Salário mínimo ideal deveria ser de R$ 7.687 para trabalhador conseguir sustentar família, aponta DIEESE

Cálculo do salário mínimo necessário considera gastos de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e outras necessidades básicas.

Salário mínimo deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho de 2026 para atender às necessidades de uma família de quatro pessoas no Brasil, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O valor é quase cinco vezes maior que o piso nacional atualmente pago aos trabalhadores, de R$ 1.621.

Na prática, a diferença entre os dois valores chega a R$ 6.066,01 por mês.

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O cálculo não significa que o governo esteja discutindo aumentar o piso para esse patamar. Trata-se do chamado salário mínimo necessário, estimado mensalmente pelo DIEESE para mostrar quanto uma família precisaria receber para conseguir bancar despesas consideradas essenciais.

Salário mínimo ideal chega a R$ 7.687,01

Para chegar ao valor, o DIEESE toma como referência a determinação constitucional segundo a qual o salário mínimo deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família.

Entram nessa conta despesas com:

  • alimentação;
  • moradia;
  • saúde;
  • educação;
  • vestuário;
  • higiene;
  • transporte;
  • lazer;
  • previdência.

Em julho, o DIEESE calculou que seriam necessários R$ 7.687,01 para manter uma família composta por dois adultos e duas crianças.

Isso corresponde a 4,74 vezes o salário mínimo oficial de R$ 1.621.

Valor necessário caiu em relação ao mês anterior

Apesar da enorme distância em relação ao piso oficial, houve uma redução no valor considerado necessário pelo DIEESE.

Em junho de 2026, a estimativa era de R$ 8.110,92. Um mês depois, caiu para R$ 7.687,01.

Veja a evolução recente:

Janeiro: R$ 7.156,15
Fevereiro: R$ 7.164,94
Março: R$ 7.425,99
Abril: R$ 7.612,49
Maio: R$ 7.999,44
Junho: R$ 8.110,92
Julho: R$ 7.687,01

A queda registrada em julho acompanha um cenário de redução no preço da cesta básica. Dos 27 municípios pesquisados, 26 registraram diminuição no custo do conjunto de alimentos básicos no mês.

Quase metade da renda vai para a cesta básica

Outro número ajuda a mostrar por que existe uma diferença tão grande entre o piso oficial e o valor calculado como necessário.

Um trabalhador que recebe o salário mínimo precisou comprometer, em média, 49,34% de seu rendimento líquido somente para adquirir a cesta básica em julho.

Para conseguir comprar esses alimentos, foram necessárias, em média, 100 horas e 24 minutos de trabalho nas 27 capitais pesquisadas.

E a cesta representa apenas a alimentação básica.

Ainda ficam de fora dessa conta gastos importantes do orçamento familiar, como aluguel ou prestação da casa, energia elétrica, água, transporte, medicamentos, roupas, educação e lazer.

Por que o DIEESE calcula um salário mínimo diferente?

O salário mínimo necessário não é uma proposta de reajuste automático nem uma previsão do valor que será pago pelo governo.

Ele funciona como uma estimativa econômica.

O DIEESE utiliza como referência o custo da cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas — em julho, São Paulo — e calcula quanto uma família precisaria receber para cobrir as despesas previstas constitucionalmente.

Por isso, o número muda todos os meses conforme o custo de vida.

Em julho de 2025, por exemplo, quando o piso oficial era de R$ 1.518, o DIEESE calculava que o necessário seria R$ 7.274,43.

Um ano depois, o piso passou para R$ 1.621, enquanto o valor considerado necessário chegou a R$ 7.687,01.

A diferença mostra que, mesmo com o reajuste anual do salário mínimo, o custo para sustentar uma família considerando alimentação, moradia, saúde, educação e outras despesas básicas permanece muito acima do piso recebido por milhões de brasileiros.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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