Menino de 7 anos pede permissão à mãe para vender geladinhos, junta dinheiro por dois meses, compra cinco cestas básicas e em cada uma delas escreve bilhetes à mão para cada família contemplada, explicando a vontade de ajudar pessoas famintas

Samuel Soares, de 7 anos, vendeu geladinhos durante dois meses para arrecadar dinheiro e transformou o valor em cinco cestas básicas para famílias.

Aos 7 anos, um menino de Caetité, no sudoeste da Bahia, teve uma ideia que surpreendeu a própria família. Ele pediu ajuda aos pais para vender geladinhos e, depois de dois meses de arrecadação, conseguiu transformar o dinheiro das vendas em alimentos para famílias que enfrentavam dificuldades.

A iniciativa de Samuel Soares começou com um pedido simples feito à mãe. O objetivo, porém, era diferente do que os pais imaginavam: todo o dinheiro seria usado para ajudar pessoas que não tinham o que comer.

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Menino pediu para vender geladinhos para ajudar outras pessoas

Samuel contou à mãe que havia percebido que algumas pessoas estavam passando por dificuldades e precisavam de comida.

A partir dessa percepção, decidiu que queria vender geladinhos para conseguir dinheiro e transformar o valor arrecadado em doações.

No início, os pais ficaram receosos. Simone Soares e Amilton Miranda consideravam o filho muito novo para lidar com vendas, dinheiro e troco.

O menino, entretanto, continuou insistindo até explicar qual era o objetivo.

“Eu quero ajudar as pessoas que não têm o que comer”, foi a justificativa apresentada por Samuel à mãe.

Avó também ajudou o menino a colocar o plano em prática

Depois de conversar com os pais, Samuel levou a ideia para a avó, Maria do Carmo Soares.

Ela decidiu apoiar a iniciativa e comprou o isopor que seria utilizado para armazenar os geladinhos.

Com o equipamento e a ajuda da família, o projeto finalmente começou.

Os produtos eram preparados pela mãe e levados para diferentes pontos de venda em Caetité.

Geladinhos gourmet foram vendidos durante dois meses

A família produzia geladinhos feitos com frutas ou chocolates batidos com leite.

As primeiras vendas aconteceram entre parentes e conhecidos. Depois, a iniciativa começou a ganhar mais alcance por meio de grupos de mensagens e da divulgação feita pela própria família.

A avó de Samuel também ofereceu sua barraca na feira orgânica de Caetité como ponto de venda.

O local funcionava às quintas-feiras e passou a receber os geladinhos preparados para a campanha.

Menino chegou a sair de bicicleta para vender os produtos

Samuel não ficou apenas esperando que os clientes aparecessem.

Em determinado momento, pegou a bicicleta e saiu pela rua onde morava, no bairro Santa Terezinha, oferecendo os geladinhos.

Ele também passou por estabelecimentos próximos de casa para divulgar a venda e explicar que o dinheiro seria destinado a uma ação solidária.

A cada venda, o valor arrecadado era separado para o objetivo definido desde o início.

Plano era montar dez cestas básicas

Quando os dois meses de vendas chegaram ao fim, a família começou a organizar a compra dos alimentos.

A ideia inicial de Samuel era conseguir dinheiro suficiente para montar dez cestas básicas.

No entanto, depois de avaliar o valor arrecadado e os preços dos produtos, os pais decidiram concentrar os alimentos em menos unidades.

Assim, conseguiram montar cinco cestas básicas mais reforçadas.

Família procurou pessoas que realmente precisavam de ajuda

A escolha dos destinatários também foi feita com cuidado.

A mãe de Samuel procurou famílias que enfrentavam dificuldades e que não contavam com outras formas de auxílio.

Por meio de contatos de pessoas envolvidas em ações de doação na cidade, ela conseguiu identificar cinco famílias que poderiam receber os alimentos.

As cestas foram destinadas a moradores do bairro Escola Agrícola, em Caetité.

Samuel quis escrever um bilhete para cada família

A iniciativa ganhou ainda outro detalhe escolhido pelo próprio menino.

Antes da entrega, Samuel pediu para colocar uma mensagem junto de cada cesta básica.

A mãe explicou que seriam necessários cinco bilhetes, um para cada família.

O menino então escreveu todos à mão e colocou um desenho de coração ao lado da mensagem.

“Oi, eu sou Samuel, tenho 7 anos”

Nos bilhetes, o menino escreveu uma mensagem simples para os destinatários.

Ele se apresentou, informou que tinha 7 anos e desejou que Deus abençoasse a vida de cada pessoa que receberia a cesta.

O gesto emocionou as famílias que receberam as doações.

Durante as entregas, algumas pessoas chegaram a chorar.

Samuel perguntou à mãe se elas não haviam ficado felizes. Os pais explicaram que aquelas lágrimas representavam emoção e alegria pela ajuda recebida.

Solidariedade já fazia parte da rotina do menino

A família contou que a atitude de Samuel não começou com os geladinhos.

Antes da campanha, ele já demonstrava preocupação em compartilhar aquilo que tinha com outras pessoas.

Quando recebia algum produto comprado no mercado, por exemplo, perguntava se o primo também receberia.

O menino também já havia demonstrado preocupação com animais abandonados e pedido à mãe que comprasse ração para eles.

Menino também separou brinquedos para doação

No Natal anterior à campanha, Samuel também havia participado de uma iniciativa de doação.

Depois de descobrir que pessoas estavam arrecadando brinquedos para crianças, decidiu separar alguns dos próprios objetos para entregar.

A atitude reforçou um comportamento que os pais já percebiam no dia a dia.

Dois meses de vendas terminaram em cinco cestas básicas

O que começou com um pedido para vender geladinhos terminou em uma ação que ajudou cinco famílias de Caetité.

Samuel Soares, então com 7 anos, contou com a ajuda dos pais e da avó para preparar e vender os produtos durante dois meses.

O dinheiro arrecadado foi transformado em cinco cestas básicas reforçadas, e cada uma delas recebeu ainda um bilhete escrito à mão pelo próprio menino.

A história mostra como uma iniciativa simples, quando acompanhada de solidariedade e participação da família, pode ganhar um significado muito maior.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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