Geração Z não consegue pagar aluguel hoje, mas pode se tornar a geração mais rica da história nos próximos anos, segundo análise de banco

Geração Z enfrenta aluguel e custo de vida altos, mas Bank of America prevê forte crescimento da renda e do poder econômico dos jovens.

A Geração Z vive uma situação que parece contraditória. De um lado, muitos jovens enfrentam dificuldades para pagar aluguel, comprar uma casa e lidar com o custo de vida. De outro, projeções do Bank of America indicam que essa geração poderá acumular uma força econômica gigantesca nas próximas décadas.

Segundo o banco, a renda global da Geração Z deve chegar a cerca de US$ 36 trilhões em aproximadamente cinco anos e pode alcançar US$ 74 trilhões por volta de 2040. A instituição avalia que o avanço da renda, do consumo e da participação econômica fará dos jovens uma força cada vez mais importante para mercados e empresas.

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O cenário não significa que todos os integrantes da Geração Z ficarão ricos. A transformação envolve principalmente o tamanho econômico que essa geração poderá alcançar como grupo.

E existe outro fator importante nessa equação: a chamada Grande Transferência de Riqueza, processo no qual grandes volumes de patrimônio acumulados pelas gerações mais velhas devem passar para herdeiros nas próximas décadas.

Por que a Geração Z pode se tornar tão rica?

A projeção do Bank of America está relacionada principalmente ao crescimento da renda e ao aumento do poder de consumo dos jovens.

A instituição estima que a Geração Z já tenha acumulado cerca de US$ 9 trilhões em renda e que esse valor possa quadruplicar aproximadamente até 2030, chegando a US$ 36 trilhões. Por volta de 2040, a estimativa sobe para US$ 74 trilhões.

Esse crescimento representa uma mudança importante na economia mundial.

À medida que mais integrantes da geração entram no mercado de trabalho, avançam profissionalmente e passam a ter maior renda disponível, sua capacidade de influenciar empresas e mercados também aumenta.

O Bank of America avalia justamente que os hábitos de consumo da Geração Z terão impacto significativo sobre a economia global nos próximos anos.

Como a Geração Z pode sair da dificuldade financeira para uma posição de força?

A situação atual dos jovens ajuda a explicar por que essa mudança parece tão surpreendente.

Em diversos mercados, especialmente nos Estados Unidos, os preços dos imóveis e os custos de aluguel aumentaram muito em relação à renda de trabalhadores mais jovens. Isso dificulta a compra da primeira casa e pode atrasar decisões como morar sozinho, casar ou formar uma família.

Ao mesmo tempo, a Geração Z entrou na vida adulta em um cenário marcado por inflação, juros elevados em determinados períodos e mudanças profundas no mercado de trabalho.

Por isso, existe uma distância entre a realidade financeira de muitos jovens hoje e o tamanho econômico que a geração poderá representar no futuro.

A projeção do Bank of America não significa que essa dificuldade desaparecerá rapidamente. Ela aponta para uma transformação gradual da renda e do poder econômico da geração ao longo das próximas décadas.

O que é a Grande Transferência de Riqueza?

Um dos fatores que aparecem nessa discussão é a chamada Great Wealth Transfer, ou Grande Transferência de Riqueza.

O conceito descreve a passagem de grandes volumes de patrimônio das gerações mais velhas para seus herdeiros.

A consultoria Cerulli Associates estimou anteriormente que cerca de US$ 84,4 trilhões em patrimônio seriam transferidos nos Estados Unidos entre 2021 e 2045. Desse total, US$ 72,6 trilhões seriam destinados a herdeiros, enquanto US$ 11,9 trilhões iriam para instituições de caridade.

O movimento envolve principalmente as gerações mais velhas transferindo patrimônio para Geração X, Millennials e Geração Z.

O próprio Bank of America estima que a Geração Z poderá receber aproximadamente US$ 15 trilhões em heranças até 2048, embora os Millennials e a Geração X devam receber parcelas maiores desse processo.

Isso significa que 38% da Geração Z ficará milionária?

Não.

Esse é um ponto importante para interpretar corretamente as projeções.

A existência de uma grande transferência de patrimônio não significa que todos os jovens receberão uma herança significativa. O patrimônio está concentrado entre famílias e indivíduos com diferentes níveis de riqueza, e a distribuição será bastante desigual.

Além disso, uma parcela importante da riqueza transferida ficará com outras gerações antes de chegar à Geração Z.

Portanto, dizer que a Geração Z será uma geração economicamente poderosa é diferente de afirmar que todos os seus integrantes ficarão ricos.

O que as projeções mostram é uma mudança no tamanho econômico agregado da geração, impulsionada por renda, consumo, investimentos e transferência de patrimônio.

De onde vem tanto dinheiro?

A resposta não está apenas nas heranças.

A maior parte da transformação projetada pelo Bank of America está relacionada ao próprio crescimento da renda da geração.

