Morre famoso comentarista da Rádio Gaúcha aos 70 anos, deixando legado de frases marcantes no futebol gaúcho

Famoso comentarista da Rádio Gaúcha morreu aos 70 anos após uma infecção pulmonar. Jornalista marcou o esporte com humor e opiniões irreverentes.

O jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul perdeu um de seus nomes mais conhecidos. Um famoso comentarista da Rádio Gaúcha morreu aos 70 anos, na madrugada desta quarta-feira (28), após ser internado com uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.

O jornalista estava internado desde domingo (25) no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre. Até o momento, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e a despedida.

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A trajetória de mais de cinco décadas na imprensa, marcada pelo humor, pelas opiniões contundentes e por frases que entraram para o vocabulário dos torcedores, era de Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, comunicador do Grupo RBS que conquistou espaço no rádio, na televisão e nos jornais gaúchos.

Uma vida dedicada ao jornalismo esportivo

Conhecido pelo carisma e pelas tiradas sarcásticas, Guerrinha transformou situações do cotidiano esportivo em histórias que divertiam e provocavam o público. Sua relação com a comunicação começou ainda na infância, influenciada pelo pai, Adroaldo Guerra, rádio-ator e comunicador da Rádio Gaúcha conhecido como Vovô Guerra.

Apesar da influência familiar, foi o turfe que abriu caminho para sua carreira. Apaixonado por corridas de cavalos, passou a frequentar o ambiente dos hipódromos e encontrou ali histórias que alimentariam seu trabalho como jornalista.

Estudante de Jornalismo na PUCRS, publicou seus primeiros textos no Jornal Hoje, criado pela RBS nos anos 1970. Depois, acompanhou o cotidiano do Jockey Club para a Folha da Manhã e o Correio do Povo, numa época em que as corridas de cavalos tinham espaço diário nas páginas dos jornais.

Da cobertura do turfe ao futebol

Em 1983, Guerrinha retornou ao Grupo RBS a convite de Emmanuel Mattos para escrever sobre assuntos hípicos em Zero Hora. O espaço dedicado ao turfe foi diminuindo até que, em 1993, a cobertura chegou ao fim. A partir dali, ele passou a trabalhar com futebol e assumiu a cobertura do Internacional.

A mudança levou o jornalista aos corredores do Beira-Rio, onde acompanhou o cotidiano colorado em busca de informações. Sua experiência com o futebol, porém, não ficou restrita às páginas dos jornais.

Em 1999, começou a trabalhar no rádio ao lado de Paulo Roberto Falcão no programa de entrevistas Falcão na Gaúcha. Anos depois, em 2014, passou a comandar o Paredão do Guerrinha, atração que manteve a proposta de entrevistas.

As frases que viraram marca registrada

A irreverência também ganhou espaço na televisão. No início dos anos 2000, Guerrinha foi escolhido para participar do Lance Final, da RBS TV, após a saída de Ibsen Pinheiro da bancada. Mesmo sem se considerar alguém com perfil para a televisão, acabou conquistando seu lugar diante das câmeras.

Em 2004, chegou ao Sala de Redação para cobrir as férias de Kenny Braga. O que seria uma participação temporária se transformou em uma presença duradoura no tradicional programa de debates esportivos.

Entre as expressões que popularizou estava a chamada “Lei Guerrinha”, uma provocação sobre as mudanças feitas por treinadores quando uma equipe parece estar funcionando: “Se algo deu certo, então tem que mudar”.

Outra de suas frases conhecidas era: “Não se pode ir pra guerra com um secador de cabelo”. As tiradas, muitas vezes acompanhadas de uma risada característica, ajudaram a consolidar seu estilo e a torná-lo reconhecido entre torcedores de diferentes clubes.

Legado na imprensa gaúcha

Em 17 de abril de 2000, quando o Diário Gaúcho começou a circular, Guerrinha estreou a coluna Guerra Total. O espaço ficou conhecido pelas perguntas provocativas e irreverentes, que convidavam os leitores a refletir sobre os assuntos do momento.

Sua identificação com o Internacional nunca impediu que conquistasse admiradores entre colorados e gremistas. As críticas e opiniões contundentes direcionadas aos dois lados se tornaram parte de sua identidade profissional.

Adroaldo Guerra Filho deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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