Uma das maiores fabricantes de produtos de higiene, beleza e limpeza do mundo está passando por uma grande transformação. A Procter & Gamble (P&G), dona de marcas conhecidas como Oral-B, Pampers, Gillette, Ariel, Pantene e Head & Shoulders, colocou em andamento um plano que prevê a eliminação de aproximadamente 7 mil postos de trabalho e a retirada de determinados produtos de alguns mercados.
A mudança faz parte de um programa de reestruturação anunciado em 2025 e que deve continuar até o fim do ano fiscal de 2027. A companhia pretende reduzir custos, simplificar sua estrutura e concentrar investimentos nas categorias consideradas mais estratégicas.
LEIA TAMBÉM:
- Casas Bahia coloca geladeiras, fogões, máquinas de lavar e celulares à venda a partir de R$ 246 com descontos de até 68%
- Caixa Tem está fora do ar hoje? Aplicativo apresenta instabilidade e usuários não conseguem acessar as contas; saiba o motivo
- Aos 7 anos, menino brasileiro com QI 141 aprende matemática e três idiomas, tem dificuldade para parar de estudar e conquista medalha em Singapura
P&G vai eliminar 7 mil empregos
O principal impacto da reestruturação está relacionado aos empregos.
A P&G prevê eliminar aproximadamente 7 mil postos de trabalho em dois anos. Quando o programa foi anunciado, o número representava cerca de 6% da força de trabalho global da companhia.
Os cortes não estão concentrados exclusivamente nas fábricas. Segundo a empresa, aproximadamente 15% dos funcionários que trabalhavam fora das áreas industriais seriam afetados.
Isso significa que boa parte das reduções envolve funções administrativas, corporativas e de suporte, enquanto a companhia também reorganiza sua estrutura industrial e sua cadeia de abastecimento.
Demissões já custaram centenas de milhões de dólares
A reestruturação já começou a aparecer nos resultados financeiros da multinacional.
Nos nove meses encerrados em março de 2026, a P&G contabilizou US$ 455 milhões em despesas relacionadas à saída de funcionários.
Quando são somados outros custos associados ao processo, incluindo ajustes de ativos e despesas operacionais, o valor chegou a US$ 782 milhões no período.
A companhia informou ainda que mais da metade dos custos estimados para o programa já havia sido reconhecida.
Produtos famosos começam a desaparecer de alguns mercados
A reestruturação não envolve apenas funcionários.
A P&G também está reduzindo seu portfólio e deixando de produzir ou comercializar determinados produtos, categorias e formatos em mercados específicos.
Um dos exemplos mais importantes está nas Filipinas, onde a companhia iniciou a retirada de categorias relacionadas a Pampers, Whisper e Tide.
A estratégia é concentrar recursos em produtos que apresentam maior potencial de crescimento e retorno para a empresa.
Pampers deixa de ser produzida em um país
Uma das decisões que mais chama atenção envolve a Pampers, uma das marcas de fraldas mais conhecidas do mundo.
A P&G decidiu interromper a produção e a comercialização da categoria Pampers nas Filipinas. A retirada ocorreu de forma gradual e começou a ser percebida pelos consumidores daquele mercado.
A decisão, porém, não significa que a Pampers será encerrada mundialmente.
A marca continua sendo comercializada em diversos países e permanece entre os principais negócios da Procter & Gamble.
Ariel e Tide também são afetadas
A reorganização chegou ainda ao segmento de produtos para lavagem de roupas.
A P&G decidiu abandonar o negócio de sabões e detergentes em barra para roupas em mercados como Índia e Filipinas.
Nas Filipinas, a mudança atingiu produtos associados às marcas Tide e Ariel.
Mais uma vez, isso não representa o fim dessas marcas. A companhia continua trabalhando com outras versões e categorias em diferentes países.
Outra marca também deixou as prateleiras
A Whisper, voltada para cuidados femininos, também entrou no processo de retirada das Filipinas.
A mudança faz parte da mesma estratégia de enxugamento do portfólio e começou a avançar ainda no fim de 2025.
A P&G passou a avaliar com maior rigor quais produtos permanecem em cada mercado, levando em consideração custos, demanda e rentabilidade.
P&G encerrou operação própria em outro país
Além das retiradas de produtos, a multinacional também modificou sua estrutura em outros mercados.
No Paquistão, a P&G decidiu encerrar sua própria estrutura de fabricação e comercialização. A mudança também envolveu a operação da Gillette Pakistan.
A empresa, entretanto, não abandonou completamente o mercado.
A estratégia passou a envolver distribuidores terceirizados, que podem abastecer consumidores com produtos fabricados em outras operações da companhia.
Dessa maneira, marcas como Gillette, Ariel, Pampers, Pantene, Head & Shoulders e Oral-B continuam podendo chegar aos consumidores mesmo sem uma estrutura industrial própria da P&G no país.
Gillette e Oral-B continuam normalmente
Apesar das mudanças, não existe anúncio de encerramento mundial da Gillette ou da Oral-B.
As duas marcas continuam fazendo parte do portfólio da Procter & Gamble, assim como Pampers, Ariel, Pantene e Head & Shoulders.
A companhia está concentrando as mudanças em determinados produtos, formatos e mercados considerados menos estratégicos.
Portanto, a notícia sobre 7 mil demissões não significa que essas marcas deixarão de existir.
Produtos também podem deixar o Brasil?
Até o momento, não há anúncio de encerramento dessas principais marcas no Brasil por causa da atual reestruturação.
Também não existe informação de que os 7 mil cortes estejam concentrados no país.
A P&G não divulgou uma divisão completa das demissões por mercado, enquanto os casos de retirada de produtos citados pela companhia envolvem principalmente países como Filipinas e Índia.
Por isso, consumidores brasileiros continuam encontrando normalmente produtos de marcas como Gillette, Oral-B, Pampers e Ariel.
P&G continua sendo uma gigante mundial
Apesar dos cortes, a situação não representa uma falência ou encerramento das atividades da empresa.
A P&G encerrou o exercício fiscal de 2026 com aproximadamente US$ 87 bilhões em vendas, além de registrar cerca de US$ 16,1 bilhões em lucro líquido e US$ 19,6 bilhões em fluxo de caixa operacional.
A companhia, portanto, continua altamente lucrativa.
O objetivo da reestruturação é tornar a operação mais eficiente e direcionar recursos para negócios considerados mais rentáveis.
Reestruturação deve continuar até 2027
O processo ainda não terminou.
A P&G estima que a reestruturação custará entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão antes dos impostos ao longo de aproximadamente dois anos.
A empresa também admite que novas descontinuações de marcas, produtos e formatos poderão afetar seus resultados durante o ano fiscal de 2027.
Na prática, a dona da Oral-B, Pampers e Gillette está reduzindo equipes, reorganizando operações e eliminando produtos específicos em determinados países.
Mas existe uma diferença importante: as 7 mil demissões são parte de um plano global de reestruturação, enquanto o encerramento de produtos ocorre apenas em mercados específicos.

