Supermercado anuncia corte de 3 mil empregos e amplia uso de inteligência artificial

A Kroger planeja cortar 3 mil cargos corporativos e ampliar a inteligência artificial. Veja como a automação avança nos supermercados.

A inteligência artificial está ganhando espaço no setor supermercadista e começa a influenciar decisões sobre custos, organização do trabalho e contratação de funcionários. Nos Estados Unidos, a Kroger, uma das maiores redes de supermercados do país, anunciou um plano para eliminar aproximadamente 3 mil cargos corporativos ao longo dos próximos três anos.

A medida faz parte de uma reestruturação que pretende reduzir despesas administrativas, simplificar processos internos e aumentar a eficiência da operação. A empresa também afirma que pretende direcionar parte dos recursos economizados para reduzir preços e investir nos funcionários que trabalham diretamente nas lojas.

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O anúncio reacendeu o debate sobre como a inteligência artificial pode transformar o mercado de trabalho. Embora a tecnologia seja parte da estratégia da companhia, a rede não divulgou quantas das vagas eliminadas serão substituídas diretamente por sistemas de IA.

Kroger pretende cortar cerca de 37% dos cargos corporativos

Com sede em Cincinnati, no estado americano de Ohio, a Kroger possui aproximadamente 2,7 mil lojas distribuídas por 35 estados dos Estados Unidos.

O plano anunciado prevê a eliminação de cerca de 3 mil postos de trabalho corporativos. A empresa tem aproximadamente 8,2 mil funcionários em suas áreas administrativas, o que significa que os cortes podem representar cerca de 37% desse quadro.

Segundo a direção da companhia, a estrutura atual possui camadas administrativas e atividades repetidas que podem ser reorganizadas. A proposta é simplificar o funcionamento interno e reduzir custos que, na avaliação da empresa, dificultam a operação.

A mudança, conforme o anúncio, está concentrada nos cargos corporativos, e não representa um plano de demissão de 3 mil trabalhadores que atuam diretamente nas unidades.

A expectativa da Kroger é utilizar a economia gerada pela reestruturação para fortalecer a competitividade diante de concorrentes como Walmart, Costco e Amazon.

Como a inteligência artificial será usada nos supermercados

A Kroger vem ampliando sua estrutura voltada a dados e inteligência artificial. Entre as iniciativas estão a criação de uma posição executiva dedicada à área e o treinamento de centenas de milhares de funcionários para lidar com novas ferramentas tecnológicas.

A empresa também desenvolve assistentes de IA para ajudar as equipes das lojas a organizar tarefas e administrar rotinas de trabalho.

Esses recursos podem automatizar atividades repetitivas, facilitar o acesso a informações e apoiar decisões operacionais. Ainda assim, não há detalhamento público que permita afirmar que todos os cargos eliminados serão substituídos por inteligência artificial.

A reestruturação também pode envolver a revisão de processos administrativos e a redução de níveis hierárquicos. Por isso, atribuir todas as demissões exclusivamente à tecnologia seria uma conclusão precipitada.

Supermercados sem caixa também avançam no Brasil

No Brasil, a automação começa a transformar a experiência de compra dentro das próprias lojas.

Em Curitiba, o Grupo Muffato inaugurou um supermercado com tecnologia que permite registrar os produtos escolhidos pelos consumidores sem a necessidade de passar por um caixa convencional. A estrutura utiliza 587 câmeras e sensores instalados nas prateleiras para identificar os itens retirados.

Esse modelo busca agilizar as compras e diminuir a necessidade de etapas tradicionais do atendimento. Ao mesmo tempo, levanta dúvidas sobre o futuro das funções de caixa e de outras atividades que podem ser automatizadas.

A transformação, porém, não acontece de maneira uniforme. A adoção de inteligência artificial depende de investimentos, infraestrutura, custos de implantação e das necessidades de cada rede.

Brasil ainda enfrenta milhares de vagas abertas no setor

Apesar do avanço da automação, o mercado brasileiro de supermercados apresenta um cenário diferente do observado na reestruturação anunciada pela Kroger.

Estimativas citadas no levantamento sobre o setor apontam cerca de 357 mil vagas de trabalho abertas em supermercados no país. Em São Paulo, a função de operador de caixa aparece entre as ocupações com dificuldade de preenchimento.

A realidade indica que a tecnologia chega a um setor que ainda precisa contratar profissionais para manter suas operações. Isso não significa, entretanto, que a automação não possa alterar as oportunidades de emprego no futuro.

A inteligência artificial pode reduzir a necessidade de determinadas tarefas, modificar funções existentes e criar demanda por profissionais capazes de operar sistemas, analisar dados e resolver problemas mais complexos.

Inteligência artificial vai provocar mais demissões?

O caso da Kroger mostra que a inteligência artificial pode fazer parte de estratégias de redução de custos, mas não permite concluir que todas as redes de supermercados seguirão o mesmo caminho ou que haverá cortes equivalentes no Brasil.

O impacto sobre o emprego dependerá de como cada empresa utilizará a tecnologia. Em algumas operações, a automação poderá substituir tarefas; em outras, poderá ajudar funcionários a trabalhar com mais rapidez ou permitir a criação de novas funções.

Para os trabalhadores, acompanhar as mudanças tecnológicas e desenvolver habilidades digitais pode ser uma forma de se preparar para as transformações do setor.

O principal sinal de alerta é que as atividades repetitivas e administrativas estão entre as mais suscetíveis à reorganização. Já o ritmo e a dimensão das mudanças dependerão das decisões de investimento e das necessidades de cada empresa.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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