Um caso que chamou atenção no Rio Grande do Sul terminou com a condenação de um bombeiro condenado pela Justiça Militar após uma investigação apontar que ele levou prostitutas para dentro de um quartel ao menos 29 vezes durante o período em que estava de serviço. O episódio aconteceu em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, e teve como base mensagens, depoimentos de testemunhas e registros obtidos durante as apurações.
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Segundo a decisão judicial, o soldado reformado Gilberto Hoffmann dos Santos utilizava as dependências do quartel para receber acompanhantes em encontros que aconteciam enquanto ele cumpria escala de trabalho. A sentença foi publicada em março deste ano, embora os fatos investigados tenham ocorrido em 2022.
Investigação encontrou mensagens e relatos de testemunhas
De acordo com o processo, uma série de conversas encontradas em um aparelho celular entregue à corporação pela esposa do militar ajudou a comprovar os encontros. Nas mensagens, o bombeiro negociava programas com diferentes mulheres e informava que os atendimentos aconteceriam dentro do quartel.

Em diversos trechos, ele deixava claro que estava sozinho no local e orientava as acompanhantes sobre a melhor forma de entrar sem chamar atenção. Segundo os autos, os encontros aconteciam em um pequeno cômodo da unidade militar.

Além das mensagens, três profissionais do sexo confirmaram que estiveram no quartel do Corpo de Bombeiros de Alvorada em ocasiões distintas.

Justiça Militar apontou 29 ocorrências

A juíza responsável pelo caso destacou que as provas reunidas foram suficientes para comprovar que os encontros ocorreram repetidamente dentro das instalações militares.

Segundo a sentença, houve registros de relações sexuais em diferentes horários de serviço, inclusive com situações em que algumas mulheres chegaram a permanecer durante a noite no local.

Com base nas evidências, a Justiça Militar condenou o militar a 10 meses de detenção. A defesa recorreu da decisão e o caso segue em tramitação nas instâncias superiores.

Publicações nas redes sociais também ajudaram a investigação

Outro detalhe que chamou atenção durante as investigações foi a participação das próprias acompanhantes nas redes sociais.
Uma das mulheres publicou imagens dentro da unidade militar em seus stories do Instagram. Em uma das postagens, ela afirmou estar atendendo seu “cliente favorito” no Corpo de Bombeiros de Alvorada. Em outra publicação, fez uma brincadeira relacionando sua visita ao quartel com a profissão do militar.
As publicações acabaram reforçando os indícios já levantados pelos investigadores.
O que diz a legislação militar
O caso foi enquadrado no artigo 235 do Código Penal Militar, que considera crime a prática de ato libidinoso em local sujeito à administração militar ou durante o exercício de função militar.
A legislação prevê pena de seis meses a um ano de detenção para esse tipo de infração.
Enquanto o recurso da defesa aguarda análise, o caso segue repercutindo por envolver uma série de encontros realizados dentro de uma estrutura pública destinada ao atendimento de emergências da população gaúcha.

