Uma das maiores tragédias da aviação brasileira completa 20 anos nesta terça-feira (29): a queda do Voo 1907 da Gol. No Boeing 737 estavam 154 pessoas a bordo, sendo um deles, morador de Canoas. Todos morreram.
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), o avião da Gol fazia um voo de Manaus para o Rio de Janeiro com escala em Brasília. Porém, no Norte de Mato Grosso, o Boeing 737 da companhia aérea brasileira foi atingido por um jato Legacy 600 dos Estados Unidos.
LEIA TAMBÉM:
- Eleições vão atrasar o 5º dia útil de outubro? Veja quando será o pagamento do salário
- Dono de famosa rede de supermercados fecha 28 lojas, demite 6,6 mil funcionários e vê R$ 4,2 bilhões sumirem da fortuna
- Brasileiros com dívidas antigas há anos poderão ter cobrança encerrada e nome retirado da lista de negativados; Justiça define quais débitos entram na regra
Com o choque, o avião da Gol perdeu um terço da asa esquerda. A aeronave ficou incontrolável e acabou se desintegrando no ar. Os destroços caíram em uma área de mata fechada.
O jato ficou sem parte da ponta da asa e pousou na Base Aérea do Cachimbo, no Pará. Neste momento, o acidente foi descoberto.
Morador de Canoas estava entre as vítimas do voo 1907 da Gol
Dentro da aeronave que realizava o voo 1907 estavam 154 pessoas. Destas, 147 eram passageiros, sendo o restante (6) tripulantes da aeronave.
Entre as vítimas fatais estava o engenheiro mecânico Rolf Ferdinando Gutjhar que, na época da tragédia, tinha 50 anos. Natural e morador de Canoas por anos, o profissional era proprietário de uma empresa no Amazonas e havia aberto uma filial em Curitiba, onde morava com a família.
Todos os finais de semana ele fazia o trajeto entre Manaus e Curitiba.
Em entrevista ao G1 em 2023 a viúva de Rolf, Rosane Gutjahr, disse que ainda não conseguiu enfrentar o luto.
“Meu marido morreu por nada, por um erro. Não foi um acidente”, disse em entrevista ao G1.
Além de esposa e filha, Rolf deixou quatro irmãos e mãe em Canoas, na época do acidente.
Outros gaúchos no voo
Rolf não era o único gaúcho no voo da Gol. Também estavam na aeronave:
- Eleta Cordero Pivotto de 55 anos – Faxinal do Soturno;
- Hugo Otto Beyer de 49 anos – Uruguaiana;
- Nelson Colognese de 37 anos – Farroupilha;
- André Luis Carneiro da Fontura de 31 anos – Porto Alegre;
- Ivan Copat de 38 anos – Bento Gonçalves;
- Leonardo Ramalho Rodrigues Alves de 44 anos – Rosário do Sul;
- Jaques Acker de 36 anos – Novo Hamburgo;
- Lurdes Balbinot Panizzi de 53 anos – Passo Fundo;
- Sandra da Silva Martins de 29 anos – Esteio;
- Adão Adair de Melo Rodrigues de 40 anos – Santa Maria.
O que concluiu a investigação sobre o acidente
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou uma combinação de fatores que permitiu que o Legacy e o Boeing 737 da Gol permanecessem em rota de colisão sem que as tripulações recebessem, a tempo, um alerta capaz de evitar o acidente.
No Legacy, dois sistemas fundamentais para a prevenção de colisões — o transponder e o TCAS, sigla em inglês para Sistema Anticolisão de Bordo — estavam inoperantes no momento do choque. No Boeing da Gol, os equipamentos funcionavam normalmente.
O TCAS identifica aeronaves próximas e, diante de uma ameaça de colisão, pode orientar os pilotos a subir, descer ou manter a altitude. Para isso, porém, depende das informações transmitidas pelo transponder da outra aeronave.
Como o transponder do Legacy não estava funcionando, o TCAS do avião da Gol não conseguiu detectar corretamente o jato executivo nem emitir aos pilotos uma ordem de manobra para evitar a colisão.
De acordo com o Cenipa, testes realizados posteriormente não encontraram defeitos nos equipamentos do Legacy. A investigação concluiu que o transponder foi desligado inadvertidamente e apontou, entre os fatores contribuintes, a pouca experiência dos pilotos com a aeronave e seus sistemas, além da perda de consciência situacional durante o voo.
O relatório também destacou que a tripulação do Legacy passou longo período enfrentando dificuldades de comunicação com o controle de tráfego aéreo sem perceber plenamente a situação. Durante aproximadamente uma hora, o jato permaneceu em um nível de voo incompatível com o sentido em que seguia, sem que houvesse uma confirmação da altitude junto aos controladores.
Já em relação ao Boeing 737 da Gol, o Cenipa afirmou não ter identificado falhas ativas da tripulação nem falhas latentes relacionadas à organização da companhia aérea.
Pilotos do Legacy foram condenados
Os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino foram posteriormente condenados pela Justiça brasileira a três anos e um mês de prisão pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O processo transitou em julgado em 2015.
Em 2017, a Justiça Federal determinou a prisão dos dois. Eles, porém, permaneceram nos Estados Unidos e não chegaram a cumprir pena em uma prisão brasileira. Anos depois, o Brasil solicitou a extradição dos pilotos, mas o pedido foi negado pelo governo norte-americano.

