O Bolsa Família poderá passar por mudanças caso Romeu Zema, do partido Novo, seja eleito presidente da República. Em uma proposta apresentada durante a campanha, o candidato defende que beneficiários considerados aptos ao trabalho sejam obrigados a aceitar oportunidades formais de emprego, sob possibilidade de suspensão do benefício.
A medida faria parte de uma reformulação dos programas sociais a partir de 2027. Zema afirma que pretende manter o Bolsa Família, mas com regras mais rígidas para pessoas que tenham condições de trabalhar.
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O que Zema quer mudar no Bolsa Família?
A proposta apresentada pelo candidato prevê uma espécie de porta de saída dos programas sociais, com o objetivo declarado de conectar beneficiários a oportunidades de capacitação e trabalho.
Segundo o plano de governo, pessoas aptas ao mercado de trabalho teriam que comprovar que estão procurando emprego, estudando ou participando de algum tipo de qualificação profissional.
A proposta também prevê a possibilidade de suspensão do Bolsa Família quando o beneficiário recusar uma oferta de emprego formal sem apresentar uma justificativa considerada válida.
A medida, porém, não está em vigor. Trata-se de uma proposta vinculada ao programa de governo de Zema para uma eventual gestão iniciada em 2027.
Quem poderia continuar recebendo o benefício?
Zema afirma que o Bolsa Família seria mantido, mas com um público considerado prioritário.
A proposta menciona idosos, pessoas que tenham alguém sob seus cuidados e pessoas com deficiência que não consigam ingressar no mercado de trabalho.
Para os demais beneficiários considerados aptos ao trabalho, a ideia seria estabelecer mecanismos que aproximassem o recebimento do benefício da busca por emprego, estudo ou qualificação.
Assim, a intenção apresentada pelo candidato não é simplesmente acabar com o programa, mas modificar os critérios de permanência de parte dos beneficiários.
Beneficiário que recusar emprego poderá perder o Bolsa Família?
De acordo com o documento apresentado por Zema, sim, essa é uma das possibilidades previstas na proposta.
A permanência no Bolsa Família seria condicionada à comprovação de que a pessoa está buscando alternativas para ingressar ou permanecer no mercado de trabalho.
Uma oferta formal de emprego recusada sem justificativa poderia, segundo a proposta, levar à suspensão do benefício.
O texto, entretanto, não representa uma regra atualmente aplicada pelo governo federal. Para que uma mudança desse tipo entrasse efetivamente em vigor, seria necessário que a proposta fosse implementada pelo governo e observasse as normas legais aplicáveis ao programa.
O que são as Casas da Cidadania?
Outra medida apresentada no plano de governo é a criação das chamadas Casas da Cidadania.
A proposta prevê que esses espaços ofereçam atendimento individualizado para famílias em situação de vulnerabilidade, reunindo diferentes serviços.
Entre as possibilidades citadas estão:
- Capacitação profissional;
- Acesso a oportunidades de emprego;
- Apoio relacionado à moradia;
- Orientação e acesso a outros serviços;
- Acompanhamento individualizado das famílias.
A ideia seria utilizar essa estrutura para ajudar beneficiários a encontrar caminhos para deixar gradualmente a dependência dos programas de transferência de renda.
Por que Zema quer mudar as regras?
O candidato apresentou a proposta enquanto criticava o atual modelo de programas sociais.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zema questionou situações envolvendo pessoas em situação de rua e afirmou que recursos de programas de assistência poderiam estar sendo utilizados de maneira inadequada.
Ao lado da vereadora de Curitiba Indiara Barbosa, também do Novo, o candidato defendeu uma mudança no direcionamento dos programas sociais.
A proposta apresentada parte da ideia de que pessoas com condições de trabalhar deveriam receber incentivos e apoio para entrar no mercado de trabalho, enquanto o benefício seria preservado para quem realmente não consegue exercer atividade profissional.
A proposta já vale para quem recebe o Bolsa Família?
Não.
As regras apresentadas por Zema fazem parte de uma proposta para uma eventual gestão presidencial a partir de 2027. Portanto, não existe atualmente uma determinação nacional que suspenda automaticamente o Bolsa Família de quem recusar uma oferta de emprego com base nessa proposta.
O programa continua seguindo as regras estabelecidas pelo governo federal enquanto eventuais mudanças não forem aprovadas e implementadas pelos mecanismos legais correspondentes.
Por isso, beneficiários do Bolsa Família não devem interpretar a proposta eleitoral como uma nova regra já em vigor. A eventual suspensão por recusa de emprego dependeria da aprovação e regulamentação das mudanças defendidas pelo candidato.

