O avanço de eventos climáticos extremos está aumentando os prejuízos materiais e pode gerar despesas maiores para famílias, empresas e governos.
Ondas de calor, enchentes, secas, incêndios e tempestades estão entre os fenômenos que provocam danos em imóveis, veículos, estradas e outras estruturas. Além das perdas diretas, os efeitos também podem aparecer no preço dos seguros e na necessidade de ampliar os gastos públicos.
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Isso significa que mesmo pessoas que não tiveram suas casas atingidas diretamente podem sentir os impactos financeiros das mudanças climáticas.
Seguros podem ficar mais caros com o aumento dos riscos
Um estudo de 2026 realizado pela MIT Sloan School of Management e pela UCLA School of Law calculou que as mudanças climáticas acrescentam, em média, US$ 900 por ano às despesas de cada família nos Estados Unidos.
Uma parcela importante desse custo está relacionada aos seguros residenciais. Segundo a pesquisa, o aumento médio das despesas com seguro de imóveis chega a aproximadamente US$ 600 por família.
A elevação dos riscos de enchentes, incêndios e outros desastres pode levar as seguradoras a revisar preços e condições de cobertura, especialmente em regiões mais expostas.
O impacto, porém, varia conforme a localização, o tipo de imóvel, a frequência dos eventos e os critérios utilizados por cada seguradora.
Impostos também podem ser afetados
Os custos provocados pelas mudanças climáticas não se limitam aos contratos de seguro.
Quando um desastre destrói estradas, pontes, casas e estruturas públicas, os governos precisam direcionar recursos para reconstrução, atendimento emergencial e serviços de saúde.
Essas despesas podem pressionar os orçamentos públicos e aumentar a necessidade de investimentos em prevenção e adaptação. Dependendo das decisões adotadas, os efeitos podem chegar indiretamente à população por meio das contas públicas e da arrecadação de impostos.
Isso não significa que um aumento específico de imposto ocorrerá automaticamente após cada desastre, mas que a intensificação dos eventos extremos amplia os desafios financeiros dos governos.
Europa já acumula prejuízos de € 822 bilhões
O impacto econômico também aparece na Europa, considerada uma das regiões do mundo que mais aquecem.
Entre 1980 e 2024, as perdas econômicas diretas provocadas por eventos meteorológicos e climáticos extremos na União Europeia chegaram a € 822 bilhões.
Um quarto desse valor foi registrado nos quatro últimos anos do período analisado, indicando uma concentração maior de prejuízos em um intervalo recente.
Os números contabilizam principalmente danos diretos, como a destruição de imóveis e infraestrutura. Outros efeitos, incluindo queda de produtividade, redução da produção e despesas adicionais com saúde, não estão totalmente incluídos nessa estimativa.
Estimativas sobre o custo do aquecimento variam
Calcular o impacto total das mudanças climáticas sobre a economia mundial é uma tarefa complexa.
Estimativas anteriores do economista William Nordhaus apontaram que um aumento superior a 3°C na temperatura média global em relação aos níveis pré-industriais poderia provocar uma redução de 2,1% no PIB mundial até 2100. Em um cenário de elevação de 6°C, a perda estimada chegaria a 8,5%.
Estudos mais recentes apresentam projeções significativamente maiores. Algumas pesquisas indicam que os danos econômicos podem ser muito superiores aos calculados em modelos anteriores.
As diferenças entre os resultados mostram que as estimativas dependem dos métodos utilizados, dos cenários climáticos e da forma como os prejuízos indiretos são contabilizados.
Governos podem assumir uma parcela maior dos prejuízos
Em regiões onde a cobertura dos seguros privados é limitada, os governos podem ser obrigados a assumir uma parte maior dos custos após enchentes, secas e outros desastres.
Recursos públicos podem ser utilizados para reconstruir áreas atingidas, recuperar serviços essenciais e atender pessoas afetadas.
A ampliação da cobertura de seguros privados é apontada como uma das formas de reduzir a parcela dos prejuízos assumida diretamente pelo Estado. Ao mesmo tempo, investimentos em prevenção, adaptação e infraestrutura podem diminuir a exposição aos riscos.
O que pode acontecer com as famílias brasileiras
Os dados do estudo citado são referentes aos Estados Unidos e não representam uma estimativa direta dos custos para as famílias brasileiras.
No Brasil, entretanto, eventos como enchentes, secas, incêndios e deslizamentos também podem provocar perdas econômicas e pressionar os serviços públicos.
O impacto sobre os consumidores dependerá de fatores como a frequência dos desastres, o nível de exposição de cada região, o custo dos seguros e as políticas de prevenção e reconstrução adotadas.
Por isso, o avanço das mudanças climáticas deve ser analisado não apenas como uma questão ambiental, mas também como um fator capaz de afetar o orçamento doméstico e as contas públicas.

