriedades após um processo administrativo e dê uma nova finalidade aos espaços.

A medida não prevê a retirada imediata dos donos. Antes de qualquer mudança, o município deverá comprovar o abandono, localizar o proprietário, enviar uma notificação e garantir prazo para apresentação de defesa.

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O objetivo é recuperar áreas degradadas e transformar locais que hoje acumulam problemas como lixo, mato alto e estruturas deterioradas em espaços com novas funções.

A iniciativa foi criada pela Prefeitura de Vitória, no Espírito Santo, dentro do Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC), voltado para recuperar regiões históricas e estimular novos usos para imóveis sem aproveitamento.

Como funciona a tomada de imóveis abandonados

O processo poderá começar quando a fiscalização identificar sinais de abandono em uma propriedade.

Entre os fatores analisados pela prefeitura estão:

  • falta de manutenção;
  • presença de lixo e entulho;
  • mato alto;
  • danos estruturais;
  • portas ou janelas quebradas;
  • ausência de uso do imóvel;
  • falta de interesse do proprietário em recuperar o local.

A prefeitura também poderá avaliar se outra pessoa ocupa a propriedade e se o dono demonstra intenção de conservar ou utilizar o espaço.

Proprietário terá direito de defesa

O imóvel não será transferido automaticamente ao poder público.

Após identificar uma possível situação de abandono, a prefeitura deverá notificar o proprietário cadastrado. O responsável terá 30 dias para apresentar documentos, contestar a decisão ou mostrar que pretende recuperar a propriedade.

Caso o dono não seja localizado, a administração poderá realizar uma notificação pública por meio de edital.

Somente depois da análise de todas as etapas o município poderá reconhecer oficialmente o abandono.

Dívidas de IPTU podem pesar na análise

O histórico de impostos também poderá ser considerado no processo.

O acúmulo de IPTU sem pagamento por cinco anos poderá ser um indicativo de abandono, mas a dívida, sozinha, não será suficiente para que a prefeitura assuma o imóvel.

A administração deverá reunir outros elementos que comprovem que o proprietário deixou de cuidar da propriedade.

Imóveis poderão virar casas populares

Após a arrecadação provisória, os imóveis poderão receber novas funções dentro do programa de recuperação urbana.

Uma das possibilidades é transformar prédios e terrenos em projetos de Habitação de Interesse Social, destinados a famílias de menor renda.

Além das moradias populares, os espaços também poderão receber comércio, serviços públicos, empresas ou outros empreendimentos.

A definição dependerá das características de cada propriedade, como localização, tamanho e condições da estrutura.

Imóvel fechado não será tomado automaticamente

Ter uma casa ou terreno fechado não significa que o proprietário perderá o patrimônio.

Um imóvel vazio, mas conservado, protegido e com suas obrigações em dia não se enquadra automaticamente na regra.

O foco da medida são propriedades que permanecem abandonadas, causando impactos urbanos, problemas de segurança ou deterioração da região.

Dono ainda poderá recuperar a propriedade

Mesmo após a prefeitura assumir provisoriamente a posse, o proprietário ainda terá prazo para tentar recuperar o imóvel.

Para isso, deverá demonstrar interesse em conservar ou utilizar o espaço, além de quitar eventuais dívidas e ressarcir valores gastos pelo município com melhorias.

Caso nenhuma providência seja tomada dentro do prazo previsto, a propriedade poderá ser incorporada definitivamente ao patrimônio municipal.

Programa prevê milhares de novas moradias

A Prefeitura de Vitória estima que o programa poderá viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas unidades habitacionais na região central.

A proposta busca aproveitar áreas que já possuem infraestrutura, como transporte, comércio, escolas e serviços públicos, mas que perderam moradores ao longo dos anos.

Com a recuperação dos imóveis abandonados, o município pretende estimular a ocupação do centro e dar uma nova função a espaços atualmente degradados.

Regra vale inicialmente para região específica

A medida não será aplicada automaticamente em todos os bairros da cidade.

Inicialmente, as regras abrangem a chamada Zona Especial de Interesse Urbanístico 1 (ZEIU 1), que inclui áreas do Centro Histórico e outros pontos da região central de Vitória.

Cada imóvel deverá passar por uma análise individual, com fiscalização, comprovação de abandono e respeito ao direito de defesa.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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