Uma megafábrica de celulose avaliada em aproximadamente R$ 23 bilhões está sendo construída no interior do Brasil e promete transformar o transporte de cargas na região. O empreendimento terá uma ferrovia própria, capaz de substituir cerca de 190 viagens de caminhões por dia nas rodovias, além de gerar milhares de empregos e movimentar a economia local.
A estrutura pertence à multinacional chilena Arauco e faz parte do Projeto Sucuriú, instalado no município de Inocência, no Mato Grosso do Sul. A futura unidade industrial terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e deverá entrar em operação no final de 2027.
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Entretanto, um dos aspectos que mais chamam atenção é a estrutura ferroviária que está sendo construída exclusivamente para atender à fábrica.
Em vez de depender principalmente de caminhões para transportar a celulose produzida até o litoral paulista, a empresa pretende utilizar uma linha ferroviária conectada à malha nacional.
A expectativa é que a mudança reduza significativamente a circulação de veículos pesados e diminua em até 94% as emissões de dióxido de carbono associadas ao transporte da produção, segundo projeções da Arauco.
As obras da ferrovia já ultrapassaram 60% de execução e avançaram para uma nova etapa com a instalação dos primeiros dormentes.
Onde está sendo construída a megafábrica de celulose de R$ 23 bilhões?
A fábrica está sendo instalada em Inocência, município localizado no leste de Mato Grosso do Sul.
O complexo industrial ocupa uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro da cidade, nas proximidades do Rio Sucuriú.
A construção começou em 2024 e representa um dos maiores investimentos privados realizados no setor de celulose brasileiro.
O projeto contempla instalações industriais, estruturas de armazenamento, sistemas de energia e uma ferrovia destinada ao escoamento da produção.
Segundo a Arauco, a unidade terá capacidade para fabricar 3,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de fibra curta anualmente.
Esse material é utilizado na fabricação de diferentes produtos do cotidiano, incluindo papéis sanitários, papéis para impressão e escrita e embalagens.
Quando estiver concluída, a fábrica deverá se destacar entre as maiores unidades produtoras de celulose do mundo.
Ferrovia própria poderá substituir 190 viagens de caminhões por dia
Um dos principais diferenciais da megafábrica será a utilização de trens para transportar a celulose até o Porto de Santos, em São Paulo.
O projeto prevê a construção de um ramal ferroviário de 45 quilômetros, além de outros nove quilômetros de trilhos dentro da área industrial.
A estrutura será conectada à Malha Norte, operada pela Rumo, permitindo que os produtos sigam pela rede ferroviária existente até o litoral.
De acordo com a Arauco, a nova operação poderá substituir aproximadamente 190 viagens diárias de caminhões que seriam necessárias para transportar a mesma produção pelas rodovias.
Isso significa que uma parcela importante da carga deixará de depender do transporte rodoviário.
A empresa também projeta uma redução de até 94% nas emissões de CO₂ relacionadas ao escoamento da celulose, em comparação com a alternativa por caminhões.
Os números são estimativas para o funcionamento futuro do empreendimento, uma vez que a fábrica e a ferrovia ainda estão em construção.
Obras da ferrovia avançam e começam a receber 95 mil peças de concreto
A construção da ferrovia do Projeto Sucuriú entrou em uma nova fase em outubro de 2026, com o início da instalação dos primeiros dormentes.
Essas estruturas são responsáveis por sustentar os trilhos e garantir estabilidade durante a passagem dos trens.
Ao todo, serão instalados aproximadamente 95 mil dormentes de concreto, cada um com peso próximo de 400 quilos.
Segundo a Arauco, mais de 60% das obras ferroviárias já foram executadas.
Além da instalação dos dormentes, as equipes trabalham na construção de estruturas importantes para a passagem dos trens.
Entre elas estão o viaduto ferroviário na saída da fábrica, a passagem sobre a rodovia MS-112 e a ponte sobre o Córrego São Mateus.
A previsão é que a ferrovia esteja concluída no final de 2027, acompanhando o início das operações industriais.
Megafábrica terá 26 locomotivas e 721 vagões
O projeto ferroviário prevê uma estrutura de grande capacidade para transportar a celulose produzida pela futura unidade.
Serão utilizadas 26 locomotivas e 721 vagões, com capacidade de transporte de até 9.600 toneladas por composição ferroviária.
O investimento previsto para a infraestrutura ferroviária, incluindo os equipamentos, é de aproximadamente R$ 2,4 bilhões.
Os trens serão responsáveis por levar a celulose até a malha ferroviária já existente, permitindo que a carga siga até o Porto de Santos.
De lá, os produtos poderão ser enviados para diferentes mercados internacionais.
A operação também terá participação de uma empresa gaúcha. A Randoncorp, com sede em Caxias do Sul, firmou um contrato estimado em R$ 770 milhões para fornecer os 721 vagões.
Os equipamentos são produzidos na unidade da Randon em Araraquara, no interior de São Paulo. O primeiro lote de 40 vagões foi entregue em agosto de 2026.
Projeto de R$ 23 bilhões prevê milhares de empregos
Além das mudanças no transporte, a megafábrica deverá provocar impactos na economia da região.
A construção começou em 2024 e mobiliza milhares de trabalhadores em diferentes atividades.
Segundo a Arauco, o Projeto Sucuriú prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho durante a fase de implantação.
Depois que a fábrica entrar em funcionamento, a expectativa é de aproximadamente 6 mil postos de trabalho nas áreas industrial, florestal e de logística.
O empreendimento também poderá ampliar a demanda por serviços, transporte, comércio e infraestrutura no município de Inocência e em cidades próximas.
A companhia informa que o projeto terá equipamentos automatizados, sistemas de controle industrial e tecnologias voltadas à eficiência energética.
Ferrovia poderá reduzir em até 94% a emissão de CO₂
Outro destaque do projeto está relacionado aos impactos ambientais do transporte de cargas.
De acordo com a Arauco, a utilização de trens poderá reduzir em até 94% as emissões de dióxido de carbono associadas ao transporte da celulose, quando comparada à alternativa rodoviária equivalente.
A mudança também poderá reduzir a circulação de veículos pesados e o desgaste das rodovias utilizadas para transportar grandes volumes de carga.
Entretanto, os benefícios anunciados são projeções da empresa e dependem da conclusão das obras e do funcionamento da operação ferroviária.
O transporte por caminhões continuará sendo necessário para outras atividades do empreendimento, como o abastecimento da fábrica e a movimentação de madeira.
Quando a megafábrica de celulose começará a funcionar?
A previsão atual é que a unidade industrial da Arauco entre em funcionamento até o final de 2027.
O mesmo prazo é utilizado pela companhia para a conclusão da ferrovia.
Quando estiver em operação, a fábrica deverá produzir até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, com parte significativa da produção destinada à exportação.
A expectativa é que o projeto transforme Inocência em um importante polo industrial do setor de celulose.
Enquanto isso, as obras continuam avançando tanto na estrutura industrial quanto na ferrovia, que deverá representar uma mudança importante na forma de transportar a produção da região até o litoral brasileiro.

