Gerdau fecha acordo de R$ 19,6 milhões para pagar horas extras a 404 funcionários em MG

A Gerdau fechou acordo de R$ 19,6 milhões para pagar horas extras a 404 trabalhadores de Divinópolis, em Minas Gerais. Entenda o caso.

Conciliação homologada pela Justiça do Trabalho encerra disputa iniciada em 2017 sobre jornadas em turnos de revezamento na unidade de Divinópolis. Caso envolve horas trabalhadas entre 2012 e 2017.

A Gerdau fechou um acordo de R$ 19,6 milhões para pagar horas extras a 404 trabalhadores que atuaram na unidade da empresa em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A conciliação foi homologada pela Justiça do Trabalho em 26 de outubro de 2026 e encerra uma disputa judicial que se arrastava havia quase nove anos.

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A negociação foi firmada entre a Gerdau Aços Longos S.A. e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Divinópolis e Região.

A ação coletiva discutia o pagamento de horas extras a funcionários que trabalharam em turnos ininterruptos de revezamento entre novembro de 2012 e outubro de 2017.

Os trabalhadores reivindicavam o pagamento das horas que ultrapassavam a sexta hora diária ou a 36ª hora semanal, sem acumular os dois critérios. A discussão envolvia a jornada praticada nesse regime de trabalho e os limites considerados para o cálculo das horas extraordinárias.

O processo foi iniciado em 2017 e passou por negociações entre representantes da empresa, do sindicato e advogados das duas partes até que fosse construída uma solução consensual.

Quanto cada funcionário poderá receber?

O valor global estabelecido na conciliação é de R$ 19,6 milhões, dividido entre os 404 trabalhadores abrangidos pelo acordo.

Uma divisão simples do montante pelo número de beneficiários resulta em uma média aproximada de R$ 48,5 mil por funcionário. Esse número, entretanto, é apenas uma referência matemática e não representa o valor individual garantido a cada trabalhador.

O pagamento efetivo depende dos critérios de apuração dos créditos previstos no processo e nas condições homologadas pela Justiça. Portanto, os valores podem variar conforme a situação de cada empregado.

Também é importante destacar que a homologação judicial confirma o acordo, mas não significa necessariamente que todos os trabalhadores já receberam o dinheiro.

Acordo encerra disputa sobre jornada de trabalho

O caso envolveu os chamados turnos ininterruptos de revezamento, modelo utilizado em atividades industriais que precisam funcionar em diferentes horários.

Nesse sistema, os funcionários alternam períodos de trabalho, inclusive entre turnos diurnos e noturnos. A Constituição Federal prevê jornada de seis horas para trabalhadores submetidos a esse regime, salvo negociação coletiva que estabeleça condições diferentes.

A discussão judicial da Gerdau envolvia justamente o pagamento das horas que ultrapassavam os limites reivindicados pelos trabalhadores.

A conciliação permitiu encerrar o conflito por meio de um acordo entre as partes, evitando que a disputa continuasse sem uma solução consensual.

Gerdau também enfrenta mudanças na unidade de Divinópolis

O acordo sobre as horas extras foi homologado em um momento de mudanças na operação da siderúrgica em Minas Gerais.

Em novembro de 2026, a Gerdau anunciou a interrupção da produção de aço bruto na unidade de Divinópolis. A empresa atribuiu a decisão à perda de competitividade da operação, relacionada principalmente aos custos de produção, à falta de fornecimento de minério de ferro em condições competitivas e ao avanço das importações de aço.

A unidade deverá manter atividades de laminação e logística, em escala reduzida, utilizando insumos provenientes de outras instalações da companhia.

As informações divulgadas sobre a reorganização apontam que aproximadamente 278 trabalhadores serão desligados, enquanto cerca de 180 profissionais poderão permanecer na operação. A empresa também discutiu medidas de apoio aos funcionários afetados, incluindo indenizações adicionais, manutenção do plano de saúde por um período e possibilidade de transferência para outras unidades.

Essas negociações sobre desligamentos são distintas do acordo de R$ 19,6 milhões referente às horas extras. São tratativas diferentes, com objetivos e grupos de trabalhadores que não devem ser confundidos.

O que o caso representa para os trabalhadores?

O acordo demonstra como uma ação coletiva pode resultar em uma solução negociada para cobranças trabalhistas que envolvem diversos funcionários de uma mesma empresa.

No caso da Gerdau, a discussão se concentrou em horas extras de um período específico, entre 2012 e 2017, e em trabalhadores abrangidos pela ação sindical.

O valor de R$ 19,6 milhões chama atenção pelo tamanho da conciliação, mas não significa que todos os empregados da empresa tenham direito ao pagamento. O benefício está limitado aos trabalhadores contemplados no processo e conforme os critérios estabelecidos judicialmente.

A homologação encerra a disputa coletiva nos termos negociados e representa um desfecho para uma discussão trabalhista que começou há quase uma década.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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