“A nossa luta hoje aqui é por justiça”, diz irmã de enfermeira morta em Canoas; Suspeito do crime é o marido da vítima

A enfermeira foi morta na casa em que vivia em Canoas

Foi realizada na tarde desta segunda-feira (17) uma audiência de instrução no Fórum de Canoas relacionada a morte da enfermeira Patrícia Rosa dos Santos (saiba mais sobre o crime abaixo).

De acordo com informações apuradas pela reportagem da Agência GBC, foram escutadas testemunhas de defesa e o réu, André Lorscheitter Baptista, marido da vítima.

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Amigos e familiares se mobilizaram an frente do Fórum para pedir justiça.

“A nossa luta aqui hoje é por Justiça. A minha irmã foi vítima de feminicídio e ele tem que pagar por isso, por esse feito de ter ceifado a vida dela cheia de vida. Ter tirado uma irmã, uma mãe para o meu sobrinho, uma filha maravilhosa para os meus pais. Meu pedido hoje é isso”, comenta Priscila Rosa dos Santos, irmã mais velha da vítima.

O crime aconteceu em 2024. Conforme a irmã, até hoje, a dor não passou.

“Dia 22 de outubro agora vai fazer dois anos que ele premeditou e que ele consolidou esse crime bárbaro. Minha irmã foi brutalmente assassinada e hoje a gente clama por justiça e assim será até ele ser julgado”, pontua.

Audiência do caso de enfermeira morta pelo marido em Canoas: o que diz a defesa?

Em nota, o advogado Jader Marques, que defende o médico André Lorscheitter Baptista, informou que pediu nesta segunda-feira (17) a revogação da prisão preventiva. Ele destaca que houve uma mudança importante no quadro do processo (leia nota abaixo).

O crime

O crime aconteceu no dia 22 de outubro. De acordo com a Polícia Civil, o homem teria ligado para a família da vítima, que era enfermeira, e comunicou que ela estava morta. Imediatamente, os familiares foram até o apartamento em que o casal vivia. Ao chegarem no local, o suspeito já tinha um atestado de óbito, assinado por um outro médico, informando que a causa da morte teria sido um infarto agudo do miocárdio. 

Ainda, conforme a polícia, a família não teria acreditado e acionou a polícia exigindo uma autópsia

“A família desconfiou de um atestado médico que ele mesmo conseguiu de outro médico do SAMU. Então, uma vez atestado esse óbito por parada cardiorrespiratória, a família não concordou porque a vítima tinha 41 anos, não tinha comorbidades, não tinha nenhuma doença pré-existente, não tinha nenhum histórico de cardiopatia, nada disso. Eles procuraram a Delegacia de Homicídios comentando que o comportamento do marido dela estava muito estranho e acreditavam que ele tinha matado e envenenado a enfermeira”, afirma o delegado Arthur Hermes Reguse, titular da DHPP Canoas. 

Próximo ao corpo, ainda de acordo com a polícia, os agentes encontraram um pote de sorvete. O material foi submetido a perícia. Peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) encontraram zolpidem misturado no alimento. O preso teria utilizado o medicamento para dopar a vítima. 

Além disso, Reguse destaca que o local do crime onde o médico matou a esposa em Canoas, chamou a atenção dos policiais.

“O corpo havia sido movido do local. Havia um pote de sorvetes que ele alegava que ela tinha consumido, mas não estava junto ao corpo. O telefone celular dela, ele disse que não sabia onde estava. Enfim, vários detalhes que chamaram a atenção dos policiais. Inclusive, a questão da mochila dele chamou a atenção. Ele tinha retirado minutos antes, conforme verificamos nas câmeras de monitoramento.”

Nota da defesa na íntegra

“A defesa pediu hoje a revogação da prisão preventiva diante de uma mudança importante no quadro do processo.

A extração dos celulares trouxe novos elementos, considerados relevantes pelo próprio Juízo, que decidiu reabrir a instrução no dia 14 de agosto.

Essa perícia havia sido autorizada em dezembro de 2024, mas o material só chegou à defesa em julho deste ano, cerca de vinte meses depois. São mais de 400 mil páginas de dados. E foi justamente o conteúdo desse material que levou à reabertura da instrução, com onze atos ainda a serem realizados.

Mas há algo ainda mais importante.

O conteúdo dos celulares muda a perspectiva sobre a dinâmica dos fatos. As mensagens mostram um casal vivendo um bom momento, cuidando do filho e fazendo planos para o futuro. Mostram também que Patrícia enfrentava dificuldades profissionais, ansiedade e problemas para dormir, e que buscava medicamentos nesse contexto.

Além disso, existe uma questão técnica fundamental que continua sem resposta.

Não foi realizado exame capaz de determinar as quantidades de zolpidem e midazolam presentes no organismo de Patrícia. Sem saber essas concentrações, a defesa entende que não é possível estabelecer com segurança qual foi o papel desses medicamentos na causa da morte.

A hipótese que agora precisa ser investigada é a possibilidade de Patrícia ter sofrido um efeito paradoxal do zolpidem e, nesse estado, ter administrado em si própria o midazolam.

Não estamos apresentando isso como uma conclusão. Estamos dizendo que existe uma hipótese concreta que precisa ser examinada tecnicamente e confrontada com as novas provas.

Enquanto tudo isso ainda precisa ser esclarecido, o acusado permanece preso preventivamente há mais de 21 meses. Não exerce a medicina, não tem acesso profissional a medicamentos, não detém a guarda do filho e não apresentou qualquer intercorrência durante todo esse período.

O processo mudou. A prova mudou. A própria instrução foi reaberta.

Por isso, a defesa entende que também é necessário reexaminar a necessidade da prisão preventiva e pediu sua revogação, admitindo, se o Juízo considerar necessário, a aplicação de outras medidas cautelares, inclusive monitoração eletrônica.”

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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