Vítimas de violência doméstica podem ter direito a auxílio mensal de um salário mínimo por até um ano

Projeto em análise na Câmara prevê auxílio mensal de um salário mínimo para vítimas de violência doméstica, com possibilidade de renovação por mais um ano.

Mulheres que enfrentam violência doméstica podem ganhar um apoio financeiro para reconstruir a própria vida e romper a dependência econômica do agressor. Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados prevê o pagamento mensal de um salário mínimo para mulheres em situação de vulnerabilidade, com possibilidade de prorrogação do benefício.

A medida faz parte do Projeto de Lei 1794/26, que cria o programa Recomeçar Mulher. A iniciativa busca oferecer condições financeiras mínimas para que as beneficiárias consigam se afastar de situações de violência e reorganizar a vida com mais segurança.

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Pelo texto, o auxílio poderá ser pago por até 12 meses. O período poderá ser renovado por mais um ano, desde que uma nova avaliação social confirme que a mulher continua em situação de vulnerabilidade.

Quem poderá receber o auxílio para vítimas de violência doméstica?

A proposta estabelece critérios para ter acesso ao benefício. Será necessário que a mulher tenha uma medida protetiva de urgência concedida pela Justiça e esteja inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, o CadÚnico.

O valor também poderá aumentar conforme a composição familiar. O projeto prevê um acréscimo equivalente a 10% do salário mínimo por dependente menor de 18 anos ou por pai ou mãe da beneficiária que dependa financeiramente dela.

Além do pagamento mensal, o texto prevê uma parcela emergencial única, também equivalente a um salário mínimo. Esse valor deverá ser pago pelo município por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), em até dez dias após a apresentação da decisão judicial.

Projeto prevê apoio financeiro emergencial

A proposta também busca atender mulheres que precisam de recursos imediatos para enfrentar uma situação de violência. A parcela emergencial seria uma forma de oferecer suporte inicial, enquanto o auxílio mensal ajudaria a manter condições financeiras durante o processo de reconstrução da vida.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor do projeto, afirma que a dependência econômica está entre as principais barreiras para mulheres que tentam romper o ciclo de violência.

Pelo texto, caberá ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) analisar os pedidos, conceder e pagar o benefício. O órgão deverá atuar em articulação com o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e com a rede de atendimento à mulher.

O financiamento deverá vir de recursos da União destinados à assistência social, incluindo verbas do Fundo Nacional de Assistência Social.

Auxílio para vítimas de violência doméstica ainda depende de aprovação

Apesar dos valores e critérios previstos, o benefício ainda não está em vigor. O Projeto de Lei 1794/26 precisa passar pela análise das comissões da Câmara dos Deputados.

A tramitação será em caráter conclusivo pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Nesse tipo de tramitação, a proposta pode ser aprovada pelas comissões sem precisar passar pelo plenário da Câmara, desde que sejam cumpridas as regras regimentais e não haja recurso para votação em plenário. O texto ainda precisa avançar no processo legislativo para que as medidas propostas possam entrar em vigor.

Até lá, o pagamento mensal, a parcela emergencial e os demais critérios descritos no projeto são medidas previstas na proposta, e não um benefício já disponível para solicitação.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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