O termo rio atmosférico passou a aparecer com frequência nas previsões do tempo para o Sul do Brasil nos últimos dias. Meteorologistas alertam que esse fenômeno deve contribuir para a sequência de tempestades prevista entre quinta-feira (16) e a próxima semana, aumentando o potencial para chuva intensa, ventos fortes e acumulados que podem superar 300 milímetros em algumas regiões do Rio Grande do Sul.
Mas afinal, o que é um rio atmosférico e por que ele preocupa tanto os meteorologistas?
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Na prática, trata-se de um enorme corredor de vapor d’água que transporta umidade por milhares de quilômetros através da atmosfera. Quando encontra frentes frias e outros sistemas meteorológicos, esse “rio no céu” pode alimentar tempestades muito intensas.
O que é um rio atmosférico?

Um rio atmosférico é uma extensa faixa de vapor d’água que se desloca pela atmosfera, geralmente saindo das regiões tropicais em direção às latitudes mais ao sul.
Apesar do nome, ele não pode ser visto a olho nu. Diferentemente das nuvens, esses corredores de umidade só podem ser identificados por satélites e equipamentos meteorológicos.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, um rio atmosférico pode atingir cerca de 2 mil quilômetros de comprimento, aproximadamente 500 quilômetros de largura e quase 3 quilômetros de profundidade.
Em alguns casos, esses corredores podem ultrapassar 5 mil quilômetros de extensão.
Como esse fenômeno influencia o tempo no Sul do Brasil?
O principal papel do rio atmosférico é transportar enormes quantidades de umidade.
Quando esse corredor encontra uma frente fria ou outras áreas de instabilidade, há um aumento significativo na formação de nuvens carregadas e tempestades.
Em nota enviada à BBC News Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) explicou que o episódio previsto para esta semana terá forte influência do Jato de Baixos Níveis (JBN), sistema conhecido popularmente como rio atmosférico ou rio voador.
Segundo o instituto:
“Quando o JBN interage com sistemas frontais provenientes do sul do continente, ocorre um aumento da convergência de umidade e da instabilidade atmosférica, favorecendo a ocorrência de tempestades severas.”
Ainda conforme o INMET, esse sistema deverá atuar de forma intensa sobre a Região Sul a partir de quinta-feira.
Por que há risco de tanta chuva?
De acordo com o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, em entrevista concedida à BBC News Brasil, uma frente fria deverá permanecer praticamente estacionada durante vários dias.
Segundo ele:
“A partir de quinta-feira vai passar uma frente fria e essa frente vai ficar estacionária até provavelmente segunda-feira. Então vão ser vários dias consecutivos de chuva.”
Seluchi explica que o transporte de umidade pelo rio atmosférico terá influência sobre esse cenário, embora durante o inverno sua atuação seja menor do que em outras épocas do ano.
O que são os rios voadores?
No Brasil, é comum que o termo rios voadores seja usado como sinônimo de rio atmosférico.
Grande parte dessa umidade nasce na Floresta Amazônica.
A água evapora da vegetação, sobe para a atmosfera e passa a ser transportada pelos ventos em direção ao Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.
Quando encontra a barreira da Cordilheira dos Andes, esse fluxo muda de direção e abastece diversas regiões brasileiras com umidade.
Segundo especialistas entrevistados pela BBC News Brasil, esse processo é fundamental para manter o equilíbrio climático e abastecer de chuva áreas agrícolas de diversos estados.
Aquecimento global pode tornar o fenômeno mais intenso
Diversos estudos apontam que o aquecimento global vem aumentando a quantidade de vapor d’água presente na atmosfera.
Como consequência, os rios atmosféricos podem se tornar mais fortes, mais longos e transportar volumes ainda maiores de umidade.
Pesquisas citadas pela BBC News Brasil mostram que o vapor d’água atmosférico global aumentou cerca de 20% desde a década de 1960, elevando também o potencial para eventos extremos de chuva.
Rio atmosférico pode causar desastres?
Nem todo rio atmosférico provoca problemas.
Na maioria das vezes, esses corredores de umidade desempenham um papel essencial para o abastecimento de água e para o equilíbrio climático.
No entanto, quando encontram condições favoráveis para formação de tempestades, podem contribuir para:
- chuva intensa;
- enchentes;
- alagamentos;
- deslizamentos de terra;
- vendavais;
- granizo.
É justamente esse cenário que preocupa meteorologistas para os próximos dias no Rio Grande do Sul.
Fenômeno será acompanhado de perto
Com a previsão de sucessivos episódios de instabilidade, os órgãos meteorológicos recomendam que a população acompanhe os boletins oficiais do INMET, da Defesa Civil e dos institutos de meteorologia.
Como o comportamento dos rios atmosféricos pode variar ao longo dos dias, os acumulados de chuva e a intensidade das tempestades ainda poderão sofrer atualizações nas próximas previsões.

