Super El Niño pode provocar seis ondas de calor no Brasil até dezembro; Defesa Civil alerta para riscos

Brasil pode enfrentar ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026. Veja as regiões em alerta, os riscos do El Niño e como se proteger.

O Brasil poderá enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma projeção climática associada ao fortalecimento do El Niño. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode contribuir para temperaturas elevadas, períodos de baixa umidade e aumento do risco de incêndios em diferentes áreas do país.

O cenário preocupa meteorologistas e autoridades de proteção civil, principalmente diante da possibilidade de o El Niño alcançar intensidade muito forte no último trimestre do ano. Um boletim divulgado por órgãos federais em outubro aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir essa categoria entre outubro e dezembro.

LEIA TAMBÉM:

A projeção de seis ondas de calor, porém, não significa que todos os episódios já tenham datas definidas ou que seis novas ondas ocorrerão necessariamente a partir de agora. O número considera o período iniciado em setembro e poderá mudar conforme a evolução das condições atmosféricas.

Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até dezembro

A estimativa relacionada aos episódios de calor considera décadas de registros meteorológicos e os possíveis efeitos do El Niño sobre o clima brasileiro.

A pesquisadora Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), aponta que a intensidade do fenômeno pode favorecer a ocorrência desses eventos extremos.

O histórico recente ajuda a dimensionar o risco. Durante o El Niño de 2023 e 2024, o Brasil registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro.

Isso não significa que o mesmo número será repetido em 2026. A quantidade e a intensidade dos episódios dependem de diferentes fatores, incluindo a circulação atmosférica, a presença de massas de ar quente e a distribuição das chuvas.

El Niño tem 95% de probabilidade de atingir intensidade muito forte

O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em outubro, indicou 95% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro.

O documento foi elaborado por instituições federais que acompanham as condições meteorológicas, os recursos hídricos e os possíveis impactos sobre o território brasileiro.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de partes do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que a média por um período prolongado. Essa alteração influencia a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

Quando o aquecimento é particularmente intenso, os efeitos sobre o clima podem se tornar mais expressivos. Mesmo assim, o fenômeno não determina sozinho as condições do tempo em cada cidade, e as previsões precisam ser atualizadas conforme novos dados são registrados.

Quais regiões podem enfrentar mais calor?

As projeções para a primavera de 2026 indicam temperaturas acima da média em diversas áreas do país, com atenção especial para partes do Centro-Oeste e do Sudeste.

Em algumas localidades, os desvios podem superar 2°C em relação às médias climatológicas. Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e áreas do norte de São Paulo estão entre os locais que podem registrar diferenças expressivas.

O calor persistente, principalmente quando acompanhado de pouca chuva, pode aumentar o desconforto térmico e elevar a demanda por água.

No Norte e no Nordeste, determinadas áreas também podem enfrentar períodos de estiagem e baixa umidade do ar. Os efeitos, no entanto, não serão uniformes dentro de cada região.

É importante destacar que temperaturas médias acima do normal não significam automaticamente uma onda de calor. Essa classificação depende da intensidade e da duração das temperaturas elevadas.

Sul pode ter mais chuva enquanto outras regiões enfrentam seca

O El Niño não provoca apenas calor. No Brasil, o fenômeno também está associado a mudanças na distribuição das chuvas, com efeitos diferentes conforme a região e a época do ano.

No Sul, as projeções apontam maior possibilidade de precipitações acima da média, o que mantém a preocupação com cheias, alagamentos e inundações.

Já partes do Norte e do Nordeste podem enfrentar condições mais secas, enquanto áreas do Centro-Oeste exigem atenção para a combinação de calor persistente e irregularidade das chuvas.

Esses cenários são tendências climáticas, não previsões definitivas para todos os municípios. A ocorrência de temporais, períodos secos e temperaturas extremas também depende da atuação de frentes frias e de outros sistemas meteorológicos.

Por isso, moradores devem acompanhar os boletins e avisos emitidos pelos órgãos oficiais para suas localidades.

Defesa Civil alerta para baixa umidade e temperaturas extremas

Os períodos de calor intenso podem vir acompanhados de umidade relativa do ar muito baixa. Em outubro, autoridades já reforçaram recomendações de proteção para moradores de áreas sob alerta.

Em condições de baixa umidade, o organismo perde água com maior facilidade, enquanto o ar seco pode aumentar o desconforto respiratório. A combinação de calor e exposição prolongada ao sol também eleva o risco de desidratação e exaustão térmica.

Entre as orientações de prevenção estão:

  • Beber água regularmente ao longo do dia;
  • Evitar exercícios físicos intensos nos horários mais quentes;
  • Reduzir a exposição direta ao sol, principalmente nas horas de maior calor;
  • Procurar ambientes frescos e ventilados;
  • Dar atenção especial a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas;
  • Acompanhar os alertas da Defesa Civil e as atualizações meteorológicas locais.

Tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas e mal-estar podem indicar que o calor está afetando o organismo. Confusão mental, desmaio ou piora importante dos sintomas exigem atendimento médico imediato.

Calor extremo pode aumentar o risco de incêndios

Outra preocupação está relacionada aos incêndios em áreas de vegetação. Quando as temperaturas permanecem elevadas e a chuva diminui, plantas e materiais orgânicos perdem umidade e ficam mais suscetíveis à propagação do fogo.

O vento pode agravar a situação, espalhando as chamas e dificultando o trabalho das equipes de combate.

Por esse motivo, órgãos de monitoramento recomendam evitar queimadas, não utilizar fogo para limpar terrenos e não descartar cigarros em locais com vegetação seca.

O risco varia conforme as condições locais. Mesmo em períodos de calor intenso, a ocorrência de incêndios depende também da umidade, do vento e da disponibilidade de material combustível.

Quando as ondas de calor vão acontecer?

Até o momento, a projeção de seis ondas de calor não estabelece um calendário com datas específicas para cada episódio.

A estimativa abrange o período de setembro a dezembro de 2026 e pode ser revisada conforme a evolução do El Niño e das condições atmosféricas.

Para saber quando uma determinada cidade poderá enfrentar calor extremo, o mais importante é consultar as previsões de curto prazo e os alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Defesa Civil.

O cenário climático exige atenção, mas não permite afirmar que todas as regiões enfrentarão seis ondas de calor ou que os episódios terão a mesma intensidade.

A recomendação é acompanhar as atualizações oficiais, manter cuidados básicos de hidratação e observar os avisos específicos para cada município durante a primavera e o início do verão.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS