As polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro receberam equipamentos especiais para neutralizar drones utilizados pelo crime organizado. A entrega dos chamados fuzis antidrones foi realizada pelo governo federal em outubro e faz parte de uma estratégia para ampliar a capacidade das forças de segurança diante do uso de aeronaves remotamente pilotadas por organizações criminosas.
Os dispositivos, conhecidos como Jammer Antidrone, têm capacidade anunciada de interferir nos sinais de comunicação e navegação de drones a distâncias de até três quilômetros. A tecnologia busca dificultar o monitoramento de operações policiais e o uso dessas aeronaves para transportar materiais ilícitos ou realizar ataques.
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Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, quatro equipamentos foram entregues em 16 de outubro de 2026: dois destinados à Polícia Civil e dois à Polícia Militar do Rio de Janeiro.
O investimento federal nesses quatro aparelhos foi de R$ 1,53 milhão. Além deles, o governo informou que pretende entregar dois sistemas avançados Enforce Air2, com investimento adicional de R$ 7,25 milhões. Com as duas iniciativas, o montante destinado às tecnologias antidrones para o estado chega a R$ 8,78 milhões.
Como funcionam os fuzis antidrones?
Apesar do formato semelhante ao de uma arma de grande porte, os equipamentos não disparam balas nem projéteis. Eles utilizam interferência eletrônica para afetar os sinais que permitem a comunicação entre o drone e seu operador.
Quando o bloqueio funciona, a aeronave pode perder a conexão com o controle remoto. O comportamento posterior depende do modelo do drone, dos sistemas de segurança instalados e das condições em que a interferência acontece.
Algumas aeronaves podem iniciar procedimentos automáticos de retorno ou pouso, enquanto outras podem apresentar respostas diferentes à perda de sinal. Por isso, o bloqueio não significa necessariamente que o drone cairá imediatamente.
O alcance anunciado de até três quilômetros também não representa uma garantia de neutralização de qualquer aeronave nessa distância. A eficácia depende das características do equipamento e das condições de operação.
Por que as polícias querem neutralizar drones criminosos?
O uso de drones por organizações criminosas representa um desafio adicional para as forças de segurança. As aeronaves podem ser utilizadas para observar a movimentação de policiais, acompanhar operações e monitorar territórios controlados por grupos rivais.
Em situações mais graves, esses dispositivos também podem ser empregados para transportar armas e drogas ou lançar artefatos explosivos.
O monitoramento aéreo pode fornecer informações sobre a localização e o deslocamento das equipes policiais, dificultando operações em determinadas áreas. Os bloqueadores eletrônicos foram adquiridos para oferecer mais uma ferramenta de resposta a esse tipo de ameaça.
A tecnologia, no entanto, não substitui o planejamento operacional, o trabalho de inteligência e as demais medidas de segurança necessárias durante as ações policiais.
Policiais receberam treinamento para utilizar os equipamentos
Em 22 de outubro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou um treinamento integrado na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. Participaram profissionais das polícias Civil e Militar, que receberam orientações sobre o uso seguro dos sistemas antidrones.
A capacitação foi conduzida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e integra a estratégia de modernização tecnológica das forças policiais.
O treinamento é importante porque a utilização de equipamentos de interferência eletrônica exige procedimentos específicos. Os agentes precisam compreender o funcionamento dos aparelhos, suas limitações e as medidas necessárias para empregá-los de maneira coordenada.
A preparação também busca reduzir riscos durante operações em áreas urbanas, onde a neutralização de uma aeronave pode exigir cuidados adicionais.
Quanto o governo federal está investindo?
Os valores divulgados pelo Ministério da Justiça distinguem a aquisição dos fuzis portáteis de outros sistemas antidrones previstos para o Rio de Janeiro.
Confira os números informados pelo governo:
- R$ 1,53 milhão: investimento nos quatro fuzis Jammer entregues às polícias Civil e Militar.
- R$ 7,25 milhões: investimento previsto para dois sistemas avançados Enforce Air2.
- R$ 8,78 milhões: total anunciado para as tecnologias antidrones destinadas às forças de segurança do estado.
Os valores se referem ao conjunto de iniciativas anunciado pelo ministério. O custo dos quatro fuzis entregues não deve ser confundido com o investimento total, que inclui os sistemas avançados previstos para uma etapa posterior.
O governo também informou que a iniciativa integra uma estratégia nacional com previsão de aproximadamente R$ 31 milhões em tecnologias para enfrentar o uso criminoso de drones.
Tecnologia pode chegar a outros estados
A experiência no Rio de Janeiro faz parte de uma estratégia de cooperação entre o governo federal e as administrações estaduais para ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança.
O objetivo é compartilhar recursos tecnológicos e conhecimento técnico para enfrentar ameaças relacionadas ao uso ilegal de aeronaves remotamente pilotadas.
A expansão da iniciativa depende da execução dos planos de aquisição e distribuição dos equipamentos. Até que novas entregas sejam oficialmente confirmadas, não é possível afirmar que os mesmos dispositivos já estejam disponíveis em todas as unidades da Federação.
Equipamentos são uma resposta a novas ameaças
A chegada dos fuzis antidrones amplia o conjunto de ferramentas disponíveis às polícias do Rio de Janeiro para lidar com aeronaves usadas em atividades criminosas.
O investimento combina aquisição de tecnologia e capacitação dos profissionais responsáveis por sua utilização. O resultado prático dependerá da forma como os aparelhos serão empregados nas operações e da capacidade de responder a diferentes modelos de drones.
Embora o alcance anunciado seja de até três quilômetros, o desempenho pode variar conforme as condições de uso. A tecnologia representa um recurso adicional no combate ao crime organizado, mas não elimina, isoladamente, as demais ameaças enfrentadas pelas forças de segurança.

