A cantora gospel Aline Barros e o marido, Gilmar Santos, ex-jogador de futebol, são citados em uma disputa judicial que envolve R$ 398 mil e acusações de suposta ocultação de patrimônio. A empresa Fanplay Technology Produções e Eventos Ltda. afirma que o casal teria participado de uma estrutura empresarial que dificultaria o pagamento de uma dívida deixada por uma produtora da qual os dois eram sócios.
As informações constam em documentos obtidos com exclusividade pela coluna Daniel Nascimento, do jornal O Dia. Em maio de 2026, a empresa apresentou à Justiça de São Paulo um pedido para tentar responsabilizar a cantora, o marido e outras pessoas jurídicas pelo débito.
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A assessoria de Aline Barros nega qualquer fraude. Segundo a equipe da artista, o caso envolve divergências contratuais entre empresas relacionadas a uma parceria comercial para a realização de um evento virtual.
Até o momento, não há decisão definitiva reconhecendo fraude patrimonial por parte da cantora ou determinando que ela responda pessoalmente pela dívida.
Como começou a disputa judicial envolvendo Aline Barros?
A origem da cobrança remonta a 2019, quando a Fanplay e o Grupo Gênesis de Produções e Eventos Itinerantes Ltda. firmaram uma parceria comercial para a realização de eventos.
Como parte do acordo, a Fanplay antecipou R$ 120 mil para ajudar a financiar a primeira produção. O evento foi realizado, mas a arrecadação não teria sido suficiente para cobrir todas as despesas e devolver o valor antecipado. Uma segunda produção também estava prevista, mas não saiu do papel.
Sem conseguir recuperar o investimento, a Fanplay acionou a Justiça em 2020. O Grupo Gênesis contestou a cobrança, argumentando que o dinheiro fazia parte de uma parceria comercial, e não de um empréstimo.
A Justiça determinou que a produtora devolvesse R$ 125 mil, além de juros, correção monetária e despesas processuais. A condenação se tornou definitiva, mas a empresa credora não conseguiu encerrar a cobrança com o pagamento do valor.
Foi nesse contexto que a Fanplay passou a questionar se outras pessoas e empresas poderiam ser responsabilizadas pela dívida.
Por que Aline Barros e o marido foram incluídos no processo?
Aline Barros e Gilmar Santos integravam o quadro societário do Grupo Gênesis, a produtora condenada a pagar o débito. A empresa credora passou a questionar o encerramento das atividades da companhia enquanto a cobrança judicial ainda estava em andamento.
A extinção do Grupo Gênesis foi registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro em maio de 2025. Segundo a Fanplay, o documento indicava que as atividades haviam terminado em 2023, embora o registro oficial só tenha sido feito dois anos depois.
A partir disso, a empresa levantou a suspeita de que parte das atividades e receitas relacionadas à carreira de Aline Barros poderia ter sido transferida para outras empresas, enquanto a dívida permanecia sem pagamento.
A Fanplay sustenta que essa possível reorganização teria dificultado o recebimento do dinheiro. No entanto, a hipótese apresentada pela credora ainda não foi reconhecida judicialmente como fraude.
Empresa aponta suspeita de ocultação de patrimônio
Em maio de 2026, a Fanplay apresentou à Justiça um incidente de desconsideração da personalidade jurídica, procedimento que busca permitir a responsabilização de pessoas físicas ou outras empresas por uma dívida empresarial quando os requisitos legais são demonstrados.
O pedido recebeu o valor de R$ 398.506,90 e inclui, além de Aline Barros e Gilmar Santos, o empresário Ivanildo Medeiros Nunes e as empresas Aline Barros Produções Artísticas Ltda., Criative Music Ltda. e Criative Agenciamento Ltda.
As duas últimas empresas, sediadas em Vila Velha, no Espírito Santo, foram citadas pela Fanplay em razão de suas relações comerciais com a carreira da cantora.
Na ação, a credora levanta suspeitas de confusão patrimonial, sucessão empresarial irregular e utilização de outras pessoas jurídicas para administrar recursos financeiros.
Em um recurso apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, o desembargador Elói Estevão Troly resumiu os argumentos da empresa. Segundo o trecho registrado no documento, a Fanplay sustenta que “há robusta prova documental de fraude patrimonial, desvio de ativos e utilização de pessoas físicas e jurídicas interpostas para ocultação do patrimônio”.
A afirmação reproduz a tese apresentada pela empresa no processo e não representa, por si só, uma conclusão judicial de que a fraude tenha ocorrido.
