A dívida pública brasileira alcançou R$ 11,1 trilhões em setembro de 2026, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, os juros nominais do setor público consolidado acumularam R$ 1,205 trilhão em 12 meses, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Os indicadores revelam a dimensão do endividamento do país e o peso dos encargos financeiros sobre as contas públicas. Embora a proporção da dívida tenha permanecido estável entre agosto e setembro, o percentual aumentou 4,3 pontos percentuais desde o início de 2026.
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A conta de juros também apresentou crescimento expressivo. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, o valor acumulado era de R$ 984,8 bilhões. Em um ano, portanto, houve um aumento de R$ 220,2 bilhões.
Juros da dívida ultrapassam R$ 1,2 trilhão em 12 meses
De acordo com o Banco Central, os juros nominais do setor público consolidado chegaram a R$ 1.205,0 bilhões no período de outubro de 2025 a setembro de 2026. O montante corresponde a 8,99% do PIB.
Somente em setembro deste ano, os juros somaram R$ 107,5 bilhões, acima dos R$ 84,7 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.
É importante compreender como esse indicador é calculado. Os juros nominais são contabilizados pelo regime de competência, ou seja, conforme são apropriados às obrigações financeiras e às operações do setor público.
Por isso, os R$ 1,205 trilhão não representam necessariamente dinheiro que saiu integralmente do caixa do governo em pagamentos realizados durante os 12 meses. O indicador também considera encargos incorporados às obrigações e efeitos de operações financeiras.
Dívida bruta chega a 82,9% do PIB
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu R$ 11,1 trilhões em setembro, mantendo a proporção de 82,9% do PIB observada em agosto.
Esse indicador reúne as obrigações do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e das administrações estaduais e municipais. Ele é utilizado para acompanhar o tamanho do endividamento público em relação à capacidade de produção da economia brasileira.
Apesar da estabilidade na comparação mensal, o avanço ao longo do ano chama atenção. Desde dezembro de 2025, a relação entre a dívida bruta e o PIB aumentou 4,3 pontos percentuais.
Segundo o Banco Central, a incorporação de juros nominais contribuiu com 7,2 pontos percentuais para a elevação do indicador em 2026. As emissões líquidas de títulos acrescentaram outros 1,1 ponto percentual.
Em sentido contrário, o crescimento do PIB nominal reduziu a proporção em 3,9 pontos percentuais, enquanto a valorização cambial teve impacto negativo de 0,2 ponto percentual.
Por que os números da dívida e dos juros são diferentes?
A divulgação dos dados também exige atenção para não confundir indicadores que medem aspectos distintos das contas públicas.
A dívida bruta de R$ 11,1 trilhões representa o estoque de obrigações do governo geral. Já os R$ 1,205 trilhão correspondem aos juros nominais acumulados em 12 meses, calculados para o setor público consolidado.
Existe ainda a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que considera também os ativos financeiros do setor público. Em setembro de 2026, ela chegou a R$ 9,4 trilhões, equivalente a 70% do PIB.
Esses valores não devem ser somados ou subtraídos diretamente, pois possuem abrangências e metodologias diferentes.
Déficit nominal supera R$ 1,2 trilhão em 12 meses
Outro indicador importante é o resultado nominal das contas públicas, que reúne o resultado primário e os juros nominais.
Em setembro, o setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 113 bilhões. No acumulado de 12 meses, o saldo negativo chegou a R$ 1,275 trilhão, equivalente a 9,51% do PIB.
O resultado primário, por sua vez, considera receitas e despesas sem incluir os juros da dívida. Nesse cálculo, o déficit acumulado em 12 meses até setembro foi de R$ 70,1 bilhões, ou 0,52% do PIB.
A diferença entre os dois resultados ajuda a dimensionar o impacto dos encargos financeiros sobre as contas públicas. Mesmo quando o resultado primário melhora, os juros continuam influenciando o déficit nominal e a trajetória do endividamento.
Os dados mostram que o desafio fiscal brasileiro envolve tanto o controle das despesas e receitas quanto o custo de financiamento da dívida. A evolução desses indicadores é acompanhada pelo mercado financeiro e pelos órgãos responsáveis pela política econômica, pois influencia as condições de financiamento do governo e o espaço disponível para outras despesas públicas.

