Petrobras coloca limite na venda de diesel, preço sobe e situação começa a preocupar produtores e transportadoras

Petrobras enfrenta pressão no mercado de diesel, enquanto preços sobem e postos, transportadoras e produtores relatam dificuldades no Rio Grande do Sul.

O diesel voltou a preocupar quem depende do combustível para trabalhar no Rio Grande do Sul. Nas últimas semanas, transportadoras, produtores rurais e postos passaram a relatar aumento de preços e dificuldades pontuais para conseguir o produto.

A situação ocorre em um momento de pressão no mercado internacional de petróleo, com as cotações acima dos US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro enfrenta diferenças entre os preços praticados internamente e no exterior.

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Segundo relatos do setor, o preço do diesel passou de cerca de R$ 5,20 para R$ 7,30 em determinados negócios, enquanto o produto também ficou mais difícil de encontrar em algumas situações.

O que está acontecendo com o diesel?

O problema não é simplesmente uma falta generalizada de combustível. O que vem sendo relatado é uma combinação de preços mais altos, restrições nas compras e dificuldades pontuais de abastecimento.

Na agricultura, a preocupação aumenta porque o calendário de produção não para. Atualmente, há colheita de canola e plantio de arroz no Estado. Na sequência, começam as etapas de semeadura do milho e, posteriormente, da soja.

O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho, afirmou que a situação é preocupante e relatou dificuldades para encontrar determinados tipos de diesel.

Segundo ele, o diesel S500 está praticamente indisponível em algumas situações, enquanto o S10 estaria sendo encontrado principalmente em postos com contratos de fornecimento.

Petrobras entra no centro da discussão

A Petrobras está no centro da discussão porque distribuidoras e representantes do setor relatam restrições na compra do combustível fornecido pela companhia.

Ao mesmo tempo, a estatal informou que, a partir de 17 de setembro, faria um ajuste de R$ 1 por litro no preço de venda do diesel A para as distribuidoras. O aumento, porém, é acompanhado de um desconto de mesmo valor por causa da nova subvenção econômica criada pelo governo federal, de modo que o preço de venda da Petrobras às distribuidoras permanece inalterado.

Isso significa que o reajuste anunciado pela Petrobras não corresponde, por si só, a um aumento de R$ 1 no preço pago pelo consumidor na bomba.

O problema apontado pelo setor gaúcho está relacionado também ao descompasso entre os preços praticados no Brasil e as cotações internacionais.

Por que o diesel está mais caro?

O petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 no mercado internacional, aumentando a pressão sobre os combustíveis.

Quando o produto importado fica mais caro, as diferenças entre os preços praticados no mercado interno e no exterior podem influenciar as decisões de compra das distribuidoras.

No Rio Grande do Sul, representantes do setor afirmam que esse cenário tem dificultado a reposição do diesel em determinados pontos.

A situação também é influenciada pelo próprio movimento entre os Estados. Segundo o presidente do sindicato dos postos de combustíveis do Rio Grande do Sul, Sulpetro-RS, Fabricio Severo Braz, o Estado chegou ao fim de agosto com estoques de diesel, mas outros Estados buscaram o combustível no mercado gaúcho porque encontraram condições mais favoráveis de preço.

Transportadoras já sentem pressão no preço

As transportadoras também estão sendo afetadas pela alta.

O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso, afirmou que as empresas estão comprando mais combustível para formar estoque diante do cenário atual.

O movimento, porém, aumenta os custos das operações e pressiona o preço dos fretes.

Como o transporte está presente em praticamente toda a cadeia de distribuição, uma alta persistente no diesel pode acabar influenciando outros preços, inclusive de produtos que dependem do transporte rodoviário.

Postos também enfrentam dificuldades

Outro ponto de atenção está nos postos de combustíveis.

De acordo com o presidente do Sulpetro-RS, os estabelecimentos de bandeira branca — aqueles que não possuem contrato exclusivo com uma distribuidora — enfrentam mais dificuldades para conseguir determinadas cargas.

A situação ocorre justamente em um momento em que a procura pelo combustível aumentou em algumas regiões.

Em condições normais, o Rio Grande do Sul consegue atender boa parte da demanda com a produção da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras. Quando os preços internacionais sobem, porém, a dinâmica de compra e distribuição pode mudar.

Setor cobra medidas para evitar problemas maiores

Diante do cenário, a Farsul procurou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para pedir medidas que garantam o abastecimento de diesel no Estado.

Segundo Domingos Velho, a agência informou que pretende atuar diante da situação, embora ainda não tenha divulgado quais medidas serão adotadas.

O cenário, portanto, exige atenção principalmente de quem depende do diesel para transportar mercadorias ou manter atividades agrícolas.

Por enquanto, os relatos apontam para dificuldades e faltas pontuais, e não para uma interrupção generalizada do abastecimento. A evolução dos preços internacionais do petróleo e as condições de fornecimento nas próximas semanas serão determinantes para saber como o mercado gaúcho vai reagir.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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