Cueca de renda masculina ganha espaço entre homens e provoca polêmica nas redes sociais

A cueca de renda masculina virou assunto depois que Juliano Floss apareceu usando a peça. Entenda a repercussão e como esse mercado cresceu.

Uma peça íntima que durante muito tempo ficou restrita a lojas especializadas passou a aparecer em discussões sobre moda, masculinidade e liberdade de estilo. A cueca de renda ganhou destaque nas redes sociais depois que o influenciador e dançarino Juliano Floss apareceu usando um modelo rendado em um visual que chamou atenção na internet.

A repercussão foi além da roupa. Fotografias do influenciador usando a peça provocaram elogios, críticas e comentários sobre a forma como homens se vestem. A discussão também ajudou a colocar a moda íntima masculina no centro das conversas nas redes.

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A peça, porém, não surgiu agora. Modelos masculinos produzidos com renda, transparência e outros materiais associados tradicionalmente à lingerie feminina já eram comercializados antes da repercussão envolvendo Floss. Em 2022, por exemplo, a Exame já havia mostrado o crescimento de marcas dedicadas ao mercado de lingerie masculina nos Estados Unidos.

Como a cueca de renda virou assunto?

A repercussão ganhou força em julho de 2026, quando Juliano Floss publicou imagens nas quais a roupa íntima rendada aparecia acima da calça.

O visual rapidamente circulou pelas redes sociais e provocou diferentes reações. Segundo o Terra, a peça usada pelo influenciador chegou a esgotar depois da repercussão.

A discussão acabou indo além da moda. Parte dos comentários questionou a masculinidade e a sexualidade de Floss, enquanto outras pessoas defenderam a liberdade de cada indivíduo escolher as próprias roupas.

O episódio transformou uma peça que já existia no mercado em um dos assuntos curiosos da moda masculina em 2026.

Juliano Floss criou a tendência?

Não.

O influenciador ajudou a dar visibilidade à cueca de renda, mas não criou a lingerie masculina rendada.

Marcas nacionais e internacionais já trabalham há anos com diferentes modelos de roupas íntimas masculinas, incluindo peças transparentes, tangas, jockstraps e versões inspiradas em lingeries.

A Exame, por exemplo, já havia abordado em 2022 o crescimento de empresas especializadas em lingerie para homens nos Estados Unidos. Na época, algumas marcas apostavam em tecidos leves, transparências e modelagens que ultrapassavam o mercado tradicional de roupas íntimas masculinas.

O caso de Floss mostra como uma personalidade conhecida pode acelerar a popularização de um produto que já existia.

Uma peça de nicho aparece em uma fotografia viral, ganha comentários, é compartilhada por milhares de pessoas e passa a ser procurada por consumidores que talvez nem soubessem que aquele tipo de produto estava disponível.

Por que a cueca de renda causa tanta reação?

Durante décadas, a roupa íntima masculina foi associada principalmente à praticidade. Modelos de algodão, cores neutras e cortes tradicionais dominaram boa parte do mercado.

A lingerie feminina, por outro lado, desenvolveu uma variedade muito maior de tecidos, transparências, rendas e detalhes decorativos.

Essa diferença ajudou a criar uma associação cultural entre determinados materiais e determinados gêneros. Quando a cueca de renda aparece em um corpo masculino, portanto, algumas pessoas enxergam apenas uma escolha de moda, enquanto outras interpretam a peça a partir de expectativas tradicionais sobre masculinidade.

O episódio envolvendo Juliano Floss evidenciou justamente esse choque de percepções.

O próprio influenciador rebateu críticas relacionadas à sua escolha de roupa e defendeu a ideia de que uma peça de vestuário não determina a identidade de quem a usa.

A moda íntima masculina já vai além da cueca tradicional

Apesar da repercussão recente, a variedade de roupas íntimas masculinas já vinha aumentando.

Em Campo Grande, por exemplo, uma reportagem publicada pelo Campo Grande News encontrou lojas comercializando cuecas transparentes, modelos com telas, tangas, jockstraps e outros formatos. Segundo comerciantes ouvidos pelo veículo, algumas dessas peças já tinham procura antes da repercussão envolvendo Juliano Floss.

Os preços encontrados na reportagem variavam entre R$ 70 e R$ 120, dependendo do modelo e da loja. Isso mostra que a tendência não depende exclusivamente de uma celebridade: já existe um mercado interessado em propostas diferentes de roupa íntima masculina.

Cueca de renda é confortável?

A resposta depende principalmente do tecido, do acabamento e do tamanho escolhido.

Uma cueca de renda pode ser confortável, mas isso varia bastante entre os modelos. Peças com renda mais rígida, costuras grossas ou tamanho inadequado podem provocar atrito e incômodo durante o uso.

Quem pretende experimentar o modelo deve observar alguns detalhes:

  • tamanho adequado ao corpo;
  • tecido com boa elasticidade;
  • acabamento das costuras;
  • ausência de compressão excessiva;
  • instruções de lavagem indicadas pelo fabricante.

Também existem modelos diferentes. Alguns mantêm o formato de uma boxer ou cueca tradicional e utilizam renda apenas em determinadas partes. Outros são mais transparentes, cavados ou possuem cortes que deixam mais pele à mostra.

Ou seja: não existe apenas um tipo de cueca de renda masculina.

A peça precisa ser usada de forma ousada?

Não.

Embora o visual de Juliano Floss tenha chamado atenção justamente porque a roupa íntima ficou parcialmente aparente, a peça também pode ser usada de maneira totalmente discreta.

A pessoa pode escolher um modelo rendado que se pareça com uma cueca tradicional ou optar por uma versão mais transparente e chamativa. A escolha depende do estilo e da finalidade de cada consumidor.

A repercussão do caso mostra, entretanto, que a moda masculina vem abrindo espaço para uma variedade maior de tecidos e modelagens.

E isso não significa necessariamente que a cueca tradicional esteja desaparecendo.

Modelos básicos continuam sendo uma opção para quem prioriza praticidade, enquanto peças diferentes encontram espaço entre consumidores interessados em experimentar novos estilos.

O que a tendência revela sobre a moda masculina?

A história da cueca de renda mostra como uma peça de roupa pode acabar provocando uma discussão muito maior do que sua própria função.

O produto já existia, marcas já trabalhavam com lingerie masculina e havia consumidores interessados nesse tipo de peça. A diferença foi a exposição proporcionada por uma figura conhecida e a repercussão nas redes sociais.

A partir daí, uma roupa íntima passou a ser discutida como símbolo de estilo, liberdade e das expectativas que ainda cercam a aparência masculina.

A cueca de renda pode continuar sendo uma peça de nicho ou ganhar cada vez mais espaço. O que já aconteceu, porém, é que ela deixou de ser um produto praticamente invisível para muita gente.

E, no fim das contas, talvez a pergunta mais curiosa não seja apenas se alguém usaria a peça, mas por que uma simples cueca ainda consegue provocar tanta discussão.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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