Dois anos se passaram desde a enchente no RS que mudou a vida de milhares de gaúchos e, em Canoas, ainda há coisas que não voltaram ao normal.
A tragédia deixou um rastro difícil de medir apenas em números. Foram 185 mortes no estado, segundo dados oficiais, além de centenas de milhares de pessoas fora de casa e cidades inteiras transformadas pela força da água.
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Mas, para quem viveu aquilo de perto, a lembrança não está nos números e sim na memória.
A noite em que tudo mudou em Canoas
Entre a madrugada do dia 3 e o dia 4 de maio de 2024, a enchente atingiu seu ponto mais crítico em Canoas.
Foi quando bairros inteiros desapareceram sob a água.
A região Oeste foi a mais atingida, com áreas como Mathias Velho, Olaria, Harmonia, Fátima, Estância Velha e Cinco Colônias praticamente tomadas. Partes do Niterói também entraram em alerta de evacuação.
No Mathias Velho, o nível da água passou dos 5 metros, segundo medições da época.
Para muitos, foi a noite em que não deu mais tempo de salvar nada.
O tamanho da tragédia que Canoas viveu
Dois anos depois, os dados ajudam a entender a dimensão do que aconteceu, mas ainda não conseguem explicar tudo.
- Cerca de 180 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas em Canoas
- Mais de 17 mil passaram por abrigos temporários
- A cidade registrou 31 mortes, sendo a mais atingida do estado segundo a prefeitura
- Aproximadamente 26 mil estabelecimentos comerciais foram afetados
No Rio Grande do Sul como um todo, foram centenas de municípios impactados e mais de 600 mil pessoas fora de casa.
Mas, mesmo com esses números, existe algo que não entra nas estatísticas.
O que não aparece nos números: o depois
Dois anos depois da enchente no RS, Canoas vive uma mistura de reconstrução e memória.
Muitas famílias conseguiram voltar para casa. Outras recomeçaram do zero.
A cidade avançou em obras e planejamento para enfrentar novos eventos climáticos, como estruturas de contenção e medidas preventivas que começaram a sair do papel.
Mas existe um ponto que ainda pesa, e esse é invisível.
O medo.
O novo alerta que reacende antigas lembranças
Nas últimas semanas, especialistas voltaram a alertar para a possibilidade de um novo ciclo climático intenso, com impacto maior no Sul do Brasil.
E isso, inevitavelmente, mexe com quem viveu 2024.
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Em Canoas, não é raro encontrar moradores que ainda acompanham a previsão do tempo com atenção redobrada, que se preocupam com o nível dos rios e que não esqueceram o som da água subindo.
Porque, para muita gente, a enchente não terminou quando a água baixou.
Canoas entre reconstrução e prevenção
Ao mesmo tempo, a cidade também tenta transformar a experiência em preparação.
Obras de contenção começaram a ser entregues, enquanto outras seguem em andamento, com foco em reduzir impactos de eventos extremos.
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Além disso, planos de contingência foram atualizados para dar respostas mais rápidas em situações de emergência.
A reconstrução existe, mas ela acontece junto com algo que não se reconstrói tão fácil.
A enchente passou, mas nem tudo foi embora
Dois anos depois, Canoas segue em frente.
Com casas reconstruídas, comércios reabertos e uma rotina que, aos poucos, voltou.
Mas quem viveu aqueles dias sabe que a enchente deixou mais do que marcas físicas.
Ela deixou lembranças, mudanças e um tipo de atenção constante que não existia antes.
Porque, no fim, a água baixou.
Mas para muita gente, a enchente no RS ainda não passou completamente.