À medida que os integrantes mais velhos da Geração Z avançam na carreira e os mais jovens entram no mercado de trabalho, o volume de renda produzido pelo grupo aumenta.

O banco estima que essa renda global passe de aproximadamente US$ 9 trilhões para US$ 36 trilhões em cerca de cinco anos e depois alcance US$ 74 trilhões por volta de 2040.

A herança representa uma camada adicional dessa transformação.

Patrimônio imobiliário, investimentos, empresas familiares e outros ativos podem mudar de mãos conforme as gerações mais velhas envelhecem e seus descendentes assumem o controle desses recursos.

A Geração Z vai mudar a forma como as pessoas gastam dinheiro?

É justamente essa uma das expectativas do Bank of America.

Uma geração maior economicamente significa também uma geração com maior capacidade de influenciar empresas.

Os jovens já apresentam hábitos de consumo diferentes dos observados em gerações anteriores, especialmente na relação com tecnologia, comércio eletrônico, serviços digitais e marcas.

Com mais renda disponível, essas preferências podem ganhar ainda mais peso.

Isso pode pressionar empresas a adaptar produtos, serviços, publicidade e formas de relacionamento com consumidores.

O Bank of America afirma que o aumento da renda e do consumo da Geração Z deverá ter forte influência sobre a economia global.

Por que os jovens continuam tendo dificuldade para comprar uma casa?

O crescimento da renda não elimina automaticamente o problema da moradia.

O preço dos imóveis, os juros dos financiamentos, o custo do aluguel e a concentração de oportunidades de trabalho em grandes cidades podem continuar dificultando a compra de uma casa.

Além disso, uma pessoa pode ter uma renda maior e ainda assim não conseguir acumular patrimônio rapidamente se grande parte do salário for consumida por moradia, alimentação, transporte e outras despesas.

Por isso, a possível ascensão econômica da Geração Z não deve ser confundida com uma solução imediata para os problemas financeiros enfrentados atualmente pelos jovens.

A riqueza será distribuída igualmente entre os jovens?

Provavelmente não.

Esse talvez seja um dos principais pontos para entender a Grande Transferência de Riqueza.

Uma grande quantidade de patrimônio pode mudar de mãos sem que isso signifique uma distribuição uniforme entre milhões de pessoas.

Famílias que já possuem imóveis, investimentos e empresas têm potencial para transferir valores muito maiores aos descendentes do que famílias sem patrimônio acumulado.

Análises sobre a transferência geracional também alertam que a maior parte dos recursos tende a se concentrar entre grupos que já possuem algum nível de riqueza. A própria projeção de Cerulli mostra que bilhões de dólares serão transferidos para herdeiros, mas isso não significa uma divisão igualitária entre toda a população.

Geração Z pode virar uma potência econômica antes de ficar rica individualmente

Essa diferença é fundamental.

Uma geração pode se tornar economicamente poderosa sem que cada indivíduo pertencente a ela tenha uma grande fortuna.

Se milhões de pessoas passam a ganhar mais, consumir mais, investir mais e controlar uma parcela maior do patrimônio familiar, o impacto coletivo pode ser enorme.

É justamente esse cenário que aparece nas projeções do Bank of America.

A instituição afirma que a Geração Z deverá exercer influência crescente sobre a economia mundial, com a renda global do grupo podendo chegar a US$ 74 trilhões por volta de 2040.

O futuro financeiro da Geração Z ainda depende de vários fatores

As projeções são impressionantes, mas não representam uma garantia.

Mercado de trabalho, inflação, juros, crescimento econômico, preços dos imóveis, desempenho dos investimentos e mudanças demográficas podem alterar o cenário ao longo dos próximos anos.

Também existe uma diferença importante entre renda e patrimônio.

Ganhar US$ 74 trilhões em conjunto não significa possuir US$ 74 trilhões em patrimônio. A renda é aquilo que a geração recebe ao longo do tempo, enquanto riqueza envolve ativos acumulados, como imóveis, investimentos e empresas.

Por isso, os números precisam ser interpretados dentro do contexto apresentado pelo Bank of America.

A tendência, porém, é clara: a Geração Z está deixando de ser apenas uma geração jovem que enfrenta dificuldades para entrar na vida adulta e começando a se transformar em uma força econômica relevante.

Hoje, muitos ainda lutam contra aluguel alto, imóveis inacessíveis e custo de vida elevado. No futuro, entretanto, essa mesma geração poderá controlar uma parcela muito maior da renda e do patrimônio mundial.

A Grande Transferência de Riqueza pode acelerar esse processo, mas não distribuirá dinheiro igualmente entre todos.

O que parece contraditório (uma geração com dificuldade para pagar aluguel podendo se tornar uma das mais poderosas economicamente) é justamente o ponto central das projeções.

A Geração Z ainda enfrenta uma longa estrada até essa transformação. Mas, se as previsões do Bank of America se confirmarem, seu peso sobre consumo, mercados e economia mundial será muito maior nas próximas décadas.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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