O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 298 milhões em financiamentos para ampliar as pesquisas e o desenvolvimento de medicamentos no Brasil. Os recursos serão destinados à farmacêutica Althaia, empresa de capital nacional com sede em Atibaia, no interior de São Paulo.
O investimento foi dividido em duas frentes. A primeira receberá R$ 100 milhões para pesquisas de inovação radical, que envolvem a busca por moléculas e compostos inéditos. A segunda contará com R$ 198 milhões para desenvolver 31 medicamentos de uso humano, incluindo genéricos e produtos com melhorias em formulações existentes.
LEIA TAMBÉM:
- Escala 6×1 chega ao fim, mas vai beneficiar apenas trabalhadores que estiverem nessa lista de profissões
- Idoso de 62 anos tenta viajar de ônibus sem pagar, mas atendente diz que gratuidade só vale a partir dos 65 anos e ele descobre o que diz a lei sobre trajetos interestaduais
- Fim da escala 6×1: Veja profissões que ficam de fora da nova regra
Os projetos fazem parte do programa BNDES Mais Inovação e também preveem a modernização do centro de pesquisa da companhia, a colaboração com instituições científicas e a criação de mais de 35 empregos na área de pesquisa e desenvolvimento.
R$ 100 milhões serão destinados à pesquisa de novas moléculas
A primeira parte do financiamento será utilizada em pesquisas voltadas a necessidades médicas que ainda não contam com tratamentos suficientes ou satisfatórios.
Entre as áreas contempladas estão obesidade, distúrbios metabólicos e doenças neurodegenerativas, condições que representam desafios para a pesquisa farmacêutica.
O projeto também prevê o desenvolvimento de uma nova formulação probiótica voltada à prevenção e ao tratamento de infecções gastrointestinais, além de uma formulação farmacêutica destinada a problemas do trato digestivo.
Outra frente de pesquisa utilizará inteligência artificial para auxiliar na descoberta e no desenvolvimento de peptídeos bioativos que possam ser investigados como possíveis tratamentos para a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, frequentemente associada ao envelhecimento.
Essas iniciativas ainda estão em fase de pesquisa e desenvolvimento. A aprovação do financiamento não significa que novas moléculas tenham eficácia comprovada ou que os tratamentos estejam disponíveis para pacientes.
Empresa vai desenvolver 31 medicamentos com R$ 198 milhões
A maior parcela do crédito aprovado pelo BNDES, de R$ 198 milhões, será destinada ao desenvolvimento de 31 medicamentos para uso humano.
O planejamento inclui 20 medicamentos genéricos previstos para chegar pela primeira vez ao mercado nacional e outros 11 produtos com inovações incrementais, ou seja, melhorias em medicamentos e formulações existentes.
Entre as áreas terapêuticas contempladas estão:
- Hipotireoidismo;
- Depressão;
- Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH);
- Hiperplasia prostática;
- Menopausa;
- Epilepsia.
O desenvolvimento dos produtos envolve diferentes etapas técnicas, como elaboração de formulações, validação de métodos analíticos, estudos de estabilidade e fabricação de lotes-piloto. Também estão previstos testes de equivalência farmacêutica, estudos de bioequivalência e ensaios clínicos quando aplicáveis.
Esses procedimentos são necessários para avaliar a qualidade, a segurança e o desempenho dos medicamentos antes de uma eventual comercialização, conforme as exigências regulatórias aplicáveis.
Centro de pesquisa em Atibaia receberá novos equipamentos
Parte dos recursos será utilizada na aquisição de equipamentos para o Epicenter, centro de pesquisa e desenvolvimento da Althaia localizado em Atibaia.
A ampliação da estrutura deve aumentar a capacidade da empresa para realizar projetos farmacêuticos mais complexos, incluindo pesquisas que exigem tecnologias e conhecimentos especializados.
A iniciativa também prevê uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A colaboração permitirá o acesso a competências técnicas e a uma rede de instituições de pesquisa envolvidas no desenvolvimento de novas tecnologias.
A expectativa é aproximar a pesquisa científica da aplicação industrial, criando condições para transformar descobertas e estudos laboratoriais em produtos que possam, futuramente, chegar ao mercado.
Durante a execução do projeto, a previsão é de criação de mais de 35 empregos exclusivamente no centro de pesquisa e desenvolvimento.
Financiamento busca ampliar a inovação farmacêutica no Brasil
O apoio do BNDES tem como objetivo fortalecer a capacidade de pesquisa da indústria farmacêutica nacional e estimular investimentos em projetos que exigem tempo e recursos elevados.
A descoberta de novas moléculas costuma envolver incertezas científicas e diversas etapas de validação. Por isso, o financiamento pode ajudar empresas a manter pesquisas que ainda não têm resultados comerciais garantidos.
A parceria com instituições científicas também pode ampliar o acesso a conhecimentos e tecnologias necessários para projetos mais avançados.
No caso da Althaia, os recursos estão concentrados tanto na investigação de possíveis novos tratamentos quanto no desenvolvimento de medicamentos destinados a áreas terapêuticas já conhecidas.
Quando os novos medicamentos estarão disponíveis?
Ainda não há uma data única confirmada para a chegada dos 31 medicamentos ao mercado. O cronograma depende do avanço de cada projeto, dos resultados dos estudos e do cumprimento das exigências regulatórias pertinentes.
O mesmo vale para as pesquisas de inovação radical. A possibilidade de obter novas patentes dependerá dos resultados alcançados durante o desenvolvimento dos compostos.
Portanto, os R$ 298 milhões representam um investimento aprovado para financiar pesquisas e desenvolver produtos, e não uma confirmação de que todos os medicamentos já foram concluídos ou receberam autorização para venda.
A expectativa é que os projetos ampliem a capacidade tecnológica da farmacêutica e contribuam para o desenvolvimento de novos produtos no setor de saúde brasileiro.

