EUA aprovam comprimido para câncer de pâncreas e estudo aponta redução de 60% no risco de morte

A agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou uma nova opção de tratamento para determinados adultos com câncer de pâncreas metastático.

O medicamento é o daraxonrasib, que será comercializado nos Estados Unidos com o nome de Rasonque. A autorização é destinada a pacientes que já passaram por uma linha de tratamento ou que não são candidatos à quimioterapia inicial.

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Estudo mostrou diferença na sobrevida

A aprovação foi baseada em um estudo envolvendo aproximadamente 500 pacientes.

Entre os participantes que receberam o novo medicamento, a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses. No grupo que recebeu quimioterapia, o resultado foi de 6,7 meses.

A diferença corresponde a uma redução aproximada de 60% no risco de morte, de acordo com os resultados apresentados.

O medicamento, entretanto, não é considerado uma cura para o câncer.

Como funciona o novo medicamento

O daraxonrasib atua sobre uma proteína mutada relacionada ao crescimento dos tumores.

A estratégia mira uma alteração molecular encontrada em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas, segundo as informações divulgadas sobre o tratamento.

A possibilidade de atingir essa alteração é considerada relevante porque o desenvolvimento de medicamentos capazes de atuar nesse mecanismo foi um desafio para a medicina durante décadas.

Tratamento é destinado a casos específicos

A aprovação não significa que qualquer paciente com câncer de pâncreas poderá utilizar o comprimido.

A indicação é voltada a determinados adultos com câncer metastático, principalmente aqueles que já passaram por uma linha anterior de tratamento ou não podem receber inicialmente a quimioterapia indicada.

A decisão sobre o tratamento continua dependendo da avaliação médica e das características de cada paciente.

Câncer de pâncreas continua sendo uma doença grave

O avanço chama atenção porque o câncer de pâncreas está entre os tumores mais letais.

A doença pode apresentar poucos sinais durante parte de sua evolução e, em muitos casos, é identificada somente quando já está em estágio avançado.

Nos Estados Unidos, a estimativa citada na reportagem aponta para cerca de 67 mil novos casos em 2026 e mais de 52 mil mortes provocadas pela doença.

A taxa geral de sobrevivência em cinco anos é estimada em aproximadamente 13%.

Medicamento pode custar quase US$ 40 mil por mês

O Rasonque será produzido pela Revolution Medicines e terá administração diária.

Segundo a empresa, o preço anunciado para um tratamento de um mês será de aproximadamente US$ 39,8 mil.

O valor representa um dos desafios relacionados à chegada da nova terapia ao mercado.

Novo tratamento não substitui todas as terapias

Apesar dos resultados considerados relevantes, a aprovação do daraxonrasib não significa que tratamentos convencionais deixaram de ser necessários.

O medicamento foi autorizado para um grupo específico de pacientes e ainda existem efeitos adversos associados ao tratamento, incluindo erupções na pele, feridas na boca, diarreia e outros problemas digestivos.

A principal novidade está na possibilidade de oferecer uma alternativa para pacientes com doença avançada que já não apresentam resposta adequada a tratamentos anteriores.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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