O El Niño está ganhando força e deve provocar impactos bastante diferentes entre as regiões brasileiras nos próximos meses. Enquanto áreas do Sul têm maior probabilidade de registrar chuva acima da média, partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste enfrentam um cenário mais seco e com temperaturas elevadas.
O fenômeno climático foi confirmado em junho de 2026 e, segundo o mais recente Painel El Niño, elaborado por órgãos como INMET, INPE, ANA e Cemaden, existe mais de 90% de probabilidade de que o episódio seja classificado como muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027.
LEIA TAMBÉM:
- Menino de 4 anos que é fã de garis, convida os trabalhadores para seu aniversário e acorda às 5h40 para encontrá-los
- Garoto de 13 anos recicla 1,5 milhão de latas, arrecada R$ 130 mil e decide usar todo o dinheiro para ajudar outras pessoas
- Novo feriado nacional se aproxima, cai na sexta-feira e brasileiros poderão ter três dias seguidos de folga
As projeções também indicam que o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. A NOAA chegou a apontar 75% de probabilidade de que o fenômeno seja o mais forte registrado desde 1950 no trimestre outubro-dezembro de 2026.
Sul deve enfrentar mais chuva e risco de temporais
Uma das regiões que mais chama atenção no novo cenário é o Sul do Brasil.
Para o trimestre entre setembro e novembro, os modelos climáticos indicam maior probabilidade de chuva acima da média em áreas da Região Sul, com destaque para o Rio Grande do Sul. Também há previsão de volumes acima da média em partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
No Rio Grande do Sul, o comportamento é especialmente importante porque o El Niño costuma favorecer o transporte de umidade para o estado e aumentar a ocorrência de sistemas capazes de provocar chuva intensa.
O próprio INMET destaca que, em episódios de El Niño forte, o Rio Grande do Sul tende a registrar volumes de chuva acima da média, especialmente durante a primavera.
Isso não significa que haverá chuva intensa todos os dias. O efeito do fenômeno aparece em uma escala climática mais ampla e pode favorecer períodos com volumes elevados e maior risco de eventos de tempo severo.
Norte e Nordeste podem enfrentar o efeito contrário
Enquanto o Sul recebe mais umidade, o cenário previsto para boa parte do Norte e Nordeste é de chuva abaixo da média.
O Painel El Niño aponta maior probabilidade de déficit de precipitação nessas regiões durante setembro, outubro e novembro. Áreas do Brasil Central e do Sudeste também aparecem com tendência de chuvas abaixo da média.
Na Amazônia Legal, a combinação de pouca chuva e temperaturas acima da média pode prolongar o período seco, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.
O cenário já preocupa em algumas bacias. O Serviço Geológico do Brasil acompanha diferentes níveis de rios e aponta situações distintas entre as regiões do país, em um contexto de forte influência do El Niño.
Temperaturas devem continuar acima da média
Outro ponto destacado pelos órgãos oficiais é o calor.
A previsão para o trimestre indica temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional. Mesmo assim, a passagem de massas de ar frio ainda pode provocar quedas bruscas de temperatura, principalmente em setembro.
A combinação entre calor e menor quantidade de chuva é justamente um dos fatores que pode agravar o déficit hídrico em partes do país.
No Norte, Nordeste e em áreas do Brasil Central, esse cenário também pode aumentar a preocupação com incêndios florestais caso a estação chuvosa demore a se estabelecer.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos variam bastante conforme a região.
De maneira geral, episódios de El Niño costumam favorecer mais chuva no Sul e condições mais secas em partes do Norte e Nordeste. Entretanto, o resultado observado em cada período também depende de outros sistemas atmosféricos que atuam simultaneamente.
É por isso que um El Niño muito forte não significa que todo o país terá o mesmo tipo de tempo.
Fenômeno deve continuar influenciando o clima nos próximos meses
Com o El Niño em processo de intensificação, os próximos meses devem ser marcados por um cenário climático bastante desigual no Brasil.
De um lado, o Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, aparece entre as áreas com maior probabilidade de chuva acima da média. De outro, regiões do Norte e Nordeste enfrentam maior risco de déficit de precipitação, temperaturas elevadas e prolongamento da seca.
Os órgãos responsáveis pelo monitoramento climático continuam acompanhando a evolução do fenômeno e atualizando as projeções conforme os dados do Oceano Pacífico e da atmosfera são incorporados aos modelos.