A Fanplay também menciona uma suposta distribuição de R$ 33 milhões em lucros pela Criative Music, cujo capital social seria de R$ 3,5 milhões. O dado aparece entre os argumentos da credora, mas a distribuição de lucros em valor superior ao capital social não comprova, isoladamente, a existência de fraude.
Contrato de exclusividade de Aline Barros entra na disputa
Outro documento citado pela Fanplay é um contrato de representação artística exclusiva firmado entre Aline Barros e a Criative Music em janeiro de 2023.
Pelo acordo, a empresa ficaria responsável pela representação comercial da cantora e receberia 10% dos valores das contratações. Os outros 90% seriam destinados à artista.
A Fanplay utiliza o contrato para sustentar a suspeita de que receitas ligadas à carreira de Aline Barros teriam passado a ser administradas por outras empresas, enquanto a dívida do Grupo Gênesis continuava sem pagamento.
A existência do contrato, entretanto, não comprova ocultação de patrimônio ou qualquer outra irregularidade. Essa é uma das questões que dependem da análise judicial.
Justiça negou pedidos de bloqueio de bens
Para tentar garantir o recebimento da dívida, a Fanplay pediu o bloqueio cautelar de contas bancárias e de créditos relacionados às atividades artísticas dos envolvidos.
A empresa solicitou que a medida fosse adotada sem comunicação prévia aos requeridos, alegando risco de transferência ou ocultação de recursos. Também pediu a retenção de eventuais pagamentos pendentes de contratos com as prefeituras de Itaboraí, no Rio de Janeiro, e Balsas, no Maranhão.
O pedido foi negado em 30 de julho de 2026 pelo juiz André Frederico de Sena Horta, da 1ª Vara Cível de Barueri, em São Paulo. O magistrado considerou que, naquele momento, não havia elementos suficientes para impor restrições patrimoniais a terceiros cuja eventual responsabilidade ainda precisava ser analisada.
A Fanplay recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e voltou a pedir o bloqueio de recursos, desta vez até o limite de R$ 361.084,65.
Em 7 de agosto, o desembargador Elói Estevão Troly, da 15ª Câmara de Direito Privado, também negou a medida urgente por entender que não estavam demonstrados, naquela fase inicial, os requisitos necessários para autorizar o bloqueio.
As decisões dizem respeito aos pedidos de restrição patrimonial. Elas não encerram a discussão sobre a eventual responsabilidade de Aline Barros, do marido e dos demais envolvidos pela dívida.
O que diz a assessoria de Aline Barros?
Procurada pela coluna Daniel Nascimento, a assessoria da cantora gospel negou as acusações de fraude patrimonial e afirmou que a disputa decorre de divergências contratuais entre empresas.
A equipe também declarou que os envolvidos estão participando regularmente do processo, por meio de seus advogados, e que respeitarão a decisão final da Justiça.
Leia o comunicado na íntegra:
Como mencionado em sua mensagem, trata-se de uma disputa judicial entre empresas, que vem sendo, portanto, tratada por nossos advogados.
Apenas a título de esclarecimento, cabe dizer que os processos versam sobre questões contratuais referentes a uma parceria comercial estabelecida para a realização de um evento virtual, ocorrido muitos anos atrás, à época da pandemia da COVID-19.
Os contratos estipulavam obrigações mútuas e, por ocasião de seu encerramento, ocorreram interpretações divergentes quanto à essas obrigações, o que gerou a disputa judicial.
Obviamente, não há qualquer motivação para se falar em fraude ou algo do tipo, uma vez que nossa empresa sempre atuou e continua atuando rigorosamente dentro da lei, além de estar participando regularmente do processo, defendendo seus direitos e interesses e prestando as informações que lhe são solicitadas pelo poder judiciário.
Qualquer alegação em sentido contrário representa mera e descabida ilação, sendo certo, ainda, que, de nossa parte, será integralmente acatada a decisão final que vier a ser proferida pela Justiça.
Disputa envolvendo Aline Barros ainda não tem decisão definitiva
A disputa judicial sobre a dívida de R$ 398 mil continua em andamento nos documentos analisados. A Fanplay tenta ampliar a cobrança para alcançar pessoas e empresas que considera relacionadas à estrutura empresarial do Grupo Gênesis.
Até a última consulta mencionada pela coluna, não havia decisão definitiva reconhecendo fraude patrimonial por Aline Barros nem determinação para que a cantora respondesse pessoalmente pelo débito.
Assim, as acusações permanecem como alegações apresentadas pela empresa credora, enquanto a assessoria da artista nega irregularidades e afirma que o caso envolve divergências contratuais. Caberá à Justiça analisar os argumentos e os documentos apresentados pelas partes.

