Ford, Mercedes-Benz, Walmart e Häagen-Dazs: veja marcas famosas que encerraram atividades no Brasil e deixaram saudade

Häagen-Dazs e outras marcas encerraram atividades no Brasil em diferentes momentos. Veja quais deixaram lojas, fábricas ou operações no país.

A saída da Häagen-Dazs do Brasil voltou a chamar atenção nesta semana após a General Mills anunciar o fim da distribuição dos sorvetes da marca no país. A decisão encerra uma trajetória iniciada em 1997 e coloca a empresa na lista de marcas que encerraram atividades no Brasil em algum momento de sua história.

Mas a Häagen-Dazs não é um caso isolado. Empresas de diferentes segmentos já fecharam fábricas, abandonaram lojas físicas, interromperam a venda de determinados produtos ou deixaram completamente o mercado brasileiro.

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Em alguns casos, a marca desapareceu das prateleiras. Em outros, a operação continuou sob outro nome, mudou de controlador ou permaneceu no país apenas em determinadas áreas.

Häagen-Dazs deixa de ser distribuída no Brasil

A Häagen-Dazs chegou ao Brasil em 1997 e passou boa parte de sua trajetória com presença física por meio de lojas próprias.

Em 2018, a General Mills, dona da marca, encerrou as lojas próprias que ainda mantinha no país. Os produtos, porém, continuaram disponíveis por outros canais de venda.

Agora, a companhia decidiu interromper a distribuição dos produtos da marca no Brasil. Segundo a General Mills, a decisão está relacionada a um plano de reformulação de seu portfólio.

Com isso, a Häagen-Dazs se junta a outras marcas internacionais que reduziram ou encerraram determinadas operações no mercado brasileiro.

Haribo encerrou produção em fábrica brasileira

A Haribo, famosa pelos tradicionais doces em formato de ursinho, também passou por uma mudança importante no Brasil.

A empresa começou a produzir localmente em 2016, quando inaugurou uma fábrica em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade foi a primeira fábrica da companhia fora da Europa.

Em abril de 2026, a empresa anunciou o encerramento das atividades industriais no país. A fábrica continuou funcionando até julho, seguindo o cronograma definido para o fechamento.

Na época, a companhia citou o cenário de competitividade e fatores externos que afetaram o ambiente de negócios.

A decisão, entretanto, está relacionada à produção no Brasil, e não necessariamente significa que produtos da marca deixaram de chegar ao consumidor brasileiro por outros meios.

Ford fechou fábricas, mas continuou vendendo carros

A Ford possui uma longa história no país. A empresa começou a operar no Brasil em 1919 e, ao longo das décadas, construiu fábricas e produziu diferentes modelos de veículos nacionalmente.

Em janeiro de 2021, a montadora anunciou o encerramento da produção de veículos no Brasil. As unidades de Camaçari, na Bahia, e Taubaté, em São Paulo, foram fechadas naquele ano.

A fábrica da Troller, em Horizonte, no Ceará, também encerrou suas atividades.

Entre os fatores citados pela empresa estavam a capacidade ociosa das fábricas, a redução das vendas, anos de perdas e um cenário econômico desfavorável agravado pela pandemia.

Apesar do fim da produção nacional, a Ford não deixou de vender veículos no Brasil. A empresa passou a atender o mercado principalmente com modelos importados de outras regiões.

Mercedes-Benz encerrou produção de carros em São Paulo

A Mercedes-Benz também reduziu sua operação brasileira em um momento de mudanças no setor automotivo.

A montadora iniciou sua história industrial no Brasil em 1956, inicialmente com caminhões e ônibus. Décadas depois, passou a produzir automóveis no país.

Em 2020, a empresa anunciou o encerramento da produção de carros na fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo. A unidade produzia modelos como Classe C e GLA.

A companhia citou as dificuldades econômicas, a queda nas vendas de veículos premium e uma reorganização de sua estrutura global de produção.

A Mercedes-Benz, porém, continuou presente no Brasil com outras atividades, incluindo a produção de caminhões e chassis de ônibus e a comercialização de automóveis importados.

Forever 21 fechou suas lojas brasileiras

A Forever 21 chegou ao Brasil em 2014 e rapidamente expandiu sua presença no varejo de moda. A rede americana chegou a contar com 15 lojas no país.

A operação física, entretanto, não durou.

Em 2022, a marca encerrou suas lojas brasileiras depois de uma série de liquidações para vender os estoques restantes.

