O caso envolvendo o detergente Ypê contaminado ganhou um novo desdobramento após documentos revelarem que uma grande concorrente do setor teria alertado autoridades sanitárias meses antes da suspensão dos produtos.
A denúncia foi encaminhada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), apontando suspeitas de contaminação microbiológica em diferentes linhas da marca.
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A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo g1 após acesso aos documentos enviados às autoridades.
Segundo os registros, análises laboratoriais teriam identificado presença de bactérias em produtos da linha Tixan Ypê Express e em outros itens líquidos comercializados pela fabricante.
Denúncia citava risco à saúde dos consumidores
De acordo com os documentos, testes laboratoriais apontaram presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em diferentes lotes analisados.
As amostras teriam sido avaliadas por laboratórios especializados, incluindo o Charles River e o Eurofins.
Segundo a denúncia, os produtos apresentavam:
- “desvio microbiológico relevante”;
- risco potencial à saúde;
- presença de microrganismos considerados preocupantes.
Os lotes citados incluíam versões:
- Tixan Ypê Express;
- Tixan Ypê Primavera;
- Tixan Ypê Maciez;
- Ypê Power Act;
- detergente Ypê Lava-Louças Neutro.
Documento também menciona outras bactérias
Além da Pseudomonas aeruginosa, os documentos citam traços genéticos de outras bactérias encontradas em parte das análises laboratoriais.
Entre elas:
- Klebsiella pneumoniae;
- Acinetobacter baumannii;
- espécies do gênero Pseudomonas.
Segundo a denúncia, alguns desses microrganismos poderiam representar riscos à saúde humana dependendo da exposição e da utilização dos produtos contaminados.
Quem fez a denúncia contra a Ypê
A empresa responsável pela denúncia foi a Unilever, multinacional dona de marcas como:
- Omo;
- Comfort;
- Cif.
Os documentos mostram que os primeiros alertas foram enviados ainda em outubro de 2025, meses antes da suspensão determinada pela Anvisa.
A multinacional também citou um suposto “recolhimento silencioso” de produtos no mercado, fato que teria motivado novas análises laboratoriais.
Anvisa suspendeu fabricação e venda
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, no interior de São Paulo.
Neste mês, a agência determinou a interrupção da fabricação e comercialização de produtos líquidos produzidos no complexo industrial.
A decisão atingiu:
- detergentes;
- lava-roupas líquidos;
- desinfetantes.
O caso do detergente Ypê contaminado segue sob investigação e continua provocando repercussão entre consumidores e empresas do setor.
A reportagem tenta contato com a Anvisa, Unilever e a Ypê para novos posicionamentos e atualizações, mas ainda não obteve retorno.
O espaço segue aberto para manifestações.

