A Chilli Beans está negociando com bancos credores uma reestruturação de sua dívida, com o objetivo de alongar os prazos de pagamento e reduzir os juros. A informação foi divulgada pela própria companhia nesta segunda-feira (31).
Apesar das negociações, a rede de óculos e acessórios afirma que não existe discussão sobre um eventual processo de recuperação judicial.
LEIA TAMBÉM:
- Casas Bahia vende TVs, geladeiras, fogões, máquinas de lavar e móveis a partir de R$ 39, com descontos de até 82%
- Trensurb fechará estações entre Canoas e Novo Hamburgo; Saiba motivo
- Brasileiros terão uma folga prolongada em outubro e data já está deixando muita gente animada
Segundo a empresa, as tratativas com os credores acontecem de forma amigável e já estão em estágio avançado.
O posicionamento foi divulgado depois de notícias publicadas nesta segunda-feira apontarem uma possível proximidade de um pedido de proteção judicial por parte da companhia.
Chilli Beans nega recuperação judicial
Em nota, a empresa afirmou que as negociações atuais estão concentradas na reorganização das condições de sua dívida com os bancos.
A companhia não informou o valor total do passivo nem revelou quais instituições financeiras participam das conversas.
A estratégia envolve principalmente a tentativa de conseguir prazos maiores para pagamento e juros menores, em uma negociação realizada fora da Justiça.
Como parte desse processo, o executivo André Dela Togna assumirá, em 1º de outubro, o cargo de vice-presidente da Chilli Beans.
Ele deverá atuar ao lado do CEO Caito Maia, que, segundo a empresa, pretende concentrar cada vez mais sua atuação nos clientes e franqueados.
Quem é o executivo que vai ajudar na reestruturação?
Dela Togna se apresenta como executivo especializado em processos de reestruturação empresarial.
Entre 2017 e 2022, ele foi sócio da Galeazzi & Associados, consultoria especializada em turnaround.
Antes disso, comandou a Paquetá The Shoes Company, empresa do setor calçadista que passou por recuperação judicial.
Desde agosto de 2023, estava à frente da Ledervin, fabricante de laminados plásticos.
O executivo é formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Chilli Beans já levantou R$ 100 milhões
Embora a empresa não tenha revelado o tamanho total da dívida que está sendo renegociada, parte de seu endividamento é conhecida publicamente.
Em fevereiro de 2025, a Mustang 25 Participações, holding responsável por centralizar as operações do grupo, realizou uma emissão de até R$ 100 milhões em notas comerciais escriturais.
Os títulos foram securitizados pela Vert Companhia Securitizadora e distribuídos como debêntures para investidores profissionais.
O Banco Modal atuou como coordenador líder da operação, enquanto a UBS BB participou como coordenadora.
Os papéis são quirografários, ou seja, não possuem garantia real específica. Em uma eventual reestruturação, esse tipo de crédito ocupa posição diferente daqueles que contam com garantias.
A oferta também informava que as debêntures não seriam avaliadas por uma agência de classificação de risco e que os direitos creditórios estavam concentrados em um único devedor.
BNDES também liberou limite de R$ 30 milhões
Dois meses depois da emissão, em abril de 2025, o BNDES contratou um limite de crédito de R$ 30 milhões com a rede.
Segundo o banco, os recursos foram destinados a capital de giro e também ao repasse para 235 franqueados e micro, pequenas e médias empresas da cadeia produtiva que não pertencem ao grupo.
A operação mostra que a empresa também possui linhas de crédito voltadas ao financiamento de sua rede de franquias.
Empresa diz que operações continuam normalmente
Apesar da renegociação da dívida, a Chilli Beans tenta mostrar que as conversas com os credores não estão impedindo a expansão da companhia.
Em fevereiro, a empresa informava ter mais de 1.000 pontos de venda e projetava a abertura de outras 400 lojas.
A companhia também afirmou ter registrado resultados recordes no último Dia dos Pais e projetou crescimento de 10% no ano.
Novas parcerias com grandes marcas da moda e projetos com foco regional também estão em desenvolvimento, segundo a empresa.
Mercado óptico continua crescendo
A renegociação da Chilli Beans ocorre em um momento em que o setor óptico brasileiro registra crescimento.
Segundo dados da Abióptica, o mercado movimentou R$ 28,079 bilhões em 2025, alta de 4,15% em relação aos R$ 27 bilhões registrados em 2024.
No primeiro trimestre de 2026, o setor cresceu 3%, alcançando R$ 7,338 bilhões em vendas.
A associação afirma reunir mais de 230 empresas e representar cerca de 95% das marcas comercializadas no país.
O setor emprega aproximadamente 190 mil pessoas em 71.226 pontos de venda, enquanto a projeção da entidade para 2026 é de crescimento próximo de 5%.
Renegociar dívida significa recuperação judicial?
Não necessariamente.
A negociação feita pela Chilli Beans é uma reestruturação de dívida realizada fora da Justiça. Nesse modelo, a empresa tenta chegar a um acordo diretamente com os credores para alterar condições como prazo e taxa de juros.
Isso é diferente de um processo de recuperação judicial.
A própria Chilli Beans afirmou que não há discussão sobre um eventual pedido de recuperação judicial e que as negociações com os bancos seguem de maneira amigável.
Além disso, uma renegociação de prazo ou juros não significa automaticamente que o valor principal da dívida será reduzido. Dependendo do acordo, a empresa pode apenas reorganizar quando e como os pagamentos serão feitos.
A Chilli Beans, portanto, tenta reorganizar seus compromissos financeiros enquanto mantém a expansão de sua rede de lojas e franquias.

