Famosa rede de lojas demite quase 2 mil funcionários e fecha centenas de estabelecimentos

Uma das maiores redes varejistas do Brasil atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. A Casas Bahia promoveu uma onda de demissões concentrada em apenas dois dias e cortou aproximadamente 1,9 mil postos de trabalho enquanto reduz o tamanho de sua operação.

A companhia também fechou 298 lojas espalhadas pelo país e revelou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

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Quase 2 mil trabalhadores foram demitidos

Os desligamentos aconteceram em duas rodadas.

Na primeira, aproximadamente 600 funcionários foram dispensados. No dia seguinte, outros 1,3 mil trabalhadores foram desligados.

Ao todo, cerca de 1,9 mil pessoas perderam o emprego em apenas dois dias, em uma das maiores mudanças recentes na estrutura da empresa.

O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) afirmou que alguns trabalhadores foram surpreendidos pela situação. Segundo a entidade, houve casos de funcionários que chegaram para trabalhar e encontraram unidades fechadas.

O sindicato informou que pretende entrar com uma ação coletiva e cobrar explicações sobre a condução das demissões.

Casas Bahia fecha 298 lojas

As demissões fazem parte de uma reestruturação muito maior.

A Casas Bahia iniciou o fechamento de 298 lojas, número que representa aproximadamente 28,7% da rede que a companhia mantinha antes da reorganização.

A empresa também passou a revisar contratos, despesas, investimentos e estoques, buscando concentrar recursos nas operações consideradas mais rentáveis.

Nos canais digitais, a estratégia também mudou. A companhia pretende priorizar vendas capazes de gerar margem e caixa, mesmo que isso signifique reduzir o ritmo de crescimento em determinadas categorias.

Prejuízo chegou a R$ 10,1 bilhões

Poucos dias depois dos cortes, a dimensão da crise financeira ficou ainda mais evidente.

A Casas Bahia divulgou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. No mesmo período do ano anterior, a perda havia sido de R$ 555 milhões.

O resultado também marcou o oitavo trimestre consecutivo de prejuízo da companhia.

Apesar do número impressionante, a maior parte desse prejuízo não representa dinheiro que simplesmente saiu do caixa.

Dos R$ 10,1 bilhões contabilizados, aproximadamente R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos não recorrentes e sem impacto imediato no caixa.

Mesmo desconsiderando esses efeitos extraordinários, a empresa ainda registraria um prejuízo ajustado de aproximadamente R$ 978 milhões.

O que provocou o rombo bilionário

Grande parte do resultado negativo surgiu após a revisão de ativos registrados no balanço da empresa.

Um dos principais impactos foi uma baixa de aproximadamente R$ 5,7 bilhões relacionada a impostos diferidos.

Também foram registrados ajustes envolvendo ágio, contratos, reorganização de funcionários e fechamento de lojas.

Além dos efeitos contábeis, a companhia enfrenta um cenário complicado no varejo de bens duráveis.

Os juros elevados encarecem o crédito, enquanto o endividamento das famílias reduz a capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, fornecedores passaram a restringir a concessão de crédito comercial para a varejista.

Diante desse cenário, a Casas Bahia decidiu reduzir as compras de mercadorias e trabalhar com uma operação menor.

Recuperação judicial está sendo avaliada

A situação financeira também fez a companhia considerar medidas mais profundas para reorganizar suas dívidas.

A Casas Bahia confirmou que avalia alternativas para renegociar seus passivos e obrigações. Entre as possibilidades estão uma nova recuperação extrajudicial ou até mesmo uma recuperação judicial.

Isso não significa que a empresa já esteja em recuperação judicial.

Até o momento, trata-se de uma alternativa que está sendo analisada pela administração.

A companhia já passou por um processo semelhante. Em 2024, entrou em recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas, processo que foi encerrado posteriormente.

Patrimônio da empresa ficou negativo

Outro indicador reforça a dimensão da crise.

Depois dos ajustes realizados no segundo trimestre, o patrimônio líquido da Casas Bahia ficou negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões.

A EY, responsável pela auditoria externa, também apontou uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia e se absteve de apresentar uma conclusão sobre as demonstrações intermediárias analisadas.

Apesar da situação, a Casas Bahia continua funcionando. A empresa segue vendendo produtos nas lojas que permanecem abertas e também pelos canais digitais.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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