O golpe da falsa central telefônica fez um correntista transferir R$ 8 mil após criminosos simularem uma ligação oficial do banco. Os fraudadores afirmaram que havia um problema de segurança na conta e convenceram a vítima a realizar uma suposta transferência de proteção.
Depois de perceber que havia sido enganado, o consumidor procurou a instituição financeira para tentar bloquear a operação e recuperar o dinheiro. A comunicação teria ocorrido em menos de 30 minutos, mas o banco recusou a abertura do protocolo de contestação, conforme os fatos analisados no processo.
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A Justiça condenou a instituição a devolver R$ 16 mil, correspondente ao dobro do valor transferido.
Como funciona o golpe da falsa central
Os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para fazer a ligação parecer verdadeira. Em alguns casos, recorrem ao spoofing, mecanismo que permite mascarar o número exibido no celular e simular o contato de uma central bancária.
Durante a conversa, os golpistas podem mencionar informações pessoais do cliente, compras recentes ou movimentações na conta para aumentar a credibilidade da abordagem.
Em seguida, afirmam que houve uma tentativa de fraude e orientam a vítima a realizar procedimentos para proteger o dinheiro. Uma das estratégias mais comuns é pedir uma transferência para uma suposta conta segura.
Na realidade, o valor é enviado para uma conta controlada pelos criminosos ou por pessoas utilizadas para receber o dinheiro desviado.
Vítima comunicou o banco rapidamente
No caso analisado pela Justiça, o correntista informou a instituição financeira sobre a fraude menos de 30 minutos depois da transferência.
A vítima buscou ajuda para contestar a operação e tentar recuperar o valor, mas o banco teria se recusado a abrir o protocolo necessário.
A decisão considerou que a instituição não teria adotado as medidas esperadas diante da comunicação rápida da fraude, incluindo o acionamento do mecanismo de devolução do Pix.
Banco foi condenado a devolver R$ 16 mil
O valor transferido pela vítima foi de R$ 8 mil. Na decisão, a Justiça determinou a devolução em dobro, elevando a restituição para R$ 16 mil.
Entre os fatores considerados estavam a suposta falha na segurança da operação, a movimentação fora do perfil habitual do correntista e a conduta da instituição após ser informada sobre o golpe.
O entendimento aplicado ao processo foi de que a recusa em adotar providências para tentar bloquear os recursos representou uma falha na prestação do serviço bancário.
A devolução em dobro, porém, não é automática em todos os casos de fraude. A responsabilidade da instituição depende das provas, das circunstâncias da operação e da análise judicial.
O que é o Mecanismo Especial de Devolução do Pix
O Banco Central disponibiliza o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para situações de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix.
Ao perceber uma transferência suspeita, o consumidor deve entrar em contato imediatamente com o banco e solicitar a contestação da operação.
O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a comunicação rápida é importante porque permite tentar bloquear os recursos antes que sejam retirados ou transferidos novamente.
O MED não garante a recuperação do dinheiro. A devolução depende da análise do caso e da existência de saldo nas contas envolvidas.
Bancos sempre são obrigados a devolver o dinheiro?
Não. A responsabilidade das instituições financeiras não é reconhecida de forma automática em qualquer golpe da falsa central.
Em julho de 2026, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a responsabilização depende da demonstração de falha na prestação do serviço, como a ausência de mecanismos para identificar operações incompatíveis com o perfil do cliente.
Assim, os tribunais podem considerar fatores como o valor transferido, a sequência de transações, o histórico da conta, a comunicação feita pelo consumidor e as medidas adotadas pelo banco.
No caso da transferência de R$ 8 mil, a condenação levou em conta as circunstâncias específicas analisadas no processo.
Quais provas a vítima deve guardar?
Quem cair em um golpe bancário deve preservar todas as informações relacionadas à fraude. Entre os documentos importantes estão:
- Comprovante do Pix, com horário, valor e dados do destinatário;
- Histórico de chamadas recebidas;
- Mensagens enviadas pelos criminosos;
- Protocolos de atendimento do banco;
- Boletim de ocorrência;
- Registros de contatos feitos para contestar a transação.
Esses documentos podem ajudar a demonstrar quando a vítima percebeu o golpe e quais providências foram solicitadas à instituição financeira.
Como evitar o golpe da falsa central
O consumidor deve desconfiar de ligações que exigem transferências para proteger a conta ou cancelar uma suposta operação.
Se receber uma chamada suspeita, a orientação é desligar e procurar o banco por meio do aplicativo oficial, do site ou de um telefone confiável.
Também é importante não fornecer senhas, códigos de autenticação ou dados bancários durante ligações inesperadas.
Mesmo quando o número exibido no celular parece ser o oficial, a chamada pode ter sido falsificada. Por isso, a confirmação por um canal independente é uma medida importante para evitar prejuízos.

