Super El Niño pode ser o mais forte já registrado desde 1950 e cientistas revelam qual mês será o mais preocupante

O Super El Niño deve ganhar ainda mais força nos próximos meses. Veja o que dizem as previsões e quais regiões do Brasil podem enfrentar mais chuva ou calor.

O Super El Niño de 2026 está se aproximando de um período decisivo e as previsões internacionais indicam que o fenômeno poderá alcançar uma intensidade histórica até dezembro. O aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico já mobiliza centros de monitoramento climático, que acompanham os possíveis efeitos sobre as temperaturas e a distribuição das chuvas em diferentes partes do planeta.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta que a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegue a aproximadamente 3,7°C acima da média no trimestre de outubro a dezembro. O pico do aquecimento é esperado para dezembro, segundo a atualização divulgada em 8 de outubro.

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Caso a previsão se confirme, o episódio poderá superar marcas anteriores de intensidade. A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, estima em 83% a probabilidade de um evento histórico, considerando os principais registros desde 1950.

No Brasil, o fenômeno também exige atenção. O boletim mais recente do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), divulgado em 29 de outubro, aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Super El Niño deve atingir o pico em dezembro de 2026

A previsão da Organização Meteorológica Mundial indica que o El Niño continuará ganhando força antes de alcançar sua intensidade máxima. O período de maior aquecimento deve ocorrer em dezembro, embora os valores projetados ainda dependam da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.

O índice Niño 3.4, utilizado para acompanhar a temperatura da superfície do Pacífico equatorial, apresentou uma elevação expressiva durante 2026. A anomalia média passou de aproximadamente 1,6°C acima do normal em junho para 2,5°C em agosto.

Para o trimestre de outubro a dezembro, a OMM projeta uma média próxima de 3,7°C acima da referência climatológica. A estimativa representa um valor superior ao recorde anterior citado pela organização, de 2,6°C, registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016.

É importante destacar que os 3,7°C representam uma previsão para a média do trimestre, e não uma temperatura já observada ou uma confirmação antecipada do recorde.

El Niño pode superar os principais eventos das últimas décadas

A possibilidade de um episódio histórico está entre os pontos que mais chamam a atenção dos pesquisadores.

Em sua discussão diagnóstica de outubro, a NOAA informou que as condições de El Niño continuavam se fortalecendo. A agência estimou 83% de probabilidade de que o evento alcance níveis históricos no trimestre de outubro a dezembro, considerando o indicador RONI e os registros disponíveis desde 1950.

Entre os episódios utilizados como referência estão os fenômenos de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016, conhecidos pela intensidade do aquecimento do Pacífico e por seus efeitos sobre o clima mundial.

A OMM também projeta que o atual episódio poderá superar o recorde anterior de temperatura da região Niño 3.4 em sua série de observações.

Apesar disso, ainda é necessário aguardar as medições dos próximos meses para confirmar a intensidade efetivamente alcançada. Por enquanto, os dados representam projeções de centros meteorológicos internacionais, não um recorde histórico definitivamente estabelecido.

Pacífico apresenta aquecimento expressivo

O avanço do fenômeno está relacionado ao aumento das temperaturas das águas superficiais e à quantidade de calor acumulada abaixo da superfície do oceano.

Segundo a NOAA, em outubro as anomalias de temperatura chegaram a superar 4°C em algumas áreas do Pacífico equatorial oriental. A agência também identificou temperaturas superiores a 10°C em relação à média em determinadas profundidades.

Essas condições ajudam a explicar por que os modelos climáticos apontam para a continuidade do fortalecimento do El Niño durante o fim de 2026.

O Instituto Internacional de Pesquisa sobre Clima e Sociedade (IRI), ligado à Universidade Columbia, também identificou uma forte concordância entre os modelos analisados. As projeções de outubro indicam a permanência de condições de El Niño muito forte durante o encerramento do ano e o início de 2027.

Super El Niño pode provocar mais chuva no Sul do Brasil

Os efeitos do fenômeno sobre o território brasileiro não serão iguais em todas as regiões. O El Niño altera padrões de circulação atmosférica e pode favorecer mudanças na frequência e na distribuição das chuvas.

No Sul, o fenômeno costuma estar associado a períodos mais chuvosos. Essa tendência aparece também no boletim nº 5 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo INMET em 29 de outubro.

A previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de precipitações acima da faixa normal na Região Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste.

No Rio Grande do Sul, o documento aponta tendência de temperaturas abaixo da média no período, embora a previsão de chuva acima do normal exija atenção para possíveis episódios de precipitação intensa e elevação dos níveis dos rios.

Em outras áreas do país, o cenário é diferente. O INMET indica maior probabilidade de chuva abaixo da média em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste.

As temperaturas, por sua vez, tendem a ficar acima da faixa normal em quase todo o Brasil, principalmente no Norte. O Rio Grande do Sul aparece como uma exceção nessa projeção.

O que pode acontecer durante o verão de 2026/2027?

A intensidade do El Niño aumenta a possibilidade de impactos climáticos associados ao fenômeno, mas não significa que todos os efeitos ocorrerão necessariamente em todas as regiões.

No Sul, a maior probabilidade de chuva acima da média pode favorecer episódios de precipitação volumosa, com riscos de alagamentos, cheias e deslizamentos em áreas vulneráveis.

Em partes do Norte e do Nordeste, a tendência de chuva abaixo da média pode aumentar a preocupação com períodos de estiagem e condições favoráveis a queimadas.

O cenário também exige atenção às temperaturas elevadas previstas para grande parte do território nacional. Ondas de calor podem ocorrer, mas sua intensidade e duração dependem das condições meteorológicas locais.

Por isso, os órgãos de monitoramento recomendam acompanhar as atualizações das previsões, os avisos meteorológicos e os alertas da Defesa Civil.

El Niño deve continuar influenciando o clima em 2027

O fenômeno não termina imediatamente depois de atingir seu pico. As projeções internacionais indicam que as condições de El Niño devem continuar presentes durante os primeiros meses de 2027.

A NOAA aponta elevada probabilidade de permanência de um evento forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027. Já os modelos do IRI também indicam continuidade das condições de El Niño durante boa parte do início do ano.

Mesmo quando o aquecimento começar a perder intensidade, seus efeitos sobre a circulação atmosférica e a distribuição das chuvas poderão persistir.

O período entre novembro e dezembro de 2026 será decisivo para avaliar a dimensão do episódio. Se as projeções se confirmarem, o atual Super El Niño poderá superar marcas históricas de aquecimento do Pacífico e entrar para a lista dos eventos mais intensos já observados.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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