Mais de mil endereços de bets ilegais foram identificados em um único dia após o anúncio de uma medida provisória que proíbe a exploração de apostas de quota fixa no Brasil. O levantamento apontou 1.689 novos endereços no dia seguinte à divulgação da medida, ampliando a lista de páginas suspeitas de atuar irregularmente.
Os dados fazem parte de um sistema de monitoramento mantido por empresas que já atuavam no mercado legalizado de apostas. O levantamento também identificou páginas que utilizam nomes de marcas conhecidas para tentar atrair apostadores.
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É importante diferenciar a identificação de novos endereços da comprovação de que todos foram criados naquele dia. Os números representam os domínios detectados pelo monitoramento e não necessariamente a data de criação de cada página.
Sites irregulares usam nomes de marcas conhecidas
Entre os endereços identificados, há páginas que se apropriam de marcas que anteriormente estavam autorizadas pelo Ministério da Fazenda, como H2bet, Vaidebet e Novibet.
Uma das formas de identificar possíveis páginas falsas é observar o endereço eletrônico. Plataformas autorizadas precisam utilizar o domínio terminado em .bet.br, conforme as regras aplicáveis ao mercado regulado.
Já sites suspeitos podem utilizar terminações diferentes, como .games, .site ou .top. Esse detalhe, isoladamente, não substitui a consulta aos canais oficiais, mas pode ajudar o usuário a perceber sinais de irregularidade.
Também foram identificadas páginas que exibiam informações sobre suposta autorização governamental, embora o endereço não correspondesse ao domínio oficial da marca.
Governo já anunciou bloqueio de milhares de sites
O combate às apostas irregulares já estava em andamento antes da nova medida provisória.
Segundo informações divulgadas pelo governo, cerca de 70 mil sites haviam sido derrubados até o anúncio da proibição. Mesmo assim, novas páginas continuaram aparecendo nos sistemas de monitoramento.
Após a publicação da medida, os Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda também anunciaram uma força-tarefa que retirou do ar 506 sites com indícios de oferta irregular de apostas.
A sequência de bloqueios e a identificação de novos endereços mostram o desafio de impedir que operadores irregulares voltem a oferecer serviços por meio de outros domínios.
Influenciadores continuam divulgando links de apostas
Outro ponto identificado é a continuidade da divulgação de links de casas de apostas nas redes sociais.
Publicações de influenciadores direcionam seguidores para plataformas que podem não estar autorizadas a operar no Brasil. Em alguns casos, as divulgações apresentam as páginas como alternativas que continuariam funcionando apesar da medida governamental.
A situação pode dificultar a identificação de serviços regulares por parte dos usuários, principalmente quando os links são acompanhados de marcas conhecidas, promessas de vantagens ou mensagens que sugerem segurança.
Antes de se cadastrar ou fornecer dados pessoais, é importante verificar a situação da plataforma nos canais oficiais. A aparência profissional de um site ou a divulgação por uma pessoa conhecida não comprova que a operação seja autorizada.
O que muda com a medida provisória contra as bets?
A Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional.
A norma também institui um comitê interinstitucional para fiscalizar a exploração e a publicidade ilegal dessas apostas.
A medida alterou o cenário regulatório das plataformas que operavam no país. As entidades do setor, por sua vez, contestaram a decisão e recorreram ao Supremo Tribunal Federal para tentar suspender seus efeitos.
O alcance e a aplicação da medida devem ser acompanhados conforme o andamento dos processos judiciais e as orientações dos órgãos responsáveis.
Quais são os riscos de acessar uma bet ilegal?
Plataformas sem autorização podem não oferecer as mesmas garantias de fiscalização e proteção ao consumidor exigidas das empresas submetidas às regras brasileiras.
Entre os riscos estão a dificuldade para recuperar valores, a falta de mecanismos adequados de atendimento e proteção de dados e a possibilidade de realizar apostas sem controles suficientes de idade e identificação.
Além disso, sites que imitam marcas conhecidas podem induzir o usuário a acreditar que está acessando uma plataforma legítima.
Por isso, o ideal é não confiar apenas no nome, na aparência da página ou em links compartilhados nas redes sociais. A consulta aos canais oficiais é uma etapa importante para verificar a situação de qualquer operador.
Setor de apostas questiona proibição na Justiça
Entidades ligadas ao mercado de jogos e apostas acionaram o Supremo Tribunal Federal para pedir a suspensão da medida provisória.
Representantes do setor argumentam que a proibição pode atingir empresas que recolhiam impostos e estavam submetidas a regras de fiscalização. Essas declarações representam a posição das entidades que contestam a medida.
O governo, por sua vez, colocou em prática ações de fiscalização e bloqueio de páginas suspeitas.
O desfecho jurídico ainda depende da análise das autoridades competentes. Enquanto isso, o monitoramento dos sites e as medidas contra operações irregulares continuam no centro da discussão sobre o mercado de apostas no Brasil.

