Gigante americana fecha fábrica no Brasil após quase 50 anos e demissões atingem trabalhadores

A Parker Hannifin fechou fábrica em Jacareí após quase 50 anos. Acordo prevê indenização adicional de R$ 35 mil e benefícios por 12 meses.

Uma multinacional americana encerrou as atividades de uma fábrica que acumulava quase cinco décadas de história no Brasil. A decisão atingiu cerca de 100 trabalhadores e provocou uma disputa trabalhista que terminou com um acordo para ampliar as compensações financeiras oferecidas aos profissionais afetados.

A empresa é a Parker Hannifin, especializada em tecnologias de movimento e controle utilizadas em diferentes segmentos industriais. A unidade ficava em Jacareí, no interior de São Paulo, e produzia principalmente válvulas destinadas aos setores agrícola e de máquinas.

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O fechamento foi anunciado em julho de 2026 e, apesar da mobilização dos funcionários, a companhia manteve a decisão de encerrar a operação. A negociação, no entanto, resultou em garantias financeiras e na continuidade temporária de benefícios para os trabalhadores abrangidos pelo acordo.

Fábrica da multinacional americana encerra atividades

A unidade de Jacareí tinha uma longa trajetória industrial, ligada às operações da antiga Schrader Bellows do Brasil. A Parker Hannifin assumiu o controle da fábrica em 1985, e a instalação se consolidou na produção de componentes utilizados por fabricantes de máquinas e equipamentos.

Em julho de 2026, a companhia comunicou a decisão de interromper as atividades da planta, justificando a medida como parte de uma reorganização operacional.

O anúncio provocou preocupação entre os funcionários, que tentaram encontrar alternativas para preservar os empregos. Entre as possibilidades discutidas estavam a continuidade da produção e a transferência de profissionais para outras unidades da empresa.

A fábrica reunia aproximadamente 100 trabalhadores. A decisão de fechá-la, portanto, representou um impacto direto para dezenas de famílias da região do Vale do Paraíba.

Trabalhadores fizeram greve durante 38 dias

Após o anúncio, os funcionários iniciaram uma greve em 20 de julho de 2026. A mobilização foi organizada com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que buscava reverter o fechamento ou garantir condições melhores para os trabalhadores.

Durante a paralisação, a entidade sindical contestou a condução do processo e cobrou alternativas para evitar as demissões. Os representantes também defenderam a transferência dos empregados para outras operações da multinacional.

Em agosto, enquanto a mobilização ainda estava em andamento, os trabalhadores receberam comunicações de desligamento, conforme informações divulgadas pelo sindicato.

A greve chegou a 38 dias e terminou após uma rodada de negociações mediada pela Justiça do Trabalho. Embora o movimento não tenha impedido o encerramento da fábrica, os trabalhadores conseguiram melhorar as condições financeiras previstas para os desligamentos.

Acordo garante indenização adicional de R$ 35 mil

O principal resultado das negociações foi um acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, com participação das partes envolvidas e do Ministério Público do Trabalho.

O entendimento estabeleceu uma indenização social adicional de R$ 35 mil para cada trabalhador dispensado abrangido pelo acordo. Esse valor não substitui as verbas rescisórias normalmente devidas, como saldo de salário e outras parcelas aplicáveis conforme cada contrato.

Além da compensação financeira, o acordo previu a manutenção de benefícios por 12 meses, de acordo com as condições negociadas.

Entre as garantias estão:

  • Indenização adicional: R$ 35 mil por trabalhador abrangido pelo acordo.
  • Plano de saúde: manutenção durante o período estabelecido.
  • Plano odontológico: continuidade da cobertura por mais 12 meses.
  • Vale-alimentação: preservação do benefício conforme os termos negociados.

O entendimento também contemplou situações específicas de trabalhadores e previu condições para empregados que aceitaram transferência para outras unidades da companhia.

Empresa mantém operações no Brasil

Apesar do fechamento da unidade de Jacareí, a Parker Hannifin não encerrou todas as suas atividades no país. A multinacional continua presente no mercado brasileiro e mantém outras operações industriais, inclusive na região de São José dos Campos.

Por isso, o encerramento representa a desativação de uma fábrica específica, e não uma saída completa da empresa do Brasil.

A Parker atua internacionalmente no fornecimento de componentes e sistemas para setores como indústria, agricultura, transporte, energia e aeroespacial. Sua estrutura global é muito maior do que a unidade que deixou de operar em Jacareí.

A decisão, contudo, encerrou um ciclo de atividade industrial de quase 50 anos na cidade e atingiu trabalhadores que precisaram negociar as condições de saída ou avaliar alternativas dentro da própria companhia.

Fechamento ocorreu durante período de resultados bilionários

A decisão também chamou atenção porque ocorreu enquanto a multinacional apresentava resultados financeiros expressivos em escala global.

No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a Parker Hannifin registrou aproximadamente US$ 21,5 bilhões em vendas e lucro líquido próximo de US$ 3,65 bilhões.

Esses números ajudam a dimensionar o porte da companhia, mas não esclarecem, por si só, os motivos específicos para a desativação da unidade brasileira. A empresa apresentou a medida como parte de uma reorganização operacional.

Para os trabalhadores, o resultado mais concreto foi o encerramento dos postos ligados à fábrica e a necessidade de buscar compensações. O acordo firmado após semanas de mobilização assegurou pagamentos adicionais e a manutenção temporária de benefícios para os profissionais abrangidos.

Assim, a negociação não conseguiu evitar o fechamento da unidade de Jacareí, mas garantiu condições de desligamento mais favoráveis aos trabalhadores incluídos no acordo.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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