Famosa marca de doces fecha única fábrica no Brasil e mira expansão nos Estados Unidos

A Haribo, multinacional alemã conhecida mundialmente pelos tradicionais ursinhos de gelatina Goldbears, encerrou a produção de sua única fábrica no Brasil.

A unidade estava localizada em Bauru, no interior de São Paulo, e funcionou por aproximadamente dez anos. A produção foi encerrada definitivamente em julho de 2026, depois de a empresa anunciar a decisão em abril.

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A fábrica havia começado a operar em 2016 e teve importância estratégica para a expansão da marca na América Latina. Em determinado período, produtos fabricados em Bauru chegaram inclusive a ser exportados para os Estados Unidos.

Fechamento afetou cerca de 150 trabalhadores

O encerramento da fábrica teve impacto direto sobre os trabalhadores da unidade.

Quando a decisão foi anunciada, aproximadamente 150 funcionários trabalhavam no local. Dados do sindicato da categoria apontavam 154 trabalhadores diretos.

A operação, entretanto, já havia chegado a empregar cerca de 350 pessoas em períodos anteriores. A redução da produção ao longo dos últimos anos também provocou diminuição gradual do quadro de funcionários.

Por que a Haribo fechou a fábrica brasileira?

A multinacional relacionou o encerramento a questões envolvendo a competitividade da operação, o ambiente de negócios e a sustentabilidade da unidade no longo prazo.

A empresa também citou fatores externos que influenciaram as condições para manter a produção no Brasil.

Não há, porém, informação oficial que permita atribuir o fechamento exclusivamente a impostos, custos trabalhistas, câmbio ou a uma medida específica do governo brasileiro.

O que está confirmado é que a companhia concluiu que manter a fábrica de Bauru não fazia mais parte de sua estratégia industrial.

A Haribo vai sair do Brasil?

Não.

O fechamento da fábrica não significa que a Haribo tenha decidido abandonar o mercado brasileiro. A multinacional pretende continuar comercializando seus produtos no país.

A diferença é que a produção deixa de ser feita em território nacional. Com o encerramento da unidade de Bauru, os produtos destinados ao mercado brasileiro passam a depender da fabricação realizada em outras unidades internacionais.

A empresa ainda não informou qual fábrica será responsável de forma permanente pelo abastecimento do Brasil.

Enquanto fecha no Brasil, empresa amplia presença nos EUA

O movimento chama atenção porque ocorre ao mesmo tempo em que a Haribo mantém uma estratégia de expansão nos Estados Unidos.

A multinacional inaugurou em 2023 sua primeira fábrica norte-americana, localizada em Pleasant Prairie, no estado de Wisconsin. O empreendimento recebeu aproximadamente US$ 300 milhões em investimentos e foi apresentado como o maior investimento individual da história da companhia até então.

A estrutura foi planejada para receber expansão de capacidade, novas linhas, equipamentos e tecnologias.

Em 2026, a empresa também anunciou novos planos de crescimento no mercado norte-americano, incluindo a abertura de suas primeiras lojas próprias nos Estados Unidos.

Fábrica brasileira não foi transferida para os Estados Unidos

Apesar de a Haribo ter encerrado sua operação industrial no Brasil e manter investimentos nos Estados Unidos, não se trata de uma simples transferência da fábrica de Bauru.

A unidade norte-americana já estava em funcionamento desde 2023, antes do encerramento da operação brasileira.

Também não há anúncio de transferência de máquinas ou funcionários brasileiros para os Estados Unidos.

Na prática, as duas decisões fazem parte de movimentos diferentes da estratégia internacional da companhia.

Uma década de produção dos famosos doces

A fábrica de Bauru foi inaugurada em 2016 e teve um papel importante na expansão da Haribo fora da Europa.

Durante sua operação, a unidade chegou a produzir para o mercado brasileiro e também participou de exportações.

A empresa alemã, fundada em 1920, tornou os Goldbears um dos produtos mais conhecidos do segmento de doces e construiu uma presença internacional ao longo de mais de um século.

Agora, depois de aproximadamente dez anos, o Brasil deixa de fazer parte da estrutura industrial da multinacional.

A marca, entretanto, continua presente no mercado brasileiro por meio da comercialização de seus produtos, enquanto concentra novos investimentos e iniciativas de expansão em outros mercados, especialmente nos Estados Unidos.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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