Foto: Jaime Zanatta/GBC

Nem todos os quase 200 mil usuários que utilizam a Trensurb diariamente tem a sorte de conseguir andar em um dois oito trens com ar-condicionado que circulam entre Novo Hamburgo e Porto Alegre. Sete, dos 15, estão passando por manutenção. Por isso, as 25 composições de 1985 seguem na maioria das viagens da Linha 1.

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O desafio nesses dias de calor escaldante são muitos. Dois deles são, sem sombra de dúvidas, aguentar uma sensação térmica que pode chegar aos 50°C e a superlotação nos horários de pico. “Todos os dias são assim. Não tem como não morrer de calor aqui”, conta a vendedora, Marluce de Souza, que faz o trajeto entre Porto Alegre e São Leopoldo, de segunda a sábado.

As reclamações sobre o calor, não são poucas. O gerente de relacionamento em uma agência bancária, William Almeida, se desloca entre Sapucaia do Sul e Canoas diariamente. Para ele, o trem é uma alternativa para economizar combustível, mas que nos dias de verão, a vontade é tirar o carro da garagem. “Venho de trem porque economizo, em média, mais de R$ 15 por dia, entre combustível e estacionamento. Porém, nesse calorão é horrível de encarar essa lotação. Venho e volto nos horários de pico”, relata.

Como precisa trabalhar com trajes sociais, William tenta driblar o calorão. “Venho com uma roupa que dá para encarar o calorão e troco quando chego no banco. Na hora de embora faço a mesma coisa”, comenta.

“Já desmaiei”

Contando os dias para a aposentadoria, a professora Margareth Lucia de Azevedo, se desloca todos os dias de Porto Alegre para Sapucaia do Sul. Há anos, o trem é o principal meio de transporte dela. “Já tentei vir de ônibus, porque é mais confortável, porém o tempo de viagem é maior ainda”.

O calorão, nesse trajeto, é o pior inimigo dela. “Já passei mal em um dos trens velhos. Cheguei a desmaiar e precisei ser socorrida. É horrível. Os ventiladores tem ar quente e o chão do trem chega a queimar”, afirma.

Sem previsão de climatização

Quando pediu para a tarifa ser reajustada em 2019, a Trensurb apresentou como justificativa a climatização dos veículos antigos. Porém, o processo está no aguardo de um estudo técnico e, para isso, a empresa precisará contratar uma empresa para fazer a avaliação no valor de R$ 363 mil.

Ainda não há previsão para este gasto. Conforme a empresa, uma análise prelimnar apontou que “o nível de intervenção necessário para a climatização do trens da série 100 exige uma análise mais aprofundada sobre a viabilidade da reforma versus aquisição de novos trens”.

Os técnicos da empresa verificaram que somente a instalação de climatização nos trens antigos “não supriria todas as necessidades de atualização tecnológicas necessárias à uma operação mais qualificada dessa frota”.

Também tem reclamações sobre o trem novo

Até agora, a reportagem de Agência GBC, só mostrou relatos de problemas com os trens antigos. Porém, tem passageiro que reclama que tem vezes que o ar-condicionado do trem novo, está desligado. “Já vim de Novo Hamburgo a Canoas com ele desligado. Avisamos a Trensurb e nada foi resolvido”, relatou o motorista Cauã de Souza.