O avanço do El Niño e o aumento dos eventos climáticos extremos fizeram o Ministério da Saúde anunciar um novo plano para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) diante de situações de emergência. A iniciativa prevê mudanças que devem ampliar a capacidade de resposta da rede pública em diferentes regiões do país.
O projeto reúne investimentos bilionários, criação de centros especializados e novas ferramentas para monitorar riscos à população. A proposta também busca preparar profissionais e gestores para agir com mais rapidez durante desastres naturais e períodos de calor intenso.
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As medidas fazem parte do AdaptaSUS, o Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, apresentado durante a COP30. Ao todo, estão previstos R$ 9,8 bilhões em investimentos até 2035, distribuídos em 27 metas e 93 ações.
El Niño leva SUS a reforçar preparação para eventos extremos
O plano foi desenvolvido para aumentar a capacidade do SUS de enfrentar situações provocadas por mudanças climáticas, como ondas de calor, enchentes, secas e outros eventos extremos.
Entre os principais objetivos estão antecipar riscos, emitir alertas à população, fortalecer os serviços de saúde e garantir uma resposta mais rápida em regiões afetadas por desastres.
O programa também pretende melhorar a articulação entre União, estados, municípios e Defesa Civil, além de ampliar a oferta de medicamentos, vacinas, água potável e equipamentos para situações emergenciais.
Preparo para o El Niño: novos centros especializados serão instalados em oito cidades
Outra novidade é a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, que serão distribuídos pelas cinco regiões do país.
As unidades ficarão em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Santarém e na Bahia. Segundo o Ministério da Saúde, o primeiro centro será inaugurado nesta quarta-feira (1º).
Cada unidade contará com equipes formadas por epidemiologistas, meteorologistas, geógrafos especializados em análise espacial e cientistas de dados para monitorar riscos em tempo real e orientar gestores, profissionais da saúde e a população.
Plataforma vai monitorar calor extremo em todos os municípios
O Ministério da Saúde também anunciou o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde.
A ferramenta fornecerá previsões diárias para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência.
Além das informações meteorológicas, o sistema cruzará dados de vulnerabilidade social para identificar quais populações podem sofrer mais com o calor extremo.
Força Nacional do SUS ganhará novas bases
O plano também prevê a ampliação da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases distribuídas pelas cinco regiões brasileiras até 2027.
As equipes terão condições de chegar a qualquer emergência em até 12 horas e iniciar o atendimento conforme a complexidade da ocorrência em até 72 horas.
Para isso, serão utilizados veículos especializados, rádios, comunicação via satélite, drones e equipamentos para atuação em áreas de difícil acesso.
Ministério orienta cuidados durante períodos de calor intenso
Entre as ações previstas está um protocolo voltado principalmente à proteção dos idosos durante ondas de calor.
As orientações incluem oferecer água mesmo quando não houver sensação de sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, manter os ambientes ventilados, acompanhar o uso correto de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico em casos de ressecamento dos olhos ou das narinas.
Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as mudanças climáticas representam um dos principais desafios para a saúde pública brasileira e defendeu que o país fortaleça sua capacidade de resposta diante dos eventos extremos.
Segundo o ministro, a descentralização da Força Nacional do SUS poderá ampliar em até 20 vezes a capacidade de atendimento rápido em situações de emergência, reforçando a proteção da população nos próximos anos.

