Entregadores e motoristas podem usar renda de aplicativo para financiar a casa própria com nova regra da Caixa

A Caixa passou a reconhecer a renda de motoristas e entregadores de aplicativo como formal na análise de crédito para financiamento.

A Caixa Econômica Federal mudou a forma como analisa a renda de profissionais que trabalham com aplicativos de mobilidade e delivery. O banco passou a considerar como formal os valores recebidos por esses trabalhadores, o que pode facilitar o acesso ao crédito imobiliário e ao financiamento da casa própria, inclusive dentro do Minha Casa, Minha Vida.

A alteração anunciada pela instituição modifica uma etapa importante da análise de crédito. Embora motoristas e entregadores já pudessem apresentar seus ganhos para contratar serviços financeiros, a nova classificação permite que a renda seja avaliada de maneira diferente pela instituição.

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Segundo a Caixa, os valores poderão ser comprovados por meio dos extratos de recebimentos fornecidos diretamente pelas plataformas digitais. Antes da mudança, esses rendimentos eram tratados como renda informal.

A instituição informou que os ganhos de trabalhadores de aplicativos de mobilidade e delivery podem ser considerados na avaliação de crédito, inclusive para determinar limites de financiamentos habitacionais.

No caso do Minha Casa, Minha Vida, porém, o reconhecimento da renda não significa aprovação automática. O interessado ainda precisa atender às regras vigentes do programa e aos critérios utilizados na análise do financiamento.

Nova regra da Caixa muda forma de comprovar renda

A principal alteração está na maneira como os rendimentos são enquadrados durante a avaliação.

Motoristas e entregadores que recebem por meio de aplicativos poderão apresentar os próprios registros de pagamentos emitidos pelas plataformas. Dessa forma, a Caixa passa a ter uma documentação específica para verificar quanto o trabalhador efetivamente recebe.

A medida alcança profissionais que atuam em plataformas de mobilidade e entrega de alimentos e outros produtos.

Segundo o banco, a mudança busca permitir uma avaliação mais adequada da capacidade financeira desse público e oferecer produtos compatíveis com o perfil dos clientes.

Minha Casa, Minha Vida também pode ser alcançado

A nova forma de comprovação pode ser utilizada em operações de financiamento habitacional, inclusive nas modalidades vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida.

O enquadramento, entretanto, continua dependendo dos requisitos estabelecidos para cada faixa de renda e das demais condições do programa.

Atualmente, as faixas informadas pela Caixa são:

FaixaRenda familiar mensalValor máximo do imóvel
Faixa 1Até R$ 3.200Até R$ 275 mil
Faixa 2De R$ 3.200,01 a R$ 5 milAté R$ 275 mil
Faixa 3De R$ 5.000,01 a R$ 9.600Até R$ 400 mil
Classe MédiaAté R$ 13 milAté R$ 600 mil

Fonte: Caixa Econômica Federal

Portanto, o reconhecimento da renda dos trabalhadores de aplicativos representa uma mudança na documentação utilizada, mas não elimina as demais exigências para conseguir o financiamento.

Comprovar renda não garante aprovação do financiamento

A Caixa destaca que a comprovação dos recebimentos é somente uma parte do processo de concessão de crédito.

O banco também verifica se os valores apresentados são consistentes, recorrentes e suficientes para sustentar o pagamento da operação solicitada.

Além da renda, são considerados aspectos relacionados ao cadastro do cliente, à capacidade de pagamento e às condições específicas do produto escolhido.

Por isso, apresentar os extratos das plataformas não significa que o financiamento será aprovado automaticamente.

A instituição continua submetendo cada pedido à análise de crédito e às demais exigências aplicáveis à modalidade solicitada.

Mudança acompanha crescimento dos trabalhadores de aplicativo

Para Paulo Antônio Kucher, vice-presidente comercial da Lyx Participações e Empreendimentos, a alteração pode alcançar um grupo que cresceu significativamente nos últimos anos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de trabalhadores por aplicativos aumentou 25,4% entre 2022 e 2024.

Na avaliação do executivo, parte desses profissionais já possui capacidade financeira para assumir um financiamento, mas encontrava obstáculos para demonstrar seus ganhos utilizando os modelos tradicionais de comprovação de renda.

Kucher também afirma que a mudança acompanha uma transformação no perfil de quem procura imóveis, com a presença cada vez maior de profissionais ligados à chamada economia digital.

Como motoristas e entregadores podem comprovar a renda?

A Caixa estabeleceu critérios específicos para os documentos apresentados pelos trabalhadores de aplicativos.

Extratos de recebimentos

A renda deve ser comprovada por meio dos extratos dos valores recebidos diretamente das plataformas digitais utilizadas pelo profissional.

Quatro meses consecutivos

É necessário apresentar documentos referentes a quatro meses consecutivos, sem interrupção. Os registros também precisam ser provenientes da mesma plataforma.

Assim, quem trabalha simultaneamente para diferentes aplicativos deve observar a exigência estabelecida pela Caixa para a documentação apresentada na análise.

Documento recente

O extrato mais recente precisa ter sido emitido, no máximo, dois meses antes da data em que a avaliação de crédito for realizada.

Isso permite que a documentação utilizada na análise represente uma situação relativamente atual da renda do trabalhador.

Resumo fiscal da plataforma

Também é necessário apresentar o resumo fiscal mensal gerado pela própria plataforma.

A Caixa esclarece que esse documento não corresponde à declaração do Imposto de Renda. Trata-se do resumo produzido pelo aplicativo utilizado pelo profissional, como Uber, 99 ou iFood.

O que muda para quem trabalha com aplicativo?

Na prática, a mudança permite que uma parcela dos motoristas e entregadores apresente sua renda de uma maneira mais alinhada à forma como recebe atualmente.

O banco deixa de tratar esses valores simplesmente como renda informal e passa a aceitar os registros das próprias plataformas como documentação para a análise.

Isso pode ampliar as possibilidades de acesso ao financiamento habitacional, desde que o trabalhador também cumpra os demais requisitos exigidos pela Caixa e pelo programa escolhido.

A nova regra, portanto, não elimina a análise de crédito, mas modifica uma das etapas utilizadas para avaliar a capacidade financeira de quem trabalha por meio de aplicativos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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