Novas informações divulgadas pela Força Aérea Brasileira ajudam a reconstruir os minutos finais do voo que terminou com a morte do cantor Rick, da dupla Rick & Renner, e de outras quatro pessoas em Santa Catarina. Os horários levantados mostram uma sequência curta entre o último registro da aeronave e o momento estimado do acidente.
O helicóptero havia partido de Porto Belo, no litoral catarinense, às 10h30 de segunda-feira (21). O destino era São Joaquim e a previsão inicial era de que o pouso acontecesse às 11h24. A aeronave, porém, continuou em voo além do horário programado para a chegada.
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De acordo com dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), o último sinal captado ocorreu às 11h34. A estimativa da FAB é de que a queda tenha acontecido por volta das 11h35 — apenas um minuto depois desse último registro e cerca de 11 minutos após o horário previsto para o pouso.
Cantor Rick: o que aconteceu nos últimos minutos do voo?
A cronologia divulgada até agora permite estabelecer horários, mas ainda não explica o que provocou a queda.
A sequência conhecida é:
10h30: helicóptero decola de Porto Belo;
11h24: horário previsto para o pouso em São Joaquim;
11h34: último sinal da aeronave é captado;
11h35: horário estimado pela FAB para a queda.
O último registro foi obtido por um radar de vigilância de rota aérea. Segundo a FAB, informações como posição, altitude e velocidade naquele momento serão analisadas pelos investigadores.
Helicóptero já deveria ter chegado ao destino
Um dos detalhes que chama atenção na reconstrução é justamente a diferença entre o horário inicialmente previsto para o pouso e os registros finais.
A aeronave deveria chegar a São Joaquim às 11h24, mas ainda emitia sinal dez minutos depois. A queda é estimada para as 11h35.
Isso, sozinho, não permite concluir por que o voo se estendeu nem qual foi a causa do acidente. Esses pontos fazem parte da investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Tempo na Serra também será analisado
As condições meteorológicas encontradas durante o voo estão entre as informações que serão examinadas.
Na região serrana havia chuva, vento e baixa visibilidade provocada pela nebulosidade. Durante as próprias buscas pelo helicóptero, equipes enfrentaram dificuldades devido ao mau tempo e ao relevo montanhoso.
Essas condições, porém, não foram apontadas oficialmente como a causa do acidente.
O Cenipa deverá confrontar dados meteorológicos com informações da aeronave, comunicações, trajetória, fatores humanos, sistemas e outros elementos antes de chegar a qualquer conclusão.
Caixa-preta pode ajudar a reconstruir o que aconteceu
Outro elemento importante da investigação foi recuperado entre os destroços.
O Cenipa encontrou o gravador de voz da cabine, conhecido como CVR (Cockpit Voice Recorder). O equipamento registra comunicações e sons no interior da cabine e foi encaminhado para análise.
O conteúdo poderá ajudar os investigadores a entender o que ocorria dentro do helicóptero nos momentos que antecederam a queda.
Isso pode incluir conversas entre os pilotos, comunicações, alarmes e outros ruídos captados pelo equipamento. A existência do gravador, no entanto, não significa que uma causa já tenha sido identificada.
Destroços foram encontrados no dia seguinte
O helicóptero só foi localizado no dia seguinte ao acidente.
Os destroços foram encontrados por volta do meio-dia de terça-feira (22), em uma área rural e de difícil acesso em Urubici, na Serra Catarinense. Para chegar por terra ao ponto, as equipes enfrentaram mata e terreno montanhoso.
Participaram das buscas bombeiros, cães, drones, Polícia Militar e aeronaves da FAB.
Depois da localização, o Cenipa enviou investigadores para realizar a chamada ação inicial, etapa em que são coletados dados, avaliados os danos e reunidos materiais considerados relevantes para a investigação.
Cinco pessoas morreram na queda
Além do cantor Rick, estavam no helicóptero o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu.
A aeronave era um Bell 430, fabricado em 2001. Conforme os dados consultados após o acidente, o helicóptero estava com certificado de aeronavegabilidade válido.
Investigação ainda não aponta causa da queda
Apesar da divulgação da cronologia dos minutos finais, a principal pergunta permanece sem resposta: por que o helicóptero caiu?
O Cenipa já encerrou a primeira etapa de coleta no local e passou à análise das informações.
Serão considerados dados do voo, meteorologia, aspectos operacionais, fatores humanos, componentes e sistemas da aeronave. A FAB informou que não existe prazo definido para a conclusão da investigação.
Por enquanto, portanto, os horários revelam que houve apenas cerca de um minuto entre o último sinal captado e o momento estimado da queda, mas não permitem determinar o que ocorreu nesse intervalo.