Entre os fatores associados à saída estavam as dificuldades financeiras da companhia, os custos elevados para manter a operação e a forte concorrência no setor de moda, especialmente com o avanço de varejistas asiáticas.

Fnac deixou o mercado brasileiro

A francesa Fnac desembarcou no Brasil em 2000 com um modelo que reunia livros, música, filmes, eletrônicos e produtos culturais.

A rede chegou a ter 12 lojas no país, mas enfrentou dificuldades para manter uma operação considerada competitiva.

Em 2017, a Livraria Cultura comprou a operação brasileira da Fnac. No ano seguinte, as lojas foram fechadas.

A última unidade, localizada em Goiânia, encerrou as atividades em outubro de 2018.

Entre os fatores citados estavam a necessidade de alcançar uma escala maior, a queda nas vendas, a competição no mercado brasileiro e o cenário econômico daquele período.

Walmart deixou de existir com esse nome no Brasil

O caso do Walmart é diferente de uma saída completa.

A empresa chegou ao Brasil em 1995 e construiu uma ampla rede de supermercados em diferentes regiões.

Em 2018, o fundo Advent International comprou 80% da operação brasileira. Depois da mudança de controle, começou uma transformação das lojas e das marcas utilizadas pelo grupo.

A partir de 2019, a operação passou a utilizar a marca Grupo BIG, enquanto o nome Walmart deixou de ser utilizado nas lojas brasileiras.

Portanto, o Walmart encerrou a operação com sua própria marca no país, mas os negócios continuaram funcionando sob outras bandeiras e posteriormente passaram por novas mudanças de controle.

Sony encerrou fabricação de produtos no Brasil

A Sony mantém presença no Brasil desde 1972 e ficou conhecida no mercado nacional por produtos como televisores, câmeras e equipamentos de áudio.

Em 2020, a companhia anunciou o fechamento de sua fábrica em Manaus e o encerramento da produção desses produtos no país.

Em março de 2021, a empresa confirmou que também deixaria de comercializar determinados produtos eletrônicos no mercado brasileiro.

A saída, porém, foi parcial. A Sony continuou atuando no Brasil em áreas como PlayStation, música, entretenimento e soluções profissionais.

Ou seja, a empresa encerrou determinadas atividades, mas não abandonou completamente o mercado brasileiro.

Nikon encerrou atividades no país

A Nikon, tradicional fabricante japonesa de câmeras e equipamentos fotográficos, também deixou de atuar diretamente no mercado brasileiro.

Em 2017, a companhia anunciou que deixaria de comercializar diretamente câmeras, lentes e acessórios fotográficos no país.

No ano seguinte, em setembro de 2018, a empresa anunciou o encerramento de suas atividades no Brasil.

A decisão fazia parte de uma reestruturação global da companhia, que envolvia mudanças nas estruturas de pesquisa, desenvolvimento, vendas e fabricação.

Roche fechou fábrica no Rio de Janeiro

A Roche possui uma trajetória ainda mais antiga no Brasil, onde está presente desde 1931.

A companhia chegou a produzir medicamentos em uma fábrica localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A unidade fabricava produtos conhecidos, como Bactrim, Lexotan e Rivotril.

Em 2019, a empresa anunciou que encerraria as atividades industriais da unidade devido à redução dos volumes de produção e a mudanças em sua estratégia global.

O processo de fechamento da fábrica foi concluído em 2024.

A Roche, no entanto, continua atuando no Brasil. A companhia mantém operações comerciais e segue disponibilizando medicamentos no mercado nacional.

Topshop fechou sua última loja no Brasil

A britânica Topshop chegou ao Brasil em 2012, quando abriu uma loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo.

A marca chegou a ter quatro endereços no estado, mas sua presença no varejo brasileiro foi diminuindo com o passar dos anos.

Em 2016, a Topshop fechou sua última loja no país, também localizada no JK Iguatemi.

A companhia não apresentou uma justificativa oficial detalhada para o encerramento da operação brasileira.

Nem toda saída significa abandono completo do Brasil

Os casos mostram que existem diferentes formas de uma marca encerrar atividades no Brasil.

Algumas empresas realmente deixam o mercado nacional. Outras encerram apenas a produção local, fecham lojas físicas ou deixam de comercializar determinadas categorias de produtos.

Também existem situações em que a marca desaparece, mas o negócio continua funcionando sob outro nome ou depois de uma mudança de controlador.

Por isso, a saída da Häagen-Dazs se soma a uma lista extensa de mudanças que já ocorreram no mercado brasileiro, mas cada caso possui suas próprias razões e consequências.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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