Mecânico constrói elevador em casa para ajudar esposa idosa a voltar a circular entre os andares

Mecânico aposentado construiu um elevador artesanal e uma escada automatizada para facilitar a locomoção da esposa após cirurgias na coluna.

Uma escada que antes fazia parte da rotina da casa se transformou em um obstáculo para Regina Célia, moradora de Ceilândia, no Distrito Federal. Depois de passar por duas cirurgias na coluna e conviver com dez pinos, ela começou a ter dificuldades para subir até o segundo andar da residência, onde mantém um ateliê de artesanato e costura.

Para ajudar a esposa a recuperar a mobilidade dentro de casa, o marido, Jonas Azevedo, de 69 anos, decidiu usar a própria experiência como mecânico e construir um elevador artesanal. A iniciativa permitiu que Regina voltasse a acessar o espaço de trabalho sem depender exclusivamente de uma escada convencional.

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Mecânico criou elevador e escada automatizada

O primeiro projeto desenvolvido por Jonas foi o elevador, montado com ferragens e uma talha. A construção foi feita por ele, sem contratação de mão de obra especializada para executar o equipamento.

Depois, o mecânico também desenvolveu uma escada articulada automatizada. A estrutura aproveitou materiais encontrados em um ferro-velho e foi pensada para resolver outro problema da residência: a falta de espaço para instalar uma escada convencional.

As duas adaptações ajudaram a tornar o deslocamento entre os andares mais acessível. Com isso, Regina conseguiu continuar frequentando o ateliê, onde realiza atividades de artesanato e costura.

A história ganhou repercussão justamente pela iniciativa de Jonas, que utilizou conhecimentos adquiridos ao longo da vida profissional para encontrar uma alternativa às dificuldades enfrentadas pela companheira.

Elevador residencial pode custar caro

A construção artesanal também chama atenção por levantar uma questão financeira. Elevadores residenciais comerciais podem exigir um investimento elevado, especialmente quando a casa precisa passar por adaptações estruturais para receber o equipamento.

O preço depende de fatores como número de pavimentos, capacidade de carga, dimensões da cabine, tipo de acionamento, instalação elétrica e necessidade de obras.

No caso de Jonas, porém, não foi divulgado um valor detalhado do investimento feito no projeto de Ceilândia. Por isso, não é possível afirmar quanto ele economizou em comparação com um equipamento comprado pronto.

Também é importante não confundir essa história com a de outro mecânico, no Ceará, que construiu um elevador para a esposa por aproximadamente R$ 8,5 mil. Trata-se de um projeto diferente.

Quedas representam um risco para idosos dentro de casa

A dificuldade para subir escadas não é um problema isolado. Com o avanço da idade, alterações no equilíbrio, na força muscular e na mobilidade podem tornar atividades cotidianas mais difíceis e aumentar o risco de acidentes domésticos.

Dados do estudo ELSI-Brasil citados pelo Ministério da Saúde indicam que 20,9% das pessoas com 60 anos ou mais relataram pelo menos uma queda no período de um ano. Entre as mulheres, o percentual chegou a 24,9%.

Uma queda pode provocar lesões, fraturas e perda de autonomia. Por isso, medidas de prevenção dentro de casa são importantes, principalmente para quem já apresenta limitações de movimento ou histórico de acidentes.

Entre as adaptações que podem ajudar estão a instalação de barras de apoio, corrimãos, iluminação adequada, retirada de obstáculos e mudanças nos acessos entre os cômodos.

Elevador feito em casa exige avaliação profissional

Apesar de a iniciativa de Jonas chamar atenção pela criatividade, construir um equipamento para transportar pessoas exige cuidados técnicos. Um elevador improvisado sem avaliação adequada pode apresentar riscos relacionados à estrutura, ao sistema de movimentação, às travas e à instalação elétrica.

Antes de instalar ou utilizar uma solução desse tipo, é fundamental contar com um profissional legalmente habilitado para avaliar o projeto, a capacidade de carga e os dispositivos de segurança.

A Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), quando aplicável aos serviços de engenharia, identifica o profissional responsável pela atividade e formaliza sua responsabilidade técnica.

Também são necessários testes, inspeções e manutenção periódica. A economia na construção não deve ser obtida à custa da segurança de quem vai utilizar o equipamento.

Acessibilidade dentro de casa ajuda a preservar a autonomia

A história de Jonas e Regina mostra como uma dificuldade de locomoção pode afetar não apenas a circulação pela residência, mas também o trabalho, o lazer e a independência de uma pessoa.

Ao desenvolver o elevador e a escada articulada, o mecânico procurou adaptar o ambiente às necessidades da esposa, permitindo que ela continuasse utilizando o ateliê no segundo andar.

A principal lição é que a acessibilidade residencial precisa considerar as condições de quem vive no imóvel. Cada casa exige uma avaliação própria, e soluções personalizadas podem ajudar a recuperar a autonomia, desde que sejam planejadas e executadas com segurança.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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