Ex-vereadora é presa por tortura contra o marido; ele foi amarrado e teve queimaduras de 2º grau

Tortura contra o ex-marido levou Verônica Costa a uma condenação definitiva de 10 anos e oito meses; Justiça manteve a ex-vereadora presa neste sábado.

Quinze anos depois de um episódio de tortura ocorrido dentro de uma casa no Rio de Janeiro, a condenação chegou à fase de cumprimento da pena. A ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como “Mãe Loira do Funk”, está presa após o encerramento dos recursos no processo que apurou as agressões contra o então marido, Márcio Costa.

A pena estabelecida pela Justiça é de 10 anos e oito meses de prisão. Verônica foi capturada na quinta-feira (24), na Região Serrana do Rio, e passou por audiência de custódia neste sábado (26). A prisão foi mantida.

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O processo começou após Márcio procurar a polícia, em 2011, e relatar uma sequência de agressões dentro da residência do casal. O caso avançou por diferentes instâncias até que a condenação se tornou definitiva.

Tortura contra o marido terminou em condenação

Márcio e Verônica ainda eram casados quando o caso veio à tona.

Segundo os elementos considerados no processo, ele foi privado de liberdade, amarrado e submetido a agressões. O homem também sofreu queimaduras de segundo grau após ser atingido por produto químico durante o episódio.

As lesões exigiram atendimento médico e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil.

Verônica negou ter cometido o crime durante a tramitação do processo. A Justiça, porém, acabou condenando a então vereadora pela prática de tortura contra o ex-marido. Em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio elevou a pena para 10 anos e oito meses, com início em regime fechado.

Por que Verônica Costa foi presa somente agora?

A diferença está no andamento judicial do processo.

Apesar de a condenação ter sido estabelecida anos atrás, ainda existiam recursos. Com o trânsito em julgado, a decisão se tornou definitiva dentro daquela ação e foram expedidos mandados para o cumprimento das penas.

A Polícia Civil localizou Verônica e outros três condenados em uma residência no Vale das Videiras, na Região Serrana fluminense. Segundo a corporação, a operação foi realizada depois de trabalho de inteligência da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual, a DC-Polinter.

A Polícia Rodoviária Federal também participou da localização ao colaborar no acompanhamento de um dos veículos usados durante os deslocamentos dos procurados.

Ex-vereadora teve prisão mantida

Depois da captura, Verônica foi encaminhada ao sistema prisional.

Neste sábado, ela passou por audiência de custódia em Benfica, na Zona Norte do Rio. Ao final do procedimento, permaneceu presa para cumprir a condenação.

A audiência de custódia não reabriu o julgamento sobre a existência do crime. A condenação por tortura já havia se tornado definitiva.

O que Verônica Costa diz sobre o caso?

Após ser levada para a delegacia, Verônica contestou a situação e afirmou considerar que houve erro por parte do Judiciário.

A defesa também busca rever a condenação. Entre os argumentos apresentados está a existência de registros anteriores nos quais Verônica relatava episódios de violência no relacionamento.

Esse posicionamento faz parte da estratégia da defesa e não altera, até agora, a condenação definitiva nem o início do cumprimento da pena.

Caso começou há 15 anos

A investigação remonta a fevereiro de 2011.

Naquele período, Márcio Costa denunciou à polícia ter sido mantido contra a vontade e agredido dentro da residência onde vivia com Verônica. Fotografias e registros da época mostraram o empresário após os ferimentos, e o caso ganhou grande repercussão no Rio.

O episódio passou por investigação, julgamento em primeira instância e análise de recursos antes de chegar à condenação definitiva.

Em primeira instância, a pena havia sido fixada em cinco anos e dez meses. Posteriormente, após recurso do Ministério Público, a Justiça aumentou o período de prisão para 10 anos e oito meses.

Quem é Verônica Costa?

Antes da carreira política, Verônica Costa ficou conhecida no cenário do funk carioca e ganhou o apelido de “Mãe Loira do Funk”.

Ela posteriormente ingressou na política e exerceu cinco mandatos como vereadora da cidade do Rio de Janeiro, permanecendo na Câmara Municipal em períodos entre 2001 e 2024.

Agora, com os recursos encerrados no processo de tortura, a ex-parlamentar começa a cumprir a pena imposta pela Justiça pelo crime praticado contra Márcio Costa.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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