iFood prepara mudança que pode transformar as compras de supermercado no Brasil

O investimento do iFood chegará a R$ 24 bilhões até março de 2027. Veja como a empresa pretende ampliar supermercados, farmácias e entregas.

O iFood vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027. O anúncio foi realizado durante o evento iFood Move, em São Paulo, e representa um crescimento de 41% em comparação com os R$ 17 bilhões destinados ao ciclo anterior.

A empresa pretende ampliar sua atuação para além da entrega de refeições. Entre as principais apostas estão as compras de supermercado, os serviços de farmácia, os pet shops e outras categorias de produtos que podem ser adquiridos pelo celular.

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A estratégia busca transformar o aplicativo em uma plataforma utilizada pelos consumidores em diferentes momentos da rotina.

Supermercado ganha espaço no aplicativo

Uma das principais frentes do investimento do iFood está relacionada às compras de supermercado.

Embora mercados e farmácias já estejam disponíveis na plataforma há cerca de três anos, a empresa pretende ampliar a presença dessas categorias e aumentar o número de pedidos realizados pelos consumidores.

O objetivo é fazer com que o usuário utilize o aplicativo não apenas para pedir comida pronta, mas também para comprar produtos de uso cotidiano.

As categorias de mercado, farmácia, pet shop, bebidas e conveniência cresceram aproximadamente 50% em um ano, segundo informações divulgadas pela empresa. Juntas, elas já representam cerca de um terço da receita do iFood.

Investimento prevê R$ 10 bilhões para entregas

Do total anunciado, aproximadamente R$ 10 bilhões serão destinados à operação de entregas de restaurantes, farmácias e supermercados.

Uma das prioridades é a expansão do iFood Turbo, modalidade que promete entregas em até 20 minutos.

O serviço deve chegar a todas as capitais brasileiras, incluindo produtos de supermercados, farmácias e pet shops.

A ampliação da operação depende da estrutura logística disponível em cada região, incluindo estabelecimentos parceiros, entregadores e organização dos estoques.

iFood aposta em inteligência artificial

A empresa também pretende aumentar os investimentos em tecnologia. O valor destinado à área deve superar R$ 2 bilhões.

Uma das frentes é o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial em parceria com a Prosus, controladora do iFood.

A tecnologia poderá utilizar informações sobre buscas, compras e avaliações para oferecer recomendações mais personalizadas aos consumidores.

A expectativa é que o aplicativo consiga identificar melhor as preferências dos usuários e facilitar a localização de produtos e serviços.

iFood Pago deve receber cerca de R$ 5 bilhões

Outra área contemplada pelo plano é o iFood Pago, braço financeiro voltado principalmente para restaurantes e pequenos negócios.

A empresa prevê aproximadamente R$ 5 bilhões em investimentos nessa operação.

A iniciativa faz parte da estratégia de ampliar os serviços oferecidos aos estabelecimentos parceiros, incluindo soluções financeiras que vão além da entrega de pedidos.

A expansão do iFood Pago ocorre em paralelo ao crescimento das categorias de varejo e à busca por novas fontes de receita.

Entregadores poderão fazer entregas de lojas externas

O iFood também anunciou o serviço Envios iFood, que permite utilizar entregadores da plataforma para transportar produtos vendidos fora do aplicativo.

Com a novidade, um comerciante poderá contratar a entrega de uma compra realizada em seu próprio site, por exemplo.

O serviço foi lançado em parceria com a Nuvemshop, plataforma que reúne cerca de 180 mil lojistas.

Durante o período inicial de testes, a operação realizou aproximadamente 500 mil entregas. A meta informada pela empresa é alcançar 1 milhão de entregas em outubro.

A previsão inicial é de entregas a partir de uma hora, com preços que devem variar conforme o tamanho do produto e a distância percorrida.

Novos serviços ampliam a concorrência no delivery

O investimento acontece em um cenário de disputa crescente no mercado de entregas.

O iFood enfrenta a concorrência da Keeta, empresa do grupo chinês Meituan, e da 99Food, pertencente à DiDi.

As empresas disputam consumidores, restaurantes e entregadores, enquanto também enfrentam discussões relacionadas a contratos de exclusividade e práticas concorrenciais.

O iFood mantém um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), firmado em 2023, sobre contratos de exclusividade com restaurantes.

O ambiente competitivo pode influenciar a expansão dos serviços e a busca por novas categorias de produtos dentro das plataformas.

Quantos usuários o iFood possui?

Segundo os números divulgados pela empresa, o iFood reúne atualmente cerca de 65 milhões de consumidores e 500 mil estabelecimentos em aproximadamente 2.800 cidades.

A plataforma pretende utilizar essa base para aumentar a frequência de compras em categorias como supermercados, farmácias e pet shops.

Com a expansão, o aplicativo busca se tornar uma opção mais presente na rotina de consumo dos brasileiros, incluindo compras de produtos que tradicionalmente são feitas diretamente em lojas físicas.

O que muda para os consumidores?

A expansão pode aumentar a oferta de produtos disponíveis para compra e ampliar as opções de entrega em diferentes cidades.

Em determinadas regiões, os usuários poderão encontrar mais estabelecimentos, categorias e modalidades de entrega dentro do aplicativo.

Entretanto, a disponibilidade de produtos, os prazos e os valores de entrega dependem da cidade, dos parceiros cadastrados e da estrutura operacional existente.

O investimento anunciado não significa que todos os serviços estarão disponíveis simultaneamente em todas as localidades.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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